
O governo federal lançou durante o 10º Salão do Turismo, em Fortaleza, uma linha de crédito de até R$ 21 mil para microempreendedores individuais (MEIs) de baixa renda que atuam na cadeia do turismo. A medida busca ampliar o acesso ao financiamento para trabalhadores como guias locais, artesãos, vendedores ambulantes e pequenos prestadores de serviços ligados ao setor turístico, em um momento de forte expansão do turismo brasileiro.
Nos três primeiros meses de 2026, o país recebeu 3,7 milhões de visitantes estrangeiros e registrou crescimento de 63,8% na entrada de turistas internacionais no Nordeste. O setor também soma cerca de 2,4 milhões de empregos gerados em todo o país. Realizado pela primeira vez fora do eixo Sul-Sudeste, o Salão do Turismo transformou Fortaleza no principal centro das discussões sobre turismo, economia e eventos no Brasil.
Batizada de “Do Lado do Turismo Brasileiro”, a nova linha de crédito será destinada a MEIs inscritos simultaneamente no CadÚnico e no Cadastur, o sistema oficial do Ministério do Turismo. Atualmente, 46.273 microempreendedores atendem aos critérios da iniciativa. A operação começa pelo Nordeste e deve ser expandida posteriormente para outras regiões do país. Cada operação poderá chegar a R$ 21 mil, com garantia integral do Fundo de Garantia de Operações (FGO) e recursos do Fundo Geral de Turismo (Fungetur).
A proposta do governo é incluir trabalhadores que normalmente ficam fora do sistema financeiro tradicional por falta de garantias ou histórico bancário. O turismo brasileiro é formado majoritariamente por pequenos negócios: cerca de 97% das empresas do setor são micro e pequenas empresas.
Segundo o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, a medida busca ampliar oportunidades para trabalhadores informais e pequenos empreendedores que movimentam a economia local. “É o vendedor de cachorro-quente, o guia local, a dona de casa que vende bolo que, a partir de agora, terá uma linha de crédito especial”, afirmou.

Aviação e conectividade aérea
Outro anúncio feito durante a abertura do Salão envolve o setor aéreo. O governo federal assinou o pacto “Conheça o Brasil Voando”, em parceria com o Ministério de Portos e Aeroportos, a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) e as companhias Azul, Gol e Latam. A iniciativa busca ampliar a conectividade aérea nacional e estimular as viagens domésticas em um momento de expansão da demanda. O país já ultrapassou a marca de 25 milhões de passageiros transportados no período.
O vice-presidente Geraldo Alckmin, que representou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no evento, também anunciou que turistas chineses deixarão de precisar de visto para entrar no Brasil a partir de 11 de maio. Segundo o governo, o mercado chinês já havia registrado crescimento de 35% em 2025, mesmo com a exigência de visto.
A expectativa é ampliar ainda mais o fluxo de visitantes asiáticos com a nova medida. Alckmin também citou o acordo Mercosul-União Europeia como um dos fatores que podem impulsionar o turismo brasileiro nos próximos anos. “É o maior acordo entre blocos do mundo, equivalente a um quarto do PIB global. Isso vai impulsionar a economia e ajudar o turismo”, disse.

Nordeste lidera crescimento do turismo internacional
Os números do Nordeste ajudam a explicar a escolha de Fortaleza para sediar o Salão do Turismo 2026. Entre janeiro e março deste ano, os sete estados da região: Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte receberam juntos 219 mil turistas internacionais. No mesmo período de 2025, haviam sido 133 mil visitantes, um crescimento de quase 86 mil turistas estrangeiros em apenas um ano.
Além do avanço do turismo de lazer, o calendário de grandes eventos também contribui para o cenário positivo. Fortaleza será uma das cidades-sede da Copa do Mundo Feminina de 2027, realizada no Brasil entre junho e julho. O tema ganhou espaço na programação do Salão, que promove debates sobre qualificação profissional, infraestrutura e desenvolvimento de novos produtos turísticos para receber visitantes nacionais e internacionais.
Para o presidente do Banco do Nordeste, Paulo Câmara, o setor deve desempenhar papel estratégico no desenvolvimento econômico regional. “O turismo gera muitos empregos, vai dos pequenos aos grandes empreendimentos, e o Nordeste tem uma vocação enorme nesse setor”, afirmou.

Setor de eventos movimenta R$ 813,5 bilhões
Em paralelo ao Salão do Turismo, o Centro de Eventos do Ceará recebeu o lançamento do III Dimensionamento do Setor de Eventos do Brasil (2024/2025), considerado o levantamento mais abrangente sobre o segmento no período pós-pandemia. O estudo, conduzido pelo Sebrae Nacional com execução técnica do Observatório da Indústria do Ceará (FIEC/SENAI), mostra que o setor de eventos movimentou R$ 813,5 bilhões, o equivalente a 4,6% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.
O levantamento identificou cerca de 300 mil empresas atuando no segmento e estimou 1,7 bilhão de participações de público ao longo de 2024. O impacto econômico alcança áreas como hospedagem, alimentação, transporte, tecnologia, marketing, comunicação, montagem de estruturas e produção audiovisual. O perfil empresarial repete o padrão do turismo nacional: 73,1% são microempresas e 22,8% são empresas de pequeno porte. Na prática, mais de 95% do mercado de eventos depende de pequenos negócios, o que aproxima diretamente o segmento das novas linhas de crédito anunciadas pelo governo.
O momento vivido por Fortaleza no turismo de eventos vai além do Salão do Turismo. A capital cearense foi escolhida para sediar, entre 1º e 3 de julho, o congresso anual da COCAL, Associação Latino-Americana da Indústria de Eventos, considerado o principal encontro do setor na América Latina. A expectativa é reunir cerca de 800 executivos de 32 países.
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