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Xadrez eleitoral no CE: saída de secretários sinaliza disputa intensa em 2026

Vice-prefeita de Fortaleza e vice-governadora do Ceará deixam secretarias para cumprir prazo eleitoral do TRE. Conheça todos os nomes exonerados nos governos Evandro Leitão e Elmano de Freitas rumo às eleições de 2026
Bruno Brandão
Bruno Brandão
De Fortaleza
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Diversos secretários do governo Elmano de Freitas tiveram suas saídas aceitas pelo chefe do Estado nos últimos dias - Foto: Divulgação
Diversos secretários do governo Elmano de Freitas tiveram suas saídas aceitas pelo chefe do Estado nos últimos dias – Foto: Divulgação

A movimentação político-administrativa no Ceará ganhou velocidade nos primeiros dias de abril. A vice-prefeita de Fortaleza, Gabriella Aguiar (PSD), e a vice-governadora do Estado, Jade Romero (PT), deixaram o comando das secretarias que comandavam, enquanto dezenas de outros nomes do primeiro escalão municipal e estadual pediram exoneração para cumprir o prazo de desincompatibilização exigido pela Justiça Eleitoral. O movimento é o sinal mais claro até agora de que a máquina política da base governista começa a se reposicionar para as eleições de outubro de 2026.

O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) estabelece que ocupantes de cargos públicos que pretendam disputar eleições devem se afastar de seus postos com antecedência mínima de seis meses antes do pleito. O prazo, encerrado no início de abril para parte dos cargos, funciona como um termômetro político: quanto maior o volume de exonerações, maior a sinalização de que o grupo no poder pretende lançar candidatos competitivos em diferentes esferas, da Assembleia Legislativa à Câmara dos Deputados, passando por posições majoritárias. Nem todos que pediram exoneração confirmaram candidatura publicamente, mas o cumprimento do prazo já garante a elegibilidade, e a movimentação em bloco revela uma estratégia coordenada.

A Vice-governadora, Jade Romero e a Vice-prefeita de Fortaleza, Gabriella Aguiar se desvincularam dentro do prazo de desincompatibilização exigido pelo TRE - Foto: Divulgação
A vice-prefeita de Fortaleza, Gabriella Aguiar e a vice-governadora, Jade Romero se desvincularam dentro do prazo de desincompatibilização exigido pelo TRE – Foto: Divulgação

O movimento mais simbólico veio justamente das duas vice-executivas. Gabriella Aguiar deixou o comando da Secretaria Municipal dos Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SDHDS), em Fortaleza. Ela permanece no cargo de vice-prefeita, mas sua saída da pasta é lida politicamente como preparação para uma disputa eleitoral própria em 2026. No âmbito estadual, Jade Romero deixou a Secretaria da Proteção Social, mantendo também o cargo de vice-governadora. O afastamento da secretaria, no entanto, abre caminho para uma atuação mais livre no cenário eleitoral que se aproxima.

Na Prefeitura de Fortaleza, o prefeito Evandro Leitão (PT) promoveu a exoneração de oito nomes do primeiro escalão municipal, com atos publicados no Diário Oficial desta semana. O deputado federal Idilvan Alencar (PSB) foi o primeiro a sair, ainda no dia 24 de março, deixando a Secretaria Municipal de Educação (SME).

Na sequência, Osmar Baquit (PSB) deixou a Coordenadoria Especial de Apoio à Governança das Regionais (Cegor), Apollo Vicz (PSD) saiu da Secretaria Municipal de Proteção Animal, e Bispa Vanessa Lima (MDB) se desligou da Secretaria da Regional 9. Também deixaram seus postos Márcio Martins (Republicanos), da Secretaria da Regional 2, Kátia Rodrigues (PDT), da Secretaria da Regional 7, e Wellington Sabóia, que comandava o Procon Fortaleza. Os desligamentos atingem nomes de diferentes partidos da base aliada, revelando a amplitude e a coordenação do movimento.

O secretário Domingos Filho apresenta o Plano Estratégico de Negócios de Impacto do Ceará, que prevê incentivos fiscais para empresas sustentáveis
O ex-secretário de Desenvolvimento Econômico do Ceará, Domingos Filho, está entre os nomes que saíram. Foto: Divulgação

No governo do Estado, a movimentação foi ainda mais ampla e expressiva. O governador Elmano de Freitas exonerou mais de vinte nomes entre o fim de março e o início de abril, entre titulares de secretarias, superintendentes e assessores com perfil político, configurando a maior reforma administrativa desde que assumiu o Palácio da Abolição.

Entre os titulares de pastas, Chagas Vieira (PDT) deixou a Secretaria-Chefe da Casa Civil, um dos cargos de maior influência política no governo estadual. Jade Romero (MDB) saiu da Proteção Social, Luísa Cela (PSB) deixou a Cultura, Adelita Monteiro (Psol) encerrou sua passagem pela Juventude e Moisés Braz (PT) se desligou do Desenvolvimento Agrário. Fernando Santana (PT) saiu dos Recursos Hídricos, Zezinho Albuquerque (PP) deixou a Secretaria das Cidades, Waldemir Catanho (PT) encerrou sua gestão no Detran, Mitchelle Meira (PT) saiu da Diversidade e Eliana Estrela (PT) deixou a Educação.

Completam o grupo de titulares Domingos Filho (PSD), que deixou o Desenvolvimento Econômico, Lia Gomes (PSB), que saiu das Mulheres, Eduardo Bismarck (PDT), do Turismo, e Erich Douglas (PSD), que deixou a Proteção Animal.

Além dos secretários titulares, também foram exonerados nomes políticos que ocupavam cargos estratégicos no governo estadual. Audic Mota deixou a Assessoria Especial de Desenvolvimento Regional, na Casa Civil, assim como Denis Bezerra, que era assessor de Assuntos Federais, Tiago Lutiani, assessor-executivo de Relações Institucionais, e Walter Cavalcante, assessor especial de Assuntos Institucionais. Diego Barreto saiu da Superintendência do Procon Ceará, Gadyel Gonçalves deixou a Superintendência Adjunta de Edificações, na SOP, e Zé Ailton (PT), ex-prefeito do Crato, se desligou da Secretaria Executiva de Recursos Hídricos.

A presença de tantos nomes em cargos de segundo escalão, mas com forte trânsito político, reforça a leitura de que o governo estadual está liberando uma bancada ampla para a disputa de 2026.

Ex-governador do Ceará e ministro da Educação, Camilo Santana pediu exoneração da pasta federal para atuar como militante nas campanhas de Lula e Elmano em 2026 - Foto: Divulgação
Ex-governador do Ceará e ministro da Educação, Camilo Santana pediu exoneração da pasta federal para atuar como militante nas campanhas de Lula e Elmano em 2026 – Foto: Divulgação

Camilo deixa o Ministério da Educação

No cenário federal, o movimento também chegou ao Ceará por outro ângulo. O ex-governador e ministro da Educação do governo Lula, Camilo Santana, pediu exoneração da pasta. O cearense justificou a decisão com um argumento político direto: quer atuar como militante ativo nas campanhas de Lula, na disputa presidencial, e de Elmano de Freitas, que buscará a reeleição ao governo do Ceará em 2026.

A saída de Camilo do Ministério da Educação tem peso simbólico considerável. Ele foi um dos gestores mais bem avaliados do atual governo federal e sua presença na campanha de Elmano tende a ser um ativo relevante para o grupo político que domina o Estado há mais de duas décadas. Um dos possíveis nomes para a disputa contra o PT no Ceará deve ser do ex-ministro Ciro Gomes, que aparece nas pesquisas como possível pré-candidato ao Governo do Ceará. 

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