
O etanol entrou na pauta internacional da companhia dinamarquesa Maersk e isso pode trazer oportunidades para o setor sucroenergético, além da possibilidade de, no futuro, o Porto de Suape ser um ponto de abastecimento regional deste biocombustível para os navios da empresa. As informações fizeram parte da palestra Perspectivas de Estreitamento das Relações Comerciais para o Etanol em Abastecimento de Navios, concedida pelo diretor de Public Affairs da APM Terminals, Felipe Campos, na sede do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Pernambuco (Sindaçúcar-PE).
Presente ao evento, o presidente do Grupo EQM, da Folha de Pernambuco e do Movimento Econômico, Eduardo de Queiroz Monteiro, disse que o setor está buscando demanda e a chegada da Maersk vai trazer um oceânico mercado para o etanol marítimo.
“A iniciativa vai trazer uma janela de oportunidade muito grande. É um trabalho a longo prazo pra se concretizar e Suape pode ser um hub de exportação de etanol”, afirmou Renato Cunha.
As empresas de navegação estão buscando soluções para descarbonizar as suas atividades. E nesse processo, um dos combustíveis que estão sendo testados pela Maersk é o etanol. A companhia tem 19 navios que estão usando misturas com metanol.
A companhia já fez testes adicionando 10% e 50% de etanol nos navios que possuem motores movidos a metanol. Também planeja fazer testes neste tipo de embarcação com 100% de etanol.
Pelos cálculos apresentados na palestra, se for acrescentado 10% de etanol ao total de combustível marítimo consumido no mundo, seriam necessários 50 milhões de toneladas de etanol, enquanto o Brasil produz atualmente 37 milhões de toneladas deste biocombustível.
“A estratégia da empresa com o etanol passa por Pernambuco e por São Paulo”, comentou o secretário de Desenvolvimento de Pernambuco, Guilherme Cavalcanti. A empresa pretende primeiro concretizar o Porto de Santos como um ponto de abastecimento nacional do etanol e, depois, Suape como um ponto regional de abastecimento.
As exportações do produto também ocorreriam a partir dos dois portos, localizados em estados produtores de etanol. Este biocombustível tem o preço seis vezes menor do que o metanol.

Terminal de contêineres da APM Terminals em Suape
Subsidiária da Maersk, a APM Terminals está concluindo um investimento de R$ 1,6 bilhão para instalar um segundo terminal de contêineres no Porto de Suape. “O terminal de Suape será 100% eletrificado e um cartão de visitas para o Atlântico Sul”, destacou Felipe durante a palestra.
O empreendimento da APM será o segundo a movimentar contêineres no Porto de Suape e vai funcionar como Terminal de Uso Privativo (TUP).
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