
A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, defendeu nesta quinta-feira (26), em Maceió, durante a 16ª edição da Caravana Federativa, a política externa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e afirmou que as viagens internacionais do chefe do Executivo foram determinantes para que o Brasil enfrentasse o tarifaço anunciado pelo governo de Donald Trump sem maiores impactos. Segundo ela, a estratégia de diversificação de mercados adotada desde o início do mandato reduziu a dependência comercial do país e ampliou a capacidade de reação diante de medidas protecionistas.
“Às vezes o pessoal reclama: ‘Ah, o Lula viaja muito, está muito no exterior’. Mas, se o presidente não viajasse como viaja, não fosse o caixeiro-viajante do Brasil, levasse empresários e buscasse investimento, talvez a gente não aguentasse aquele tarifaço que nos foi imputado”, afirmou a ministra.
De acordo com Gleisi, a ampliação das relações comerciais com diferentes países permitiu que o Brasil não dependesse exclusivamente de um único parceiro para exportar produtos agrícolas e industriais. “Nós aguentamos porque não dependemos exclusivamente de um país para exportar os nossos bens. Diversificamos muito”, disse.
A declaração da ministra ocorre em meio a uma revisão recente do regime tarifário dos Estados Unidos. Na última sexta-feira (20), a Suprema Corte americana derrubou, por 6 votos a 3, o tarifaço original que previa sobretaxas de até 50% sobre produtos brasileiros, com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA), de 1977. Horas depois, o presidente Donald Trump anunciou uma tarifa global adicional de 10% sobre importações, fundamentada na Seção 122 da Lei de Comércio de 1974.
A nova cobrança entrou em vigor à meia-noite de terça-feira (24), segundo comunicado da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP). A Seção 122 autoriza o presidente americano a impor tarifas de até 15% por um período máximo de 150 dias, sem necessidade de aprovação prévia do Congresso, sob o argumento de enfrentar déficits considerados “grandes e graves” na balança de pagamentos.
De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), o novo regime poupa cerca de 46% das exportações brasileiras aos Estados Unidos, o equivalente a US$ 17,5 bilhões, que ficam isentas de sobretaxa adicional. Outros 25% (US$ 9,3 bilhões) passam a estar sujeitos à tarifa global de 10%, percentual que pode chegar a 15%. Já 29% das exportações continuam submetidas às tarifas setoriais da Seção 232, aplicadas com base em argumentos de segurança nacional, como nos casos de aço e alumínio.
Antes da decisão judicial, aproximadamente 22% das exportações brasileiras estavam sujeitas a sobretaxas que variavam entre 40% e 50%.
Entre os setores beneficiados pela revisão estão aeronaves, máquinas e equipamentos, calçados, móveis, confecções, produtos químicos, madeira e rochas ornamentais. No setor agropecuário, itens como pescados, mel, tabaco e café solúvel deixam de enfrentar tarifas de até 50% e passam a competir sob alíquota uniforme de 10%.

Gleisi reforça agenda de justiça fiscal do governo
A ministra também destacou que, além da política externa, o governo tem buscado ajustes internos para enfrentar desigualdades econômicas. Ela citou a proposta de desoneração do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil mensais, medida que, segundo afirmou, deve beneficiar a população de menor renda.
“Não só por deixar de pagar imposto para quem ganha até R$ 5 mil, mas porque, pela primeira vez no Brasil, estamos cobrando mais de quem ganha mais. Quem recebe acima de R$ 1 milhão por ano passa a pagar efetivamente uma alíquota de 10%. Às vezes, não pagava nem 2,5%”, afirmou Gleisi.
Para a ministra, a revisão da estrutura tributária é parte de um esforço para tornar o sistema mais justo e reduzir distorções históricas. “O Brasil é um país rico. Não é justo que a maior parcela da população viva com renda que dificulta a vida. A gente precisa combater essas injustiças”, disse.
Caravana Federativa reúne 100% dos municípios de Alagoas
Maceió recebeu a 16ª edição da Caravana Federativa do Governo Federal, realizada nesta quinta-feira (26) e sexta-feira (27), em Maceió. A iniciativa é promovida pela Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República (SRI) e tem como objetivo aproximar a estrutura do governo federal dos municípios, levando informações sobre programas e facilitando a resolução de demandas locais.
Segundo Gleisi, o formato já foi realizado em 16 estados e deve chegar a 20 unidades da federação até o fim do ano. Em Alagoas, o evento registrou a participação de representantes de 100% dos municípios, primeiro estado a alcançar essa marca.
A Caravana reúne cerca de 50 estandes com representantes de ministérios e instituições federais para atender diretamente prefeitos, vice-prefeitos, vereadores, gestores públicos e movimentos sociais. Durante o evento, são promovidos painéis, palestras e debates sobre projetos estruturantes, ampliando o acesso a programas governamentais e fortalecendo o diálogo entre os governos federal, estadual e municipal.
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