
Com investimento de R$ 2,9 milhões, a Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (Adepe) e o Sebrae/PE lançam um projeto para estruturar e solicitar o reconhecimento de 13 novas Indicações Geográficas (IGs) no estado. A iniciativa será apresentada nesta quinta-feira (10), às 10h, na sede do Sebrae em Recife. O objetivo é fortalecer a identidade de produtos tradicionais como o bolo de rolo, a renda renascença de Poção, o queijo coalho e o artesanato de barro de Caruaru, valorizando os arranjos produtivos locais e ampliando a competitividade desses itens nos mercados nacional e internacional.
A proposta envolve quatro etapas: diagnóstico, estruturação, submissão dos pedidos e acompanhamento junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), responsável por conceder o selo de IG. Pernambuco conta atualmente com três IGs formalizadas: Vinhos do Vale do São Francisco, Uvas e Mangas de Petrolina e o Porto Digital no Recife. Em todo o país, são 130 certificações válidas, a maioria concentrada em estados com forte tradição agrícola e artesanal, como Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul.
Entre os produtos selecionados para análise estão o mel do Araripe, o abacaxi de Pombos, o café de Triunfo, a manta caprina de Dormentes, o artesanato de madeira de Sertânia, o artesanato cerâmico de Tracunhaém e o queijo coalho artesanal produzido no Agreste e no Araripe. A lista inclui ainda bolos de tradição pernambucana, como o Souza Leão, o bolo de noiva e o bolo de rolo.
Apoio do Sebrae Nacional
A fase de estruturação será a mais detalhada do projeto, com atividades voltadas à mobilização dos produtores, levantamento histórico-cultural, delimitação geográfica, criação de cadernos técnicos e formalização das entidades representativas de cada IG. Também será desenvolvido um signo distintivo para cada certificação proposta. A expectativa é concluir o projeto até 2026. A primeira etapa, já iniciada, conta com apoio do Sebrae Nacional.
Para o presidente da Adepe, André Teixeira Filho, o projeto reforça o papel estratégico dos arranjos produtivos no crescimento da economia estadual. “O crescimento do nosso PIB dá sinais claros da importância da agricultura e dos nossos arranjos produtivos. Estamos muito felizes em sair na frente com essa iniciativa ao lado de um parceiro como o Sebrae”, afirmou. Já o superintendente do Sebrae/PE, Murilo Guerra, destaca que as IGs agregam valor aos produtos e fortalecem os pequenos negócios. “A valorização do regionalismo é uma estratégia relevante para o desenvolvimento socioeconômico e a proteção do conhecimento tradicional”, reforçou.

As Indicações Geográficas são certificações concedidas a regiões que desenvolvem produtos ou serviços com identidade territorial. Podem ser classificadas como Indicação de Procedência (IP), quando a reputação é consolidada, ou como Denominação de Origem (DO), quando o produto apresenta qualidades diretamente relacionadas ao meio geográfico e aos fatores naturais e humanos ali existentes.
Leia também:











