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Tesouro Direto cresce 125% no NE e alcança 482 mil investidores na região

Nordeste saltou de 214 mil para 482 mil investidores em títulos públicos entre 2021 e 2025. Posição nacional alcançou R$ 202,4 bi, com 3,4 milhões de CPFs ativos no Tesouro Direto
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Tesouro Direto permite aplicações a partir de R$ 30 em títulos públicos federais. O Nordeste ainda tem uma participação abaixo do seu peso demográfico. Foto: Pixabay

O número de investidores com títulos do Tesouro Direto no Nordeste cresceu 125% em quatro anos, passando de 214,4 mil CPFs com posição em 2021 para 482,3 mil em 2025. Os dados são da análise da evolução de pessoas físicas da B3, referente a dezembro do ano passado, e colocam a região como a segunda maior base de investidores em títulos públicos fora do eixo Sudeste-Sul. No Norte, o crescimento foi de 125% no mesmo período, com a base saltando de 58,7 mil para 131,9 mil investidores.

O programa fechou 2025 com 3,4 milhões de investidores em todo o país, alta de 88% sobre 2021, quando o Tesouro Direto reunia 1,8 milhão de CPFs. A posição total a mercado ficou em R$ 202,4 bilhões, com saldo mediano de R$ 2,17 mil por investidor. A distribuição geográfica, no entanto, permanece concentrada: seis em cada dez investidores estão na região Sudeste (58,9%), seguida pelo Sul (15,3%), Nordeste (14,2%), Centro-Oeste (7,7%) e Norte (3,9%).

A expansão da base nordestina reflete um movimento de inclusão financeira impulsionado pela digitalização e pelo aumento da oferta de corretoras com taxa zero para títulos públicos. Ainda assim, a participação relativa da região no total nacional permanece abaixo do peso demográfico do Nordeste, que concentra cerca de 27% da população brasileira, segundo o IBGE. O descompasso indica que o potencial de crescimento da base regional é significativo, especialmente em estados com menor penetração de serviços financeiros e renda média inferior à nacional.

O que é o Tesouro Direto e como funciona

O Tesouro Direto é um programa criado em 2002 pela Secretaria do Tesouro Nacional em parceria com a B3, que permite a pessoas físicas a compra de títulos públicos federais pela internet. Na prática, o investidor empresta dinheiro ao governo federal e recebe, em troca, o valor aplicado acrescido de juros, conforme o tipo de título e o prazo de vencimento. É considerado o investimento de menor risco no país, já que o emissor é o próprio Tesouro Nacional, e oferece liquidez diária — o resgate pode ser solicitado em qualquer dia útil, com o crédito disponível no mesmo dia.

O programa aceita aplicações a partir de frações de 0,01 título (equivalente a 1% do valor unitário de um papel), o que torna o investimento acessível com aportes iniciais em torno de R$ 30. O limite máximo de compra é de R$ 2 milhões por mês.

Para investir, o interessado precisa de CPF e conta em um banco ou corretora habilitada — a lista completa está disponível no portal oficial do Tesouro Direto. O cadastro pode ser feito com a conta gov.br, e as operações de compra e venda são realizadas diretamente pela plataforma da instituição financeira ou pelo site e aplicativo do programa.

Tipos de títulos disponíveis

O programa oferece cinco modalidades de títulos, divididas em três categorias de rentabilidade. O Tesouro Selic é um título pós-fixado cuja rentabilidade acompanha a taxa básica de juros da economia. É indicado para reserva de emergência e objetivos de curto prazo, por apresentar menor volatilidade e rendimento diário.

O Tesouro Prefixado tem taxa de retorno definida no momento da compra e é recomendado para quem deseja previsibilidade sobre o valor a receber no vencimento. O Tesouro IPCA+ combina uma taxa fixa com a variação da inflação medida pelo IPCA, sendo voltado a objetivos de médio e longo prazo, como aposentadoria e proteção do poder de compra.

Além desses três títulos principais, o Tesouro Nacional criou duas modalidades temáticas. O Tesouro Renda+ foi desenhado para gerar uma renda mensal por 20 anos a partir de uma data de aposentadoria escolhida pelo investidor, com rentabilidade híbrida (juros fixos mais IPCA).

O Tesouro Educa+ segue lógica semelhante, mas voltado ao financiamento de estudos, com pagamentos mensais por cinco anos a partir da data definida. Em todos os casos, os títulos podem ser vendidos antes do vencimento, mas o resgate antecipado está sujeito à marcação a mercado, o que pode resultar em rentabilidade diferente da contratada.

Custos e tributação

Os investimentos no Tesouro Direto estão sujeitos a dois tributos. O Imposto de Renda incide sobre a rentabilidade no momento do resgate, com alíquotas regressivas: 22,5% para aplicações de até 180 dias, 20% de 181 a 360 dias, 17,5% de 361 a 720 dias e 15% acima de 720 dias.

O IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) é cobrado apenas para resgates realizados nos primeiros 30 dias de aplicação. Há ainda a taxa de custódia da B3, de 0,20% ao ano, com isenção para investimentos de até R$ 10 mil no Tesouro Selic. Diversas corretoras não cobram taxa de administração para operações no programa.

O hub de educação financeira da B3 disponibiliza uma trilha de aprendizagem gratuita sobre o Tesouro Direto, com conteúdos sobre funcionamento, tipos de títulos e estratégias de investimento, acessível pelo portal edu.b3.com.br.

*Com informações da B3

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