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Cade aprova compra de laticínio em AL e Piracanjuba reforça expansão no Nordeste

Piracanjuba já investe R$ 120 milhões em unidade de Sergipe e passa a atuar em duas bacias relevantes para a captação formal de leite regional
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  1. Cade aprova aquisição do Laticínio Sertão pelo Grupo Piracanjuba em Alagoas, reforçando expansão nordestina.
  2. Piracanjuba terá segunda unidade no Nordeste, com operações em Sergipe e Alagoas para ampliar produção queijos.
  3. Sergipe e Alagoas respondem por 30% da captação formal leite no Nordeste, atraindo investimentos industriais relevantes.
  4. Sergipe registrou alta de 27,6% na captação leite em 2024, enquanto Alagoas cresceu 13,3% no período.
  5. Grupo mantém postos trabalho e busca aproximação com fornecedores locais durante transição gradual de marcas.
Laticínio Sertão foi adquirido pelo Grupo Piracanjuba, em Monteirópolis, Alagoas
Localizado em Monteirópolis, no Sertão de Alagoas, Laticínio Sertão passa a integrar portfólio do Grupo Piracanjuba, que amplia operações no Nordeste. Foto: Ascom Piracanjuba

As bacias leiteiras de Sergipe e Alagoas têm ganhado destaque na captação formal de leite, respondendo por cerca de 30% do volume adquirido pela indústria em todo o Nordeste. O avanço da oferta tem atraído investimentos industriais relevantes. Nesta quarta-feira (1º), o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou a aquisição do Laticínio Sertão, localizado em Monteirópolis, em Alagoas, pelo Grupo Piracanjuba, que passará a ter sua segunda unidade na região.

A aquisição do Laticínio Sertão foi anunciada em maio e a partir de agora será realizada a transferência integral do controle da indústria para o Grupo Piracanjuba. Por enquanto, a produção seguirá com a marca Laticínio Sertão e, gradualmente, passará a incorporar a nova marca.

A Piracanjuba informou que a aquisição da unidade em Alagoas é um passo importante para o crescimento da empresa no Nordeste, que já possui uma unidade no município de Nossa Senhora da Glória, em Sergipe.

“A unidade abre espaço para novos investimentos, evolução gradual do portfólio produzido localmente e maior proximidade com produtores, clientes e consumidores da região. É um movimento que reforça nossa atuação no segmento de queijos e amplia a competitividade da companhia”, afirma Luiz Claudio Lorenzo, presidente do Grupo Piracanjuba.

 O presidente do grupo também destacou que os atuais postos de trabalho serão mantidos e em paralelo, o grupo pretende se aproximar de fornecedores locais.

“Nosso objetivo é conduzir essa transição de forma harmoniosa para colaboradores, produtores, fornecedores e para a comunidade local. Queremos construir relações duradouras, valorizando a história do Laticínio Sertão e o potencial da região”, afirmou Lorenzo.

Laticínio Sertão Alagoas Piracanjuba
Fundado em 1955, o Laticínio Sertão começou como empreendimento familiar e ocupa atualmente uma área de 70 hectares. Foto: Facebook/Reprodução

Sergipe e Alagoas respondem por um terço da captação de leite no NE

A movimentação da Piracanjuba ocorre em uma faixa do Nordeste que ganhou relevância na captação formal de leite. Dados da Pesquisa Trimestral do Leite, compilados pelo Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (ETENE), mostram que Sergipe e Alagoas somaram 189,2 milhões de litros de leite cru adquiridos pela indústria no terceiro trimestre de 2025. O volume correspondeu a quase 30% dos 633,1 milhões de litros captados no Nordeste no período.

Sergipe concentrou a maior parcela dessa oferta entre os dois estados, com 154,3 milhões de litros no trimestre, alta de 27,6% em relação ao mesmo período de 2024. Em Alagoas, a captação formal chegou a 34,9 milhões de litros, avanço de 13,3% na comparação anual. Os dados ajudam a dimensionar o peso das duas bacias leiteiras na estratégia de expansão da companhia na região.

