
Em ano pré-eleitoral, o lançamento do Fórum Permanente de Infraestrutura da Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe) foi uma demonstração de que a classe política pernambucana está tentando se unir para que a futura implantação do trecho pernambucano da Ferrovia Transnordestina, que vai ligar Salgueiro a Suape, se concretize. Do prefeito do Recife, João Campos (PSB), a governadora Raquel Lyra (PSD), várias das lideranças que compareceram ao evento afirmaram que o momento é de ter unidade em torno do projeto que pode deixar Pernambuco e Estados vizinhos mais competitivos.
As obras do trecho pernambucano foram paralisadas, pelo menos, desde 2016. Segundo a governadora Raquel Lyra, ter um “fórum permanente, é essencial para que a gente possa unir todos os fatores, independente de bandeira ou partidário. Nosso partido é Pernambuco, para que a gente possa trabalhar, para que os investimentos possam acontecer aqui. E isso está dando certo”. E defendeu: “se Pernambuco perde essa janela de oportunidade, nós perdemos, pelo menos, 20 anos, pra frente”.
As obras do trecho pernambucano da Ferrovia Transnordestina começaram em 2006 e estão paralisadas, pelo menos desde 2016. O trecho pernambucano terá uma extensão de 544 km. Presente ao lançamento, o ex-ministro Armando Monteiro Neto e ex-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em tom de “autocrítica”, afirmou que “houve um déficit de mobilização no Estado, porque não há razão para uma obra se arrastar por tanto tempo”.
E argumentou: “perdemos tempo. E agora temos que ter um senso de urgência”, acrescentando que um período de cinco, oito ou 10 anos podem comprometer os esforços para que Pernambuco se insira de uma forma mais dinâmica na economia regional”.
O superintendente da Sudene, Danilo Cabral (PSB), defendeu uma ação coordenada entre os empresários e os diversos atores políticos do Estado, organizando a governança dessa pauta, que é uma das missões do fórum lançado pela Fiepe. “É preciso olhar para o futuro e apresentar os caminhos do desenvolvimento de Pernambuco. O ato de hoje é de integração, de construção de um ambiente de união e de organização da governança para materialização desta pauta. E a Transnordestina é esta obra. Por isso, temos uma legítima ansiedade de que ela seja viabilizada”, comentou.
Também estiveram presentes ao lançamento do Fórum o ministro dos Portos e Aeroportos, Sílvio Costa Filho, o senador Fernando Dueire, os deputados federais Mendonça Filho e Augusto Coutinho, e o deputado estadual, João Paulo.
Ainda no evento, os diretores da Fiepe, a governadora Raquel Lyra, políticos e quase 30 entidades de classe assinaram um manifesto pedindo uma garantia de que as obras do trecho Salgueiro-Suape da Transnordestina serão retomadas e a obra concluída. O documento será entregue ao presidente Lula (PT).
Obras da Transnordestina viraram uma novela…
“Não quero responsabilizar quem quer que seja, mas resolveram o projeto cearense e esqueceram o de Pernambuco”, disse o deputado federal, Mendonça Filho (União-PE). Ele lembrou que era vice-governador quando a obra foi iniciada em 2006.
A empresa que tinha a concessão para explorar os trens, a TLSA, devolveu o trecho pernambucano no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). E retomou as obras somente do trecho cearense.
Originalmente, a Ferrovia Transnordestina começava no Sul do Piauí, na cidade de Eliseu Martins, seguia até Salgueiro, em Pernambuco, e depois desta cidade se dividia em dois ramais: um que seguia para Suape e o outro que chegaria ao Porto de Pecém, na Grande Fortaleza.
O ramal cearense está em obras, usando grande parte dos recursos públicos. E o de Pernambuco ficou parada por, pelo menos, nove anos, com a expectativa de que as obras sejam retomadas este ano pelo governo federal.
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