
O Nordeste deve registrar uma expansão significativa na produção de etanol anidro na safra 2025/2026. Segundo dados da Associação de Produtores de Açúcar, Etanol e Bioenergia (Nova Bio) a região projeta crescimento de 39,8% na fabricação do biocombustível, saltando de 529,9 mil metros cúbicos na safra anterior para 740,8 mil m³ nesta nova etapa. O dado supera amplamente o ritmo de crescimento da moagem de cana-de-açúcar na região (+3,3%) e da produção total de etanol (+2,6%).
A alta expressiva do etanol anidro, que é utilizado na mistura obrigatória com a gasolina, indica uma reorganização no perfil produtivo do setor sucroenergético nordestino, que passa a priorizar o abastecimento energético nacional com foco nos derivados da cana.
A projeção coloca a região em destaque no cenário da transição energética brasileira, ao mesmo tempo em que o etanol hidratado, voltado ao consumo direto em veículos, apresenta queda de 13,4% na produção.
Alagoas e Paraíba ganham protagonismo, mesmo com impacto climático
Apesar das adversidades climáticas registradas no início da atual safra, Alagoas e Paraíba mantiveram a liderança na produção de etanol no Nordeste. Na safra 2024/2025, Alagoas foi o maior produtor da região, e a Paraíba surpreendeu ao assumir a segunda posição, superando estados tradicionalmente mais expressivos em moagem, como Pernambuco e Bahia.
Segundo a NovaBio, até 30 de setembro cerca de 23% da safra sucroenergética já havia sido colhida no Norte e Nordeste, com um total de 13,88 milhões de toneladas processadas. Esse volume representa uma queda de 17,4% em relação ao mesmo período do ciclo anterior, fortemente impactado pelas chuvas.
“O volume elevado de chuvas nos estados da Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Alagoas comprometeu o teor de sacarose da planta, resultando na diminuição dos Açúcares Totais Recuperáveis (ATR), o principal indicador de qualidade da cana”, explicou o presidente-executivo da NovaBio, Renato Cunha, em entrevista ao DataAgro.
Na avaliação da entidade, a produção de etanol na região apresenta perfil claramente alcooleiro nesta safra, com retração de cerca de 33% na produção de açúcar entre os meses de abril e setembro. “Fica clara essa tendência que está se consolidando da produção maior de etanol, garantindo o fornecimento para toda a região nos meses de safra”, acrescentou Cunha.

Nordeste avança como polo da bioeconomia nacional
Mesmo com os efeitos do clima, a projeção para a moagem total de cana-de-açúcar no Nordeste segue positiva. A estimativa do estudo que acompanha a produção no país, elaborado pela Nova Bio, é que a região colha 51,8 milhões de toneladas de cana-de-açúcar em 2025/2026, frente a 50,2 milhões na safra anterior, uma alta de 3,3%.
O volume de produção total de etanol deve chegar a 1,806 milhão de metros cúbicos, contra 1,760 milhão da safra passada. Os dados mostram que a estabilidade na moagem é acompanhada por uma reconfiguração no destino da biomassa, com maior direcionamento para o etanol anidro e menor produção de açúcar, tendência que se manifesta com mais intensidade em estados como Paraíba e Alagoas.
A transformação do setor sucroenergético nordestino se alinha ao avanço da bioeconomia no Brasil. A NovaBio destacou que o Nordeste reúne condições para se consolidar como um dos principais polos de inovação em energias renováveis no país, conciliando recursos naturais, conhecimento técnico e atração de investimentos.
“Nos últimos anos, o Nordeste tem expandido suas fronteiras rumo à bioeconomia, principalmente ao utilizar o tradicional biocombustível como indutor de inovações destinadas aos segmentos industrial, aéreo e marítimo, como vem ocorrendo com o combustível sustentável de aviação (SAF), o biometano, o biogás, o hidrogênio verde e o e-metanol”, ressaltou Renato Cunha.
Leia Mais: Marca pioneira impulsiona mercado de biocosméticos em Alagoas











