
Avança o projeto que vai mostrar a viabilidade de um trem de passageiros entre Recife e Caruaru. O estudo é o primeiro passo para que este trecho ferroviário volte a existir. A expectativa é de que o documento fique pronto em março, segundo o engenheiro e professor aposentado da UFPE Maurício Pina, que está à frente do projeto junto com o engenheiro e professor aposentado da UFPE, Fernando Jordão. Isso ocorre 25 anos depois da desativação da linha férrea existente entre as duas cidades.
Em princípio, analisa a possibilidade de implantar um trem de levitação magnética que chegue a fazer 160 km por hora. Isso faria com que a viagem Recife-Caruaru fosse realizada em cerca de 40 minutos. Caruaru está a 130 km da capital pernambucana.
Segundo Maurício Pina, estão sendo analisadas três possibilidades para a futura implantação desta linha férrea. “A primeira é uma locomotiva a diesel, utilizando o traçado antigo. A segunda é um trem moderno com levitação magnética no traçado antigo da ferrovia que ligava Recife a Caruaru. E a terceira é um trem de levitação magnética que seria instalado ao longo do canteiro da rodovia BR-232, construindo um traçado novo”, conta Maurício Pina.
Nesta última, o trem passaria numa estrutura metálica alta, passando por cima da rodovia, sem interferir no tráfego”, segundo o engenheiro. O canteiro que corta a BR-232 fica muito estreito em alguns trechos como ocorre na cidade de Bonanza. De acordo com o engenheiro, a estrutura metálica pela qual passaria o trem, ficaria por cima da rodovia, não interferindo no tráfego da estrada.
O projeto vai apontar a melhor alternativa ambiental, financeira e econômica para a implantação do projeto. “O desenvolvimento que um investimento desse tipo traz para a região é algo inimaginável. Vai ser uma revolução. Atualmente, não existe trem de passageiro de longa distância no Nordeste”, resumiu Maurício.
O engenheiro também diz que será analisada a possibilidade de acoplar vagões que possam transportar carga na futura linha de passageiros entre o Recife e Caruaru. O estudo está sendo bancado pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene).
No projeto, também está previsto que a cobertura da estrutura metálica vai receber a instalação de módulos fotovoltaicos que produzem energia a partir da radiação solar. “O trem só vai consumir 30% dessa energia. Os 70% restantes poderão ser vendidos e injetados na rede elétrica”, afirmou Maurício, acrescentando que isso traz sustentabilidade ao projeto.
O projeto também deve indicar qual a melhor forma para a implantação do empreendimento, apontando uma forma economicamente viável para a prestação deste serviço.

Trem de passageiros chegou em Caruaru em 1895
O trem de passageiros que fez a primeira viagem Recife-Caruaru chegou na capital do Agreste em 1895, quando foi inaugurada a estação ferroviária daquele município. Desativada, a estação é usada para exposições e eventos, principalmente durante o período junino.
O traçado antigo era mais afastado da atual BR-232 e eram vistos pedaços da ferrovia próximo aos centros urbanos de algumas cidades, como Gravatá e Caruaru. “Será feito um voo com drone para mapear o estado deste antigo traçado”, comentou Maurício.
O trem chegou a ser a principal forma de transportar passageiros até Caruaru por muitos anos. Depois, foi perdendo espaço com o aumento do transporte rodoviário, os trens foram ficando sucateados. A linha férrea ainda foi usada para as viagens do trem do forró, que fazia parte das comemorações do São João da cidade.
A linha férrea Recife-Caruaru foi desativada em 2000, segundo o site da prefeitura de Caruaru.
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