
A Origem Energia e o grupo finlandês de tecnologia Wärtsilä assinaram dois contratos de fornecimento de motores que farão parte do projeto de construção de sete usinas termelétricas no Polo Pilar, em Alagoas. O cronograma prevê um investimento de R$ 2 bilhões no estado nos próximos 30 meses.
Segundo informações da Origem Energia, a empresa finlandesa vai fornecer dois lotes de 18 motores de Wärtsilä 34SG cada, totalizando 36 motores, que serão entregues em Pilar em cronograma compatível com entrada em operação dos empreendimentos. Foram investidos 70 milhões de Euros pela companhia nas aquisições.
A Origem foi uma das vencedoras do Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP), realizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANELL) e pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), com projetos previstos para entrar em operação comercial entre 2028 e 2029.
Os empreendimentos selecionados compreendem as usinas Pilar e Pilar Nova, previstas para outubro de 2028, bem como os projetos Manguaba I, II, III, IV e V, com entrada em operação programada para agosto de 2029. Movidas a gás natural, as termelétricas somarão aproximadamente 320MW de capacidade instalada em 2028 e, 50MW adicionais em 2029.
Segundo a companhia, os projetos das usinas termelétricas contribuirão para o fornecimento de capacidade firme e flexível ao sistema elétrico brasileiro, especialmente diante da crescente participação de fontes renováveis intermitentes, como eólica e solar.
A previsão é que as termelétricas da Origem tenham alta flexibilidade operacional, com capacidade de atendimento ao sistema em apenas 5 minutos.
“Projetos como esses demonstram a importância de soluções que combinam flexibilidade, confiabilidade e eficiência para garantir a segurança do sistema elétrico, especialmente em um cenário de crescente integração de energias renováveis”, afirma Gaston Giani, Diretor de Negócios de Energia, Região Sul da Wärtsilä Energy.

Termelétricas posicionam Alagoas como hub energético no Nordeste
O projeto que será construído em Alagoas é um dos maiores contratados no Leilão de Reserva, que vai posicionar o estado como um hub energético integrado no Nordeste, impulsionando o desenvolvimento regional e garantindo um sistema energético nacional mais seguro.
Em entrevista ao Movimento Econômico em março, o CEO da Origem Energia, Luiz Felipe Coutinho afirmou que que as usinas consolidam uma estratégia construída pela companhia nos últimos anos de integrar a produção de gás natural, a futura estocagem em terra e a geração de energia elétrica a partir de Alagoas.
“O projeto em Alagoas é o único independente da Origem Energia, onde os recursos naturais são todos domésticos na sua forma mais competitiva, que é a produção de gás, com a infraestrutura já construída, equacionada para viabilizar potência energética barata a partir do estado”, disse.
Coutinho também ressaltou que a rapidez com que as usinas termelétricas podem ser acionadas vão garantir maior segurança energética ao país em momentos de intermitência das renováveis.
“Ao longo do tempo, a gente acredita que a ONS cada vez mais vai encontrar o volume mais eficiente, mais competitivo em termos econômicos, no equilíbrio entre renováveis e usinas a gás. Mas o fato é que hoje precisamos dessas baterias, que é como a gente gosta efetivamente de chamar as nossas usinas termelétricas – são baterias a gás – para prover potência ao sistema nos momentos em que as renováveis não conseguem atender”, completou.
Origem terá primeiro projeto de estocagem de gás natural do país
Paralelo às usinas termelétricas que serão construídas, a Origem Energia avança com o projeto de Estocagem Subterrânea de Gás Natural (ESGN), que será a primeira do Brasil e da América Latina.
Serão utilizados reservatórios depletados do próprio Campo de Pilar, com capacidade inicial de 106 milhões de m³/ano e expansão prevista até 500 milhões de m³/ano. O projeto exigiu a criação de um arcabouço regulatório inédito no Brasil, construído junto com ANP, IMA e Ministério de Minas e Energia.
A previsão é que o projeto fique disponível ao mercado no segundo semestre de 2026. Segundo o CEO da companhia, eles aguardam uma última licença do Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA) para que o projeto tenha início.
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