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Novas regras da CNH geram perda de 2,5 mil empregos em autoescolas no CE

De acordo com o Sindicato das Autoescolas do Ceará, mais de 2.500 trabalhadores formais já foram demitidos em todo o Estado, restando ainda 2.500 com situação indefinida
Bruno Brandão
Bruno Brandão
De Fortaleza
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Mudanças nas regras levaram à suspensão de investimentos e ao encerramento de salas de aula em algumas autoescolas – Foto: reprodução da internet

A implementação da Resolução nº 1.020 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), publicada no fim de 2025, já produz efeitos relevantes sobre o setor de autoescolas no Ceará. Segundo dados do Sindicato das Autoescolas do Ceará (SINDCFCS/CE), mais de 2.500 trabalhadores formais foram demitidos desde o anúncio das novas regras para a formação de condutores. Outros 2.500 profissionais permanecem com vínculos indefinidos, aguardando maior clareza sobre a consolidação do novo modelo.

Antes da mudança regulatória, o segmento gerava cerca de 5 mil empregos formais diretos no Estado, envolvendo instrutores, equipes administrativas e cargos de gestão pedagógica. Os profissionais desligados atuavam sob regime CLT, com acesso a direitos trabalhistas e previdenciários. A entidade sindical alerta para a possibilidade de novos desligamentos nos próximos meses.

As alterações introduzidas pela resolução modificaram etapas do processo de habilitação e ampliaram o uso de ferramentas digitais. Entre as mudanças, a nova resolução diz que o candidato pode iniciar o processo de habilitação por meio de plataformas digitais, como o site do Ministério dos Transportes ou o aplicativo CNH do Brasil, sem necessidade de autoescola como única via. A obrigatoriedade tradicional de um número mínimo de aulas práticas com autoescolas é revista, abrindo espaço para que candidatos possam utilizar instrutores credenciados pelos Detrans e métodos diferentes de preparação.

Instrutores e equipes administrativas concentram impactos

De acordo com Alisson Maia, vice-presidente do Sindicato das Autoescolas do Ceará, as demissões atingiram principalmente os instrutores de trânsito, com destaque para os instrutores teóricos, além de profissionais da área administrativa.

“A resolução alterou significativamente o modelo pedagógico. Funções como Diretores Geral e de Ensino, responsáveis pelo acompanhamento didático e pela supervisão da formação, deixaram de ser exigidas da mesma forma, o que reduziu a necessidade dessas posições dentro das empresas”, afirma Maia.

O sindicato avalia que o novo modelo pode acelerar a substituição de empregos formais por vínculos autônomos, alterando a dinâmica econômica do setor. Para Alisson Maia, a transição ocorre em um ambiente de insegurança jurídica.

“O modelo das autoescolas concentra responsabilidades na empresa, que responde por frota, seguros e eventuais danos. No formato autônomo, essa estrutura deixa de existir ou fica bastante reduzida, o que muda a lógica econômica e trabalhista”, observa.

A entidade ressalta que a redução do emprego formal pode gerar efeitos indiretos, como menor arrecadação previdenciária, queda de renda das famílias e impacto no consumo local. Os profissionais que permanecem empregados também enfrentam um cenário instável. Segundo o sindicato, muitas autoescolas ainda operam com alunos matriculados antes da vigência da resolução, o que garante atividade apenas no curto prazo.

“Há empresas reduzindo carga horária, suspendendo contratações e adiando decisões. O planejamento ficou comprometido enquanto não há previsibilidade sobre as regras que vão prevalecer”, afirma Maia.

Alisson Maia, vice-presidente do Sindicato das Autoescolas do Ceará, afirma que a instabilidade regulatória compromete empregos e investimentos - Foto: Divulgação
Alisson Maia, vice-presidente do Sindicato das Autoescolas do Ceará, afirma que a instabilidade regulatória compromete empregos e investimentos – Foto: Divulgação

Investimentos suspensos

A instabilidade regulatória também afeta o planejamento financeiro das empresas. Projetos de modernização de frota, ampliação de instalações e investimentos em tecnologia foram interrompidos. “O resultado é previsível: em 2 a 3 meses, teremos condutores muito mal preparados ingressando no trânsito. Antes da resolução, havia autoescolas prontas para investir. Hoje, a prioridade passou a ser ajuste de custos, pagamento de rescisões e manutenção de estruturas mínimas”, relata o vice-presidente do sindicato.

No âmbito institucional, o sindicato mantém diálogo com o Detran-CE e com o Governo do Estado. Em nível nacional, a Federação Nacional das Autoescolas (Feneauto) busca interlocução com a Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) para discutir ajustes no modelo. Paralelamente, ações judiciais foram ajuizadas em diferentes estados, inclusive no Ceará, questionando dispositivos da Resolução nº 1.020. Há expectativa de decisões liminares nos próximos meses.

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