
A cidade de Belo Jardim, no Agreste de Pernambuco, sedia no próximo dia 25 de setembro o seminário “Conexões Transnordestina – A ferrovia que move Pernambuco”, promovido pelo portal Movimento Econômico em parceria com a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). O evento será realizado no Hotel Lacazzona, das 9h às 13h, com inscrições gratuitas já disponíveis pela plataforma Sympla.
A participação é gratuita e voltada para empreendedores, gestores públicos, acadêmicos, profissionais do setor logístico e demais interessados nos efeitos da infraestrutura ferroviária sobre a economia regional.
O seminário tem como foco o trecho pernambucano da Ferrovia Transnordestina, que liga Salgueiro ao Porto de Suape, paralisado desde 2016. Especialistas, representantes do governo federal e estadual, técnicos da Sudene, lideranças locais e o setor produtivo da região vão debater os impactos logísticos e econômicos da retomada da obra para o Agreste e o interior do estado.
Impacto regional da ferrovia no Agreste e interior de Pernambuco
A realização do seminário em Belo Jardim acontece em um momento considerado decisivo para o futuro da ferrovia no estado, já que o governo federal acenou com a expectativa de publicação do edital para a retomada das obras.
O município de Belo Jardim com presença agroindustrial, comercial e logística, é um dos que podem se beneficiar diretamente da operação do trecho, especialmente no escoamento de grãos, insumos – para a indústria local – e produtos acabados com destino ao porto de Suape.
Em Belo Jardim e imediações, podem ser beneficiados com a implantação do trecho Salgueiro-Suape empresas como a Baterias Moura, a Palmeiron e o polo de avicultura, espalhado por várias cidades do Agreste. A implantação da ferrovia pode reduzir em 30% o preço do frete dos grãos que é um dos fatores que pesam nos custos da avicultura da região, que traz, em média, o milho a uma distância de 1200 km.
Ciclo de seminários percorre cidades estratégicas
O seminário em Belo Jardim será a quarta etapa do ciclo “Conexões Transnordestina”, que já passou por Salgueiro, Petrolina e Araripina. Em Salgueiro, o debate girou em torno da centralidade do município como entroncamento entre os dois ramais da ferrovia. Já em Petrolina, as discussões abordaram o potencial de conexão com o Vale do São Francisco e a importância do modal ferroviário para o agronegócio irrigado.
Em Araripina, o destaque foi o impacto sobre o polo gesseiro do Araripe, com propostas para instalação de um porto seco e transporte de gesso e gás natural por trilhos. Cada cidade-sede abordou demandas específicas e oportunidades regionais associadas à malha ferroviária.

Edital do trecho pernambucano deve ser lançado em outubro
A retomada das obras do trecho Salgueiro–Suape deverá ser viabilizada por meio de um edital de licitação previsto para outubro, segundo informou o superintendente da Sudene, Francisco Alexandre. O projeto executivo está sendo elaborado pela Infra S.A., estatal vinculada ao Ministério dos Transportes, e os investimentos serão realizados com recursos públicos da União.
Inicialmente, a Transnordestina era composta por dois grandes ramais: o Eliseu Martins- Porto de Pecém e o Salgueiro-Suape. O que está em obras é o trecho Eliseu Martins-Porto de Pecém, que segundo dados do Ministério dos Transportes, já tem concluídos 676 km, o que representa 75% do total. Este trecho tem 1207 quilômetros, atravessa 53 municípios nos estados do Piauí, Ceará e Pernambuco.
O trecho Salgueiro-Suape tem cerca de 544 km e está paralisado desde 2016. A expectativa é de que a retomada do trecho pernambucano gere efeitos diretos sobre o desenvolvimento regional, com redução de custos logísticos, atração de novos investimentos e aumento da competitividade industrial.
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