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Profissionais devem aprender a usar a IA antes que ela decida por eles

Tema reuniu especialistas no REC'n'Play nesta quinta-feira
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Rafael e Reinaldo
Rafael Figueiredo e Reinaldo Soares no debate sobre IA/Divulgação: CRA – PE

Por Danilo Lima, especial para o ME*

A mesa-redonda “IA não vai roubar seu emprego, seu chefe vai”, realizada nesta quinta-feira (16) durante o Rec’n’Play 2025, reuniu profissionais de diferentes áreas para debater os impactos da inteligência artificial (IA) nas relações de trabalho e na gestão empresarial.

O encontro foi mediado por Bruno Cunha, headhunter e especialista em carreira, e contou com as participações de Rafael Figueiredo, procurador-geral de Pernambuco; Reinaldo Melo Soares, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Informática, Processamento de Dados e Tecnologia da Informação de Pernambuco (SINDPD-PE); Mônica Queiroz, coordenadora nacional de pós-graduação do Grupo Ser Educacional; e Mychel Paes Barreto, presidente do Conselho Regional de Administração de Pernambuco (CRA-PE).

“Falar de inteligência artificial requer que a gente olhe para fatores estruturantes, como a legislação, a educação, as práticas de gestão e a própria tecnologia. A IA não vai roubar o nosso emprego, a não ser que a gente não se adapte a essa nova realidade”, afirmou o mediador.

Tecnologia que liberta ou que exclui?

O procurador-geral de Pernambuco, Rafael Figueiredo, abriu a discussão na mesa-redonda com uma reflexão sobre o papel da inteligência artificial no âmbito público e social. Segundo ele, a tecnologia oferece oportunidades para ampliar direitos e facilitar processos, mas também pode aprofundar desigualdades se não houver atenção às políticas de acesso, regulação e uso ético.

O presidente do CRA-PE, Mychel Paes Barreto, ressaltou a importância de associar o uso da IA a princípios éticos e sustentáveis, destacando que a ferramenta deve servir ao desenvolvimento humano e não à substituição de pessoas.

“Trouxemos a perspectiva da gestão para dentro da inteligência artificial. É preciso utilizar essas ferramentas com responsabilidade, com preocupação ética, social e de sustentabilidade”, afirmou.

“Os estudos mostram que mais empregos serão criados do que extintos com o avanço da IA. O desafio está em preparar os profissionais para aproveitar as novas oportunidades.”

Regulação e direitos trabalhistas

“A IA pode garantir um futuro promissor, mas também pode ampliar desigualdades se não houver regulação. Não queremos parar o futuro, queremos garantir que ele tenha direitos.” Disse Reinaldo Melo Soares, presidente do SINDPD-PE. Ele fez uma analogia com os desafios da chamada uberização do trabalho, colocando que é necessário regulamentar o uso de plataformas digitais e sistemas baseados em algoritmos.

“O discurso do futuro diz ‘trabalhe para si mesmo, seja seu próprio chefe’. Mas o que pode parecer liberdade, na prática, é falta de proteção. Quem sofre um acidente, por exemplo, não tem garantias”, afirmou.

Reinado defendeu a redução da jornada de trabalho sem diminuição salarial e direitos para trabalhadores de plataformas digitais, reforçando

Educação e o papel humano

A coordenadora nacional de pós-graduação do Grupo Ser Educacional, Mônica Queiroz, discutiu os impactos da IA na formação profissional e nos métodos de ensino. Segundo ela, é preciso garantir um olhar crítico e ético no uso das novas tecnologias.

“Será que, nesta era de IA, estamos formando ou apenas informando as pessoas? É preciso ter curadoria na educação para que a tecnologia não nos torne submissos, mas conscientes”, questionou.

“A IA encurta a distância entre o ensino conteudista e uma aprendizagem personalizada. Mas o ponto crítico de sucesso continuam sendo as pessoas.”

Mônica destacou o caso da Deloitte, considerada uma das maiores consultorias globais de tecnologia, que teve de devolver 440 mil dólares ao governo da Austrália após admitir o uso de inteligência artificial em um relatório entregue com diversos erros. O episódio levantou debate internacional sobre responsabilidade no uso de IA corporativa.

O futuro do trabalho com IA

O mediador Bruno Cunha concluiu o encontro ressaltando a importância de compreender o impacto da IA sob múltiplas perspectivas — legais, educacionais, tecnológicas e culturais.

“Trazer diferentes visões permite que as pessoas saiam com reflexões e olhares distintos sobre como pensar, sentir e agir diante das transformações do mundo do trabalho”, afirma.

O Rec’n’Play 2025 acontece de 15 a 18 de outubro, no Recife Antigo, reunindo atividades voltadas para tecnologia, economia criativa, empreendedorismo e inovação. O evento ocupa 83 espaços em 30 prédios, além de sete palcos e 37 ativações de rua na região do Porto Digital.

A entrada para todas as atividades é gratuita, e o festival é uma realização da Ampla Comunicação, Porto Digital e Sebrae Pernambuco.

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