
A produção de frutas vem ganhando espaço no Agreste de Alagoas como alternativa de renda para produtores rurais que antes concentravam suas atividades em culturas como cana-de-açúcar e mandioca. Nas cidades de Junqueiro, Limoeiro de Anadia e Teotonio Vilela, o cultivo de abacaxi e maracujá tem avançado com apoio técnico do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural em Alagoas (Senar), fortalecendo a diversificação da produção agrícola na região e ampliando o alcance dos produtos no mercado internacional.
Dados da Pesquisa da Produção Agrícola Municipal (PAM) 2024, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Alagoas produziu 49.107 toneladas de abacaxi. O município de Limoeiro de Anadia é o líder no estado e a safra 2024 do município encerrou com 10 mil toneladas colhidas e apresentando alta de 73% no valor gerado, que saltou de R$ 19,5 milhões em 2023 para R$ 33,9 milhões.
Segundo Anderson Santos, técnico de campo da instituição, o Agreste já concentra 30 produtores de abacaxi, muitos deles deixaram de produzir cana-de-açúcar ou mandioca para diversificar a produção. A diversificação também vem alcançando outras frutas, como maracujá, banana, mamão e coco.
“O problema é que as usinas vêm enfrentando problemas com relação ao preço e estiagem, o que prejudica o pagamento de produtores, assim como a mandioca, que por conta de fatores de mercado, não consegue ser um produto competitivo, o que tem desanimado muitos produtores, que tem nos procurado em busca de alternativas”, explicou.
Embora haja registros de cultivo de abacaxi no Agreste alagoano há pelo menos 20 anos, ele desponta como destaque nos últimos anos e passou a atender não apenas o mercado estadual, mas também estados como Paraíba, São Paulo e Minas Gerais. A produção também é exportada à Argentina, consolidando uma nova frente comercial para os produtores locais.
O abacaxi cultivado em Alagoas é uma sub variedade do Pérola, conhecido como Cabeção. Para Anderson Santos, o avanço da cultura reflete uma combinação entre adaptação às condições locais e busca dos produtores por atividades mais rentáveis e com menos dificuldade no manejo.
“Essas frutas não dependem tanto de água ou irrigação e é possível fazer mais de um plantio ao longo do ano”, disse.

Maracujá ganha espaço no Agreste alagoano
No povoado Riachão, em Junqueiro, o maracujá tem sido uma aposta de produtores, como Felipe dos Santos. Em uma área própria, ele e a família passaram a investir no cultivo de fruta como nova alternativa produtiva. Antes de iniciarem as atividades agrícolas na propriedade, os integrantes da família prestavam serviços a outros produtores. Hoje, a agricultura se tornou a principal fonte de renda.
“Essa é a primeira experiência deles com o maracujá, mas já percebemos um avanço significativo no manejo e na organização da produção”, explica Anderson Santos.
O acompanhamento técnico começou oficialmente em dezembro, por meio dos novos grupos da ATeG, mas o produtor já vinha sendo orientado desde setembro. Além do maracujá, a família também cultiva milho, inhame, quiabo, maxixe e amendoim. Parte dessa produção é comercializada na feira livre local em municípios do Agreste, contribuindo para a circulação de renda dentro da própria comunidade e fortalecendo a economia do interior.
Segundo o produtor Felipe dos Santos, os efeitos da assistência técnica já aparecem no dia a dia da propriedade, especialmente na gestão da produção. Após receber as orientações da ATeG, ele conseguiu reduzir em cerca de 50% os custos de produção.
“A gente não sabia exatamente a quantidade correta de fertilizantes ou de irrigação. Com a orientação técnica e o olhar atento do Anderson, conseguimos organizar melhor tudo isso e economizar bastante”, relatou.

Assistência técnica reforça diversificação no campo
Para a superintendente-adjunta do Senar Alagoas, Luana Torres, os resultados observados nas propriedades rurais do Agreste demonstram o impacto direto da assistência técnica no fortalecimento da agricultura familiar e, consequentemente, na geração de trabalho e renda.
“A assistência técnica é fundamental para que o produtor consiga planejar melhor sua atividade agrícola, reduzir custos e aumentar a produtividade. O trabalho realizado pela ATeG do Senar Alagoas tem justamente esse objetivo: levar conhecimento, inovação e gestão para dentro das propriedades, criando oportunidades reais de desenvolvimento e melhoria da qualidade de vida no campo”, destacou.
Segundo ela, iniciativas desse tipo contribuem diretamente para a diversificação da produção agrícola no estado, estimulando novas cadeias produtivas e ampliando a renda das famílias rurais.
Anderson disse ainda que muitos produtores têm buscado entender melhor o funcionamento das novas culturas antes de diversificar ou migrar parte da produção.
“Nas minhas visitas técnicas faço diagnóstico de área, mapeando os pontos fortes e fracos das propriedades, verificamos o potencial do solo e disponibilidade hídrica. Mensalmente percorro propriedades e vejo o interesse dos produtores em saber mais, entender como é o processo para introduzir essas culturas. Temos muitos produtores interessados em conhecimento, novas tecnologias e isso é muito positivo”, completou.
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