Caso da vaca louca no Pará leva à suspensão das exportações de carne para China

Caso da vaca louca foi confirmado na tarde desta quarta-feira.

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Carne está proibida para exportação/ Foto: Divulgação

O ministro da Agricultura, Carlos Favaro, anunciou que as exportações de carne para a China serão suspensas a partir desta quinta-feira (23). A declaração foi dada à CNN, na noite desta quarta-feira, após confirmação do caso de vaca louco no Pará após confirmação de um caso no Pará, nesta tarde.

O ministro disse que há um protocolo entre o Brasil e a China que suspende as exportações de forma automática em casos como esse.

“Amanhã vou suspender as exportações para o mercado da China por força protocolar”, disse à CNN. No entanto Favaro descarta risco de contaminação de rebanhos porque os animais da fazenda onde foi detectado o problema estão isolados e que a população não deve se preocupar.

Impacto

Favaro acredita que o comércio entre os dois países deve se normalizar em março. Segundo ele, houve situações em que o retorno das exportações demorou 13 dias e outros, como em 2021, em que demorou 120 dias. “O ambiente diplomático entre os países facilita muito esse trâmite e hoje a relação é muito boa”, afirmou.

Caso foi confirmado

A Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará (Adepará) confirmou nesta quarta-feira (22) o caso de mal da vaca louca no interior do estado. O órgão não especificou o município, informando  apenas que o caso ocorreu numa pequena localidade no sudeste paraense, numa propriedade com 160 cabeças de gado.

Segundo a agência, a propriedade já foi isolada, inspecionada e interditada preventivamente. Amostras foram enviadas a um laboratório no Canadá para verificar se a ocorrência se trata de um caso clássico, em que há transmissão de um animal para outro, ou atípico, em que a doença se desenvolve de forma espontânea na natureza, geralmente em animais idosos.

“Deve chegar lá entre hoje e amanhã. A análise deve demorar uns dois dias e depois há um prazo para que as exportações sejam retomadas”, declarou o ministro.

Atípico

Em comunicado, a Adepará destacou que trabalha com a hipótese de caso atípico, sem risco de disseminação ao rebanho e ao ser humano. O órgão informou estar em contato permanente com o Ministério da Agricultura e Pecuária e que trata do tema com transparência e responsabilidade.

Na segunda-feira (20), o Ministério da Agricultura informou que estava investigando um caso suspeito de vaca louca no Brasil. Na ocasião, a pasta não informou o local.

A morte em pasto aumenta as chances de que o suposto caso de vaca louca tenha se originado de forma “atípica”, espontaneamente na natureza, em vez de ser transmitido pela ingestão de ração animal contaminada. Isso, em tese, reduz as chances de imposições de barreiras comerciais.

Sem casos transmissíveis

Os últimos casos de vaca louca registrados no Brasil ocorreram em 2021, em Minas Gerais e no Mato Grosso. Na ocasião, os casos também foram atípicos, mas a China, maior comprador de carne do Brasil, suspendeu a compra de carne bovina brasileira por três meses, de setembro a dezembro daquele ano.

Até hoje, o Brasil não registrou casos clássicos de vaca louca, provocado pela ingestão de carnes e pedaços de ossos contaminados. Causado por um príon, molécula de proteína sem código genético, o mal da vaca louca é uma doença degenerativa também chamada de encefalite espongiforme bovina. As proteínas modificadas consomem o cérebro do animal, tornando-o comparável a uma esponja.

Além de bois e vacas, a doença acomete búfalos, ovelhas e cabras. A ingestão de carne e de subprodutos dos animais contaminados com os príons provoca, nos seres humanos, a encefalopatia espongiforme transmissível. No fim dos anos 1990, houve um surto de casos de mal da vaca louca em humanos na Grã-Bretanha, que provocou a suspensão do consumo de carne bovina no país por vários meses. Na ocasião, a doença foi transmitida aos seres humanos por meio de bois alimentados com ração animal contaminada.

*Com informações da Agência Brasil

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