
A MG Motor deve ser oficializada na próxima quinta-feira (25) como a segunda fabricante de veículos a operar na Planta Automotiva do Ceará (PACE), em Horizonte. O anúncio, que deve ocorrer no Palácio da Abolição, em Fortaleza, chega num momento em que o complexo já reúne dois veículos da Chevrolet em produção e se prepara para receber um terceiro modelo da GM ainda este ano. O evento na quinta-feira foi confirmado pela MG, sem detalhar mais informações.
A expectativa do mercado automotivo é de que a marca britânica de capital chinês monte localmente o MG4 Urban, hatch elétrico de entrada, e o MG S5, SUV médio também 100% elétrico, os dois carros que a companhia já comercializa no país via importação. Se confirmada, a produção cearense coloca a MG ao lado da Chevrolet na primeira planta multimarcas em operação plena no Brasil.
A planta de Horizonte ocupa o espaço da antiga fábrica da Troller, que pertenceu à Ford e ficou ociosa depois do fim da produção da marca de utilitários. O imóvel foi cedido em regime de comodato à Comexport, gigante brasileira de comércio exterior e logística que registrou R$ 58 bilhões em receita em 2024, com projeção de chegar a R$ 60 bilhões em 2025, e que assumiu o papel de operadora industrial do complexo, hoje batizado de PACE.
A Chevrolet é hoje a única montadora instalada na PACE. A operação começou em dezembro de 2025, com a inauguração da planta na presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e teve no Spark EUV o primeiro modelo 100% elétrico fabricado no Nordeste, carro que assumiu, em maio, a liderança entre os SUVs elétricos mais emplacados do Brasil. Na última quarta-feira (17), a GM oficializou o início da produção do Captiva EV na mesma unidade, elevando para dois o número de modelos montados localmente e tornando o Brasil o primeiro país fora da China a produzir as duas linhas. No mesmo anúncio, a montadora confirmou que receberá ainda uma terceira linha até o fim de 2026, dedicada a um modelo com “tecnologia inédita” para a marca no país.

Quem é a MG, a britânica que virou chinesa
A MG (Morris Garages) nasceu em Oxford, na Inglaterra, em 1924, e construiu reputação histórica com esportivos compactos e acessíveis. Depois de sucessivas trocas de controle e da falência do grupo MG Rover, a marca foi comprada pela estatal Nanjing Automobile em 2006, negócio que a chinesa SAIC Motor (Shanghai Automotive Industry Corporation) incorporou ao adquirir a própria Nanjing, ao fim de 2007, tornando-se dona integral da MG.
A SAIC é hoje a maior estatal automotiva da China e mantém desde os anos 1990 uma joint venture com a própria General Motors no mercado chinês, o que torna peculiar o fato de a controladora da MG passar a compartilhar piso de fábrica com a GM também no Ceará. Sob comando chinês, a marca virou a quinta maior montadora do país asiático, com mais de 800 mil veículos vendidos por ano em mais de 80 mercados, e bateu recorde de vendas na Europa em 2025, com mais de 300 mil unidades comercializadas.

MG4 Urban e MG S5: as apostas para a fábrica cearense
O MG4 Urban é a versão de entrada do hatch elétrico da marca, com motor dianteiro de 163 cv e 25,5 kgfm de torque — potência menor que a do MG4 “padrão”, que chega a 435 cv na versão XPower de dois motores. A ideia é justamente disputar preço: a configuração Urban deve ser oferecida com duas opções de bateria, de 42,8 kWh (autonomia de 323 km) ou 53,9 kWh (cerca de 415 km, no ciclo chinês), mirando rivais como BYD Dolphin e Geely EX2.
Já o MG S5 ocupa o segmento de SUVs médios elétricos, com motor traseiro de 170 cv, bateria de 49 kWh e autonomia de 351 km pelo ciclo do Inmetro, além de recarga rápida em corrente contínua de até 120 kW, recurso que permite recuperar boa parte da carga em menos de 30 minutos. Atualmente importado, o modelo é vendido a partir de R$ 218,8 mil e concorre com BYD Seal, Volvo EX30 e o próprio Captiva EV da Chevrolet. Assim como ocorre com os modelos da GM, a montagem local permitiria à MG escapar da alíquota de 35% de Imposto de Importação que incide sobre elétricos trazidos prontos de fora, fator que tende a pesar tanto no preço final quanto na disponibilidade de estoque.
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