
O diretor-presidente da estatal Infra S. A., Jorge Bastos, disse que vai licitar, no segundo semestre deste ano, dois trechos que fazem parte da Ferrovia Transnordestina pernambucana, a linha férrea Salgueiro-Suape. Os trechos a serem licitados são o SP4, que tem uma extensão de 73 km e liga Custódia a Arcoverde, e o SPS7 que se estende por 53 km, indo de Cachoeirinha a Belém de Maria. As obras do trecho pernambucano da ferrovia estão paradas, pelo menos, desde 2016.
O gesso pernambucano é um dos produtos que já está sendo prejudicado pela falta de uma ferrovia. Segundo a pesquisadora do Senai-PE, Fátima Brayner, o gesso espanhol já está chegando ao Brasil mais barato do que o gesso que sai do Araripe, no Sertão de Pernambuco. Um dos motivos que contribuem para isso é o fato de que o gesso do Araripe tem que chegar as grandes capitais do Brasil usando o transporte rodoviário.
Durante o lançamento do Fórum Permanente de Infraestrutura da Fiepe, Fátima apresentou um estudo citando as atividades econômicas que poderiam gerar demandas para a ferrovia, incluindo a gipsita e o gesso, hortifruticultura, baterias, minérios e grãos, cultivados no Matopiba, região formada por áreas do Sul do Maranhão e Piauí, Norte da Bahia, Mato Grosso e Tocantins.
Segundo a pesquisadora, há sinais de que o Porto de Itaqui, que recebe grande parte destes grãos, está sobrecarregado. Com o trecho pernambucano da Transnordestina, eles poderiam vir para Suape. “A ferrovia também vai ter carga de retorno nas atividades de avicultura (ração), refino de petróleo e insumos agrícolas”, resume Fátima. Somente para ter uma ideia, o plantel de galináceos cresceu 8,4% ao ano em Pernambuco entre 2013 e 2023.
Os prazos da Infra para a Transnordestina pernambucana
A intenção da Infra é concluir a obra de todo o trecho pernambucano em 2029. Inicialmente, os recursos a serem empregados sairão dos R$ 450 milhões previstos no Orçamento Geral da União (OGU) para o trecho pernambucano da Transnordestina. Segundo Jorge Bastos, não vão faltar recursos para as obras da ferrovia em Pernambuco.
A estimativa da Infra é de que todo o trecho de 544 km da linha férrea Salgueiro-Suape tenha um custo estimado de cerca de R$ 3,5 bilhões. Segundo a Infra, 38% do trecho pernambucano foi concluído pela empresa que TLSA, que estava à frente da obra até 2022 e tem a concessão para explorar os trens no Nordeste.
“Em princípio, vai ser uma obra feita pela Infra S.A. No futuro, pode ser feita uma parceria”, comentou Jorge Bastos, se referindo ao trecho pernambucano da ferrovia. O custo exato da obra será revelado quando for concluído todos os estudos de projetos básicos e executivos contratados pela Infra S.A., que devem ficar prontos até 2026.
A expectativa de Jorge Bastos é de que “o leilão” (a licitação) que vai escolher a empresa que vai fazer a obra dos dois trechos citados acima ocorra até setembro. Ainda de acordo com o executivo, as licitações de obras que vão ficar para 2026 são os quatro trechos seguintes: SPS5 – que tem 53 km indo de Arcoverde a Pesqueira-, SPS6, de Pesqueira a Cachoeirinha com 44 km; SPS8, que vai ligar Belém de Maria a Ribeirão, com 57 km; e SPS9, de Ribeirão ao Porto de Suape.
As primeiras obras da Ferrovia Transnordestina foram iniciadas em junho de 2006 pela empresa que hoje tem o nome de TLSA e possui a concessão para explorar os trens no Nordeste. A empresa desistiu de construir o trecho pernambucano e continua avançando no trecho cearense que vai ligar a cidade de Eliseu Martins, no Sul do Piauí, ao Porto de Pecém, na Grande Fortaleza. Grande parte da obra cearense está sendo feita com recursos federais.

Fórum de Infraestrutura da Fiepe e a Transnordestina
O presidente da Infra, Jorge Bastos, apresentou as informações sobre o trecho pernambucano da Ferrovia Transnordestina na abertura do Fórum Permanente de Infraestrutura, uma iniciativa da Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe), num evento que ocorreu nesta segunda-feira (31).
O objetivo do fórum é acompanhar e fazer articulações que ajudem a tirar do papel obras estruturadoras, na esfera estadual, como ferrovias, rodovias, entre outros. Um levantamento feito pela própria entidade mapeou 20 empreendimentos que demandariam um investimento de R$ 27,6 bilhões até 2032 e deixariam Pernambuco mais competitivo.
“Com o fim dos incentivos fiscais, a infraestrutura será o principal desafio competitivo para que as empresas se instalem e permaneçam aqui. A retomada das obras da Transnordestina traz esperança e futuras oportunidades”, resume o presidente da Fiepe, Bruno Veloso. O fim dos incentivos fiscais com base nos descontos do ICMS vai ocorrer em 2032.
Bruno afirmou também que o acompanhamento destas 20 obras vai ficar no site da Fiepe e qualquer cidadão pode acompanhar as informações. A intenção da Fiepe é fazer uma articulação entre o setor público e o privado contribuindo para que estas obras se viabilizem com mais celeridade.
Durante o evento, também foi lançado um manifesto que será encaminhado ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), pedindo uma garantia de que o trecho Salgueiro Suape da ferrovia será executado. O documento está assinado por mais de 30 entidades, que representam os mais diversos setores indo desde o comércio e turismo até tecnologia, agricultura e fabricantes de equipamentos. A Transnordestina é considerada um fator de competitividade para Pernambuco e Estados vizinhos.
Leia também
Transnordestina e Dislub Equador planejam parceria no Pecém
Sudene libera R$ 400 milhões para obras da Transnordestina cearense