terça-feira, 16/04/2024

Por que inadimplência cai em 2 estados do NE e endividamento segue alto?

A inadimplência desacelera na Bahia e Pernambuco, mas o endividamento se mantém elevado. Confira as razões pelas quais esse cenário anima os empresários do comércio nesses estados. A Serasa Experian, no entanto, diverge do setor
Inadimplência em queda e endividamento alto evidenciam melhora na capacidade de tomada de crédito pelo consumidor, segundo o economista Guilherme Dietze
Para o economista Guilherme Dietze, inadimplência em declínio e endividamento alto evidenciam melhoria na capacidade de tomada de crédito/Foto: Fecomércio

A inadimplência (percentual de consumidores com dívidas atrasadas) vem apresentando uma trajetória de queda que se consolidou em fevereiro passado na Bahia e Pernambuco, de acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic). O estudo é elaborado pela Confederação Nacional do Comércio (CNC) em parceria com as Fecomércio estaduais.

Para o setor, a retração reflete fatores como a melhoria do emprego, desaceleração da inflação e os impactos do Desenrola Brasil, programa federal de renegociação de dívidas negativadas. Mesmo assim, o endividamento segue elevado nos dois estados. Como explicar esse cenário e o que ele representa?

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Inadimplência no Brasil cai por 5 meses

Para entender esse panorama, é necessário ter a visão do contexto do país a partir da PEIC referente ao mês passado e que teve os resultados nacionais divulgados semana passada e agora entra na fase de publicação dos números dos estados.

Segundo o levantamento, o percentual de famílias inadimplentes, no Brasil, caiu para 28,1% em fevereiro. É a quinta redução seguida desde setembro de 2023, quando o indicador estava em 30,2%, e o menor nível desde março de 2022 (27,8%).

Fique por dentro da inadimplência na Bahia

Na Bahia, o economista Guilherme Dietze, da Fecomércio-BA, toma os dados de Salvador na PEIC para explicar o momento atual no estado. “Temos uma trajetória de queda da inadimplência, consolidada ao longo de um ano”, ressalta. “Houve uma redução quase pela metade, de 40% em fevereiro de 2023 para 22% no mês passado”, compara.

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“Na outra ponta, observamos que o endividamento não caiu na mesma magnitude. Mas, no cenário em questão, esse não é um dado negativo. O endividamento é sempre saudável quando as famílias conseguem pagar e a retração da inadimplência mostra que é isso que está acontecendo“, explica.

“Vemos uma situação de mais emprego e de inflação moderada, o que amplia a capacidade de tomada de crédito pelo consumidor”, detalha.

Para o economista, esse crescimento mostra o consumo retomando fôlego com a melhora na economia do país e não um agravamento das finanças das famílias, como poderia parecer numa visão superficial.

Famílias endividadas são 63% em Salvador

De acordo com a PEIC, 594 mil famílias entrevistadas – 63,3% da amostra – mantinham alguma dívida ativa em fevereiro, alta discreta, de 0,5 ponto percentual sobre janeiro.

O levantamento também sinaliza, nos últimos meses, para um aumento no percentual de lares soteropolitanos que estão optando por dívidas com prazos inferiores a seis meses e uma redução, por consequência, na parcela de famílias que contraem dívidas com prazos mais longos.

Sobre o comprometimento de renda, a pesquisa traz uma curva que anima a federação do comércio. “No recorte de 12 meses, observamos que o percentual de lares com mais de 50% da renda comprometida registrou a terceira queda consecutiva, chegando a 22,5%. Há um ano, esse percentual era de 32,5%”, assinala Guilherme Dietze.

Fecomércio comemora consolidação da trajetória de queda da inadimplência em Pernambuco
Inadimplência também consolida trajetória de queda em Pernambuco, segundo o economista Rafael Lima/Foto: Fecomércio

PE: inadimplência desacelera por 4 meses

Em Pernambuco, a PEIC aponta o quarto mês consecutivo de queda na inadimplência e um quadro de aquecimento do crédito, com reflexos no endividamento, semelhante ao da Bahia.

Segundo o estudo, no mês em análise, 81,9% das famílias estavam endividadas, mas o percentual dos lares que tinham contas em atraso era bem menor (29,4%) e a parcela que não podia pagar suas dívidas ainda mais baixa (15%).

“Apesar do alto número de endividados, o recorte apresenta uma diminuição continuada na inadimplência”, diz o economista da entidade, Rafael Lima.

Para o economista, a reação no mercado de trabalho estadual e o Desenrola Brasil explicam esse quadro com menos inadimplentes.

“No CAGED [Cadastro Geral de Empregados e Desempregados], Pernambuco aparece como o terceiro estado que mais gerou empregos formais em 2023 no Brasil, o que se soma aos efeitos das políticas de renegociações de dívidas”, avalia.

Fecomércio-CE destaca mulheres em primeiro lugar na inadimplência em potencial
No Ceará, inadimplência em potencial é liderada por mulheres acima dos 35 anos e com renda abaixo de 5 salários mínimos/Foto: Procon Fortaleza

Inadimplência potencial recua no Ceará

Os números mais recentes sobre percentual de famílias inadimplentes no Ceará ainda não estão disponíveis. De acordo com a Fecomércio-CE, os últimos indicadores, de janeiro, são referentes à inadimplência em potencial (proporção de consumidores que enfrentarão dificuldades nos pagamentos).

Essa taxa foi de 9,0% no mês em tela, 0,4 pontos percentuais superior à de dezembro (8,6%), mas 1,1 ponto percentual abaixo do resultado de janeiro de 2023 (10,1%).

A segmentação do consumidor cearense em situação de inadimplência potencial verificado em janeiro revela predominância do sexo feminino. Além disso, destaca-se o grupo etário com idade acima dos 35 anos e a faixa de renda familiar mensal inferior a cinco salários-mínimos.

Serasa não compartilha desse otimismo

Maior plataforma de análise de crédito do mundo, a Serasa Experian não compartilha do otimismo da Fecomércio da Bahia e Pernambuco. Embora o levantamento ainda não tenha avançado até fevereiro, o Mapa da Inadimplência – elaborado pela companhia – traz uma realidade diferente.

De acordo com o levantamento, o percentual de consumidores com dívidas atrasadas cresceu 1,4% no primeiro mês do ano, totalizando 72 milhões de negativados. No Nordeste, Pernambuco aparece com a maior porcentagem de população inadimplente (45,1%), seguido pelo Ceará (44,9%).

A Bahia (41%) aparece bem atrás, na sexta posição regional e 19ª nacional, mas ainda assim à frente da Paraíba, Maranhão e Piauí.

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