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União adia para março abertura de propostas da Transnordestina em PE

O adiamento da licitação vai adiar a retomada das obras da Ferrovia Transnordestina em Pernambuco. Obras estão paralisadas desde 2016
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Ferrovia Transnordestina em Pernambuco no trecho entre Salgueiro e Custódia que está com as obras paralisadas desde 2016. Foto: Movimento Econômico

Foi adiada a abertura das propostas para a licitação que ia retomar as obras da Ferrovia Transnordestina em Pernambuco. No dia 31 de outubro do ano passado, quando ocorreu o lançamento da licitação, foi divulgado que a abertura das propostas das empresas seria nesta quinta-feira, dia 8 de janeiro. O governo federal publicou no Diário Oficial da União, do dia 24 de dezembro, que a abertura das propostas será no dia 3 de março deste ano.

Ao ser questionada sobre como a imprensa poderia fazer o acompanhamento da abertura das propostas, a Infra S.A. – que está à frente da licitação – informou apenas a transferência da data, sem explicar o motivo.

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe), Bruno Veloso, acredita que o adiamento ocorreu por alterações das exigências na parte técnica do edital. “Encontraram algo que não estava muito bem definido e precisaram fazer essa alteração”, resumiu.

Ele disse ainda que “como todo adiamento, não é algo que nos agrade. A gente sempre se preocupa com o adiamento de qualquer edital. Essa é uma obra de extrema importância para Pernambuco. Estamos todos os pernambucanos aguardando ansiosamente para iniciar essas obras, porque a gente imagina que uma vez reiniciada, ela não deve mais parar”.

A obra é estratégica porque o modal ferroviário vai trazer mais competitividade e diminuição com o custo logístico a vários setores da economia pernambucana e de estados vizinhos, como, por exemplo, o gesso do Araripe, a avicultura, o polo de confecções, a produção de baterias em Belo Jardim, entre outras.

No dia do lançamento da licitação, o ministro dos Transportes, Renan Filho, disse que as obras do trecho pernambucano seriam retomadas no primeiro trimestre de 2026. Dificilmente isso vai ocorrer, porque depois da abertura das propostas ainda correm alguns prazos estabelecidos no edital até ser homologada a empresa vencedora, que vai executar as obras.

As obras do trecho pernambucano da ferrovia estão paralisadas pelo menos há 10 anos. A atual licitação é para implantar um trecho de 73 km de infraestrutura entre Custódia e Arcoverde que está com 37% de execução. A infraestrutura é formada pela terraplenagem e serviços realizados antes de serem colocados os trilhos. O valor de referência do edital (o preço máximo para a execução deste serviço) é de R$ 415 milhões.

O valor exato do serviço será definido quando a licitação for concluída. Os recursos serão bancados pela União – via Programa de Aceleração de Crescimento (PAC).

O lote que está sendo licitado também é chamado pela Infra como Salgueiro Porto de Suape (SPS) 4 e vai passar também pelos municípios de Sertânia e Buíque, além de Custódia e Arcoverde.

Trecho Salgueiro-Suape da Ferrovia

Com 544 km de extensão, o trecho Salgueiro-Suape da Transnordestina teve suas obras iniciadas em 2006 e tem 38% de execução. Ou seja, foram concluídos 179 km. O empreendimento é muito importante para melhorar o escoamento de cargas de Pernambuco e estados vizinhos e para tornar a logística destes estados mais competitiva.

O Movimento Econômico iniciou desde julho o seminário Conexões Transnordestina para discutir e coletar opiniões sobre o trecho pernambucano da ferrovia. O último encontro aconteceu no dia 18 de novembro, quando foi lançada a Carta de Suape, um documento mostrando o impacto que a conclusão do empreendimento vai trazer a diversos setores da economia como avicultura, polo de confecções, gesso, fruticultura irrigada, entre outros.

O Conexões Transnordestina já fez debates com a academia, especialistas, técnicos e empresários nas cidades de Salgueiro, Araripina, Petrolina, Belo Jardim e Caruaru.

Para entender o projeto da Transnordestina

As obras da Ferrovia Transnordestina foram iniciadas, em 2006, pela concessionária Transnordestina Logística S.A. (TLSA). Na época, o projeto começava na cidade piauiense de Eliseu Martins, seguindo até Salgueiro, onde se dividia em dois ramais: Salgueiro-Porto de Pecém, no Ceará, e Salgueiro-Suape, em Pernambuco. Em dezembro de 2022, a TLSA informou não ter interesse em concluir o trecho pernambucano da ferrovia.

O trecho cearense teve suas obras retomadas em 2023, já fez um teste de movimentação de carga por mais de 500 km e deve ser concluído – a primeira parte- em 2027, chegando ao Porto de Pecém, na Grande Fortaleza.

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