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Fortaleza embarca na descarbonização substituindo diesel por renovável

O Aeroporto Pinto Martins iniciou operação de descarbonização com energia renovável nas pontes de embarque, substituindo equipamentos a diesel. A parceria Fraport-Engie elimina 6 mil toneladas de CO₂ anuais e reduz ruído e circulação no pátio
Bruno Brandão
Bruno Brandão
De Fortaleza
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Agora, a energia renovável chega diretamente pelas oito pontes de embarque do terminal do aeroporto Pinto Martins, de Fortaleza - Foto: Divulgação
Agora, a energia renovável chega diretamente pelas oito pontes de embarque do terminal do aeroporto Pinto Martins, de Fortaleza. Foto: Divulgação

O Aeroporto Internacional Pinto Martins, em Fortaleza, iniciou neste mês a operação de um sistema de fornecimento de energia renovável para aeronaves estacionadas nas pontes de embarque. A medida, fruto de parceria entre a concessionária Fraport Brasil e a Engie, substitui o uso de equipamentos movidos a diesel ou querosene e deve eliminar a emissão de cerca de 6 mil toneladas de dióxido de carbono (CO₂) por ano.

O movimento ocorre em um setor considerado de difícil descarbonização. A aviação responde por cerca de 2% a 3% das emissões globais de gases de efeito estufa e enfrenta pressões crescentes de reguladores, investidores e consumidores para acelerar a transição energética.

“Sim, a aviação é um setor complexo. Mas o Grupo Fraport tem a meta de chegar à emissão zero até 2045. Além de comprar energia sustentável, buscamos reduzir ao máximo o consumo de diesel. Esse projeto é um passo concreto para avançarmos no desafio”, afirma Andreea Pal, CEO da Fraport Brasil, responsável pelo aeroporto de Fortaleza (CE).

Como funciona a mudança a descarbonização

Tradicionalmente, aeronaves em solo dependem de geradores movidos a diesel para manter energia elétrica e climatização enquanto aguardam embarque ou desembarque. Em Fortaleza, a nova solução conecta os aviões diretamente às oito pontes de embarque equipadas para fornecer energia limpa, reduzindo poluição, ruído e circulação de veículos no pátio.

“Antes, o fornecimento de eletricidade e ar-condicionado era feito com equipamentos a diesel. Agora o processo é 100% renovável, integrado às pontes que se conectam à aeronave. Isso reduz emissões, circulação de veículos no pátio e o ruído das operações”, explica Pal.

Além do impacto ambiental, a substituição pode reduzir custos indiretos para as companhias aéreas, uma vez que diminui o desgaste dos motores auxiliares dos aviões e, portanto, os gastos com manutenção. Pal ressalta, no entanto, que não há estimativa de economia uniforme, pois isso depende da estratégia de cada empresa.

Aeronaves em solo no Aeroporto de Fortaleza passam a usar energia 100% renovável -  Foto: Fraport/Divulgação
Aeronaves em solo no Aeroporto de Fortaleza passam a usar energia 100% renovável – Foto: Fraport/Divulgação

Custos e modelo de operação

A operação é viabilizada em parceria com a Engie, que realizou os investimentos necessários. A Fraport entrou com os ajustes de sinalização e integração. Atualmente, o aeroporto gasta cerca de R$ 11 milhões por ano com energia elétrica, valor que deve subir para R$ 13 milhões com a adoção da nova solução. “O objetivo não é a economia imediata, mas sim a sustentabilidade da operação e menos veículos circulando ao redor das aeronaves, o que aumenta muito a segurança”, afirma Pal.

A iniciativa também reforça a atratividade do aeroporto junto a companhias aéreas internacionais, em um contexto no qual sustentabilidade se tornou diferencial competitivo. “Além das iniciativas sustentáveis, investimos em qualidade de infraestrutura e tecnologia. Fortaleza tem atratividade por ser porta de entrada para passageiros internacionais. O aeroporto está preparado para ampliar conexões com novos destinos”, afirma a CEO.

Marcus Cunha, diretor de Cidades da ENGIE Soluções, ressalta que as reduções de emissões obtidas com o projeto são expressivas e reforçam a viabilidade econômica da solução. Segundo ele, já existem negociações em andamento com outros aeroportos no Brasil, inclusive no Nordeste. Como a maior parte desses terminais é operada por concessionárias privadas ligadas a grandes grupos internacionais, o processo de tratativas tende a ser longo e conduzido de forma reservada.

“O setor está trabalhando para transformar essa redução em créditos de carbono, que poderão futuramente ser monetizados. Além disso, o custo do serviço oferecido pela ENGIE foi negociado com as companhias aéreas de forma a representar uma economia em relação ao modelo anterior, baseado em equipamentos a diesel. No horizonte de longo prazo, com o aumento constante do preço dos combustíveis fósseis e a maior estabilidade do custo da energia elétrica, a solução demonstra ser sustentável também sob a ótica econômica”, destaca Cunha.

Andreea Pal, CEO da Fraport Brasil -  Foto: Divulgação
Andreea Pal, CEO da Fraport Brasil, diz que apesar de um aumento nas contas, o foco é a sustentabilidade – Foto: Divulgação

Transição no setor aéreo

Projetos semelhantes já foram implementados em outros terminais do país, como em Brasília, onde a Engie instalou equipamentos em 22 pontes de embarque, reduzindo cerca de 17 mil toneladas de CO₂ por ano. A meta é expandir para 26 pontes, cobrindo todos os voos domésticos.

Somando iniciativas em diferentes aeroportos, a empresa estima reduzir mais de 80 mil toneladas de emissões anuais no Brasil. No caso de Fortaleza, Pal destaca que os resultados são compartilhados entre toda a cadeia aérea: “Essas 6 mil toneladas evitadas são de todas as empresas envolvidas na operação em solo, não apenas da Fraport. É uma contribuição coletiva para toda a aviação”.

Perspectiva global

A medida ocorre em paralelo a compromissos internacionais. A Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata) estabeleceu como meta zerar as emissões líquidas de carbono até 2050. Já a União Europeia discute mecanismos de taxação de voos mais poluentes, pressionando aeroportos e companhias aéreas a adotar soluções de baixo carbono.

Nesse contexto, iniciativas como a de Fortaleza funcionam como laboratório de viabilidade operacional e de modelo de negócios, com impacto tanto ambiental quanto econômico. “Essa parceria representa um avanço relevante na nossa estratégia de sustentabilidade, alinhada às metas globais de redução de gases de efeito estufa. É também uma contribuição direta da infraestrutura aeroportuária brasileira para o esforço de descarbonização mundial”, conclui Pal.

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