
As exportações de quartzito do Ceará cresceram 138,4% entre janeiro e agosto de 2025, atingindo US$ 46,4 milhões, contra US$ 19,5 milhões no mesmo período de 2024. Durante o período, foram exportadas 76 mil toneladas do material. A rocha metamórfica respondeu por metade de todo o valor exportado no segmento de rochas ornamentais do estado, que somou US$ 64,7 milhões, de acordo com o estudo Setorial em Comex do Centro Internacional de Negócios (CIN) da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC).
No total, o setor mineral cearense movimentou US$ 93,7 milhões em vendas externas nos oito primeiros meses do ano, alta de 81% em relação ao mesmo período de 2024. O desempenho confirma o estado como protagonista do setor no Nordeste e amplia sua relevância no mercado internacional de pedras ornamentais.
A Itália consolidou-se como principal destino das exportações de quartzito do Ceará, respondendo por 73% das compras, com US$ 34,1 milhões de janeiro a agosto — avanço de 164,3% em relação ao ano anterior, de acordo com dados com Comex Stat do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). A China ocupa a segunda posição, com US$ 11,4 milhões.
Taj Mahal: a rocha mais desejada do mundo
Entre os tipos mais valorizados está o quartzito Taj Mahal, extraído em jazida própria da Vermont Mineração em Uruoca. O material é considerado hoje a rocha ornamental mais prestigiada no mercado global. “Hoje a rocha mais desejada do mundo é extraída no Ceará, o quartzito denominado ‘Taj Mahal'”, afirma Carlos Rubens Alencar, CEO da Head Participações, diretor do Instituto Brasileiro da Rocha Ornamental (IBRO) e presidente do Simagran-CE.
O Taj Mahal é reconhecido pela tonalidade clara, que varia do branco ao bege, com veios em marrom e cinza. Apesar de se assemelhar ao mármore no aspecto visual, possui resistência superior. Com até 99% de quartzo em sua composição, tem classificação 7 na escala de Mohs, sendo altamente durável e pouco poroso. Por isso, é aplicado em bancadas, pisos, revestimentos e projetos de alto padrão.

Maturação de mercado após duas décadas
O avanço das exportações de quartzito é resultado de um processo de consolidação que levou mais de 20 anos. “Na mineração não tem nada de curto prazo. Teve a fase de pesquisa, depois começar a desenvolver mercado, e chega o dia que os produtos caem no gosto dos clientes”, explica Carlos Rubens.
Segundo ele, até dez anos atrás o quartzito enfrentava mais dificuldades para ser trabalhado, devido à fragilidade do material. A partir de 2013 e 2014, a intensificação da divulgação internacional e a criação da Fortaleza Brazil Stone Fair foram fundamentais para inserir os quartzitos cearenses no radar de arquitetos e designers estrangeiros. “O mármore em volume é o mais consumido no mundo, seguido do granito, mas a novidade agora é o quartzito. Daqui a 20 anos é capaz dele superar o granito”, avalia.
Diversificação geográfica e variedades do quartzito cearense
Embora a Itália concentre a maior parte da demanda, as exportações de quartzito e outros minerais do Ceará chegaram a 68 países no setor mineral e a 19 países no segmento de rochas ornamentais. A Holanda se destacou com crescimento de 215,4% nas compras, impulsionadas pelo ferro-silício. Turquia e Índia também ampliaram a participação no mercado cearense.
A produção de quartzito está concentrada em municípios como Uruoca, Santana do Acaraú e Granja. Além do Taj Mahal, o estado oferece uma ampla variedade de pedras valorizadas, como Perla Venata, Perla Santana, Avôhai, Nayca, Matira, Waya, Guará, Kalafat e Vega Blue, cada uma com características próprias de cor e veios que ampliam o leque de aplicações no Brasil e no exterior.

Ceará lidera exportações nordestinas de quartzito
No comparativo regional, o Ceará liderou as exportações de quartzito no Nordeste, com US$ 46,5 milhões entre janeiro e agosto de 2025. A Bahia aparece em segundo lugar, com US$ 9,4 milhões. No segmento de “outras pedras de cantaria”, o estado também registrou desempenho expressivo, passando de US$ 4,4 milhões em 2024 para US$ 11,8 milhões neste ano.
Para Karina Frota, gerente do CIN/FIEC, os números reforçam a competitividade do quartzito cearense no cenário global. “Hoje é reconhecido nos principais mercados do mundo pela sua qualidade e singularidade. As empresas aqui se preparam para atender o aumento relacionado à capacidade produtiva delas. Temos a ampliação da demanda pelo mercado internacional e temos a condição”, afirma.
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