No conjunto do Nordeste, a quantidade de leite cru adquirida sob inspeção cresceu 20,4% no terceiro trimestre de 2025, passando de 525,9 milhões para 633,1 milhões de litros. Segundo o ETENE, o avanço foi impulsionado por melhorias genéticas, adoção de tecnologias e expansão de sistemas produtivos, embora a região ainda conviva com déficit no comércio de lácteos e dependência de produtos como leite em pó e queijos.

Fábrica da Piracanjuba em Nossa Senhora da Glória, Sergipe
Adquirida em 2025, unidade da Natulact, em Nossa Senhora da Glória, em Sergipe, foi a primeira fábrica comprar pelo grupo Piracanjuba no Nordeste. Foto: Divulgação

Unidade de Glória amplia produção e vira hub da Piracanjuba no Nordeste

A unidade do Grupo Piracanjuba em Nossa Senhora da Glória consolidou-se como o principal hub de produção e distribuição da companhia para o Nordeste, afirmou o presidente do grupo, Luiz Cláudio Lorenzo.

A Piracanjuba adquiriu em 2025 a Natulact, tradicional indústria de laticínios instalada em Nossa Senhora da Glória. A aquisição marcou a entrada da empresa no Nordeste.

Neste período, a fábrica ampliou a produção em cerca de 30%, aumentou o quadro de funcionários para aproximadamente 300 colaboradores e segue executando um plano de investimentos de R$ 120 milhões previsto até 2028.

Lorenzo afirmou que a unidade sergipana abastece os nove estados nordestinos e continuará sendo a principal operação da empresa na região. “O rumo de crescimento realmente se confirmou. Já implementamos novos equipamentos, fizemos melhorias nas instalações, aumentamos a produção em cerca de 30% e seguimos com projetos para ampliar ainda mais a capacidade da fábrica”, destacou.

Desde então, a operação vem passando por um processo gradual de expansão. Hoje, segundo Lorenzo, cerca de 700 produtores sergipanos fornecem leite para a unidade, que fabrica aproximadamente 20 produtos, entre eles queijo muçarela, queijo coalho, manteiga, requeijão e soro de leite em pó.

Luiz Claudio Lorenzo, presidente do Grupo Piracanjuba
Presidente do grupo Piracanjuba, Luiz Cláudio Lorenzo, destaca relevância de fábrica em Sergipe. Foto: Divulgação

A estratégia da empresa também inclui investimentos na qualificação da cadeia produtiva. Por meio do programa Procampo, técnicos da Piracanjuba prestam assistência aos produtores rurais, promovendo acesso a tecnologias e melhorias no manejo, o que, segundo o executivo, já elevou significativamente a qualidade da matéria-prima recebida pela indústria.

“A cadeia leiteira de Sergipe evoluiu bastante. Estamos investindo na qualificação dos produtores e percebemos uma melhoria importante tanto na produção quanto na qualidade do leite”, afirmou. “Hoje, Sergipe é a principal fábrica da Piracanjuba no Nordeste e continuará sendo a unidade de maior relevância para a região” completou.

O plano de expansão prevê novos investimentos voltados principalmente para a ampliação da produção de queijos. Em uma perspectiva de longo prazo, a empresa também estuda diversificar o portfólio da unidade sergipana, incluindo a fabricação de leite UHT (longa vida).

“Nossa expectativa é praticamente triplicar o volume de produção encontrado quando chegamos a Sergipe e diversificar ainda mais os produtos fabricados aqui.”

Questionado sobre o ambiente de negócios no Estado, Lorenzo elogiou o apoio recebido durante a instalação da empresa, mas apontou gargalos que ainda precisam ser enfrentados para atrair novas indústrias.

Segundo ele, a disponibilidade de água para uso industrial e a infraestrutura energética ainda exigem investimentos públicos. “A infraestrutura de abastecimento de água e energia precisa evoluir. São fatores importantes para garantir o crescimento industrial da região.”

Leia também: Melhoramento genético eleva em 176% transferência de embriões em rebanhos de AL

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