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Chuvas em AL mudam cenário da safra de cana e setor projeta alta de 1,8%

Setor sucroalcooleiro prevê que safra 2025/26 apresenta tendência de recuperação por conta do bom volume de chuvas esperado
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Colheita de Cana de açúcar nova safra
Setor sucroalcooleiro prevê que safra 2025/26 apresenta tendência de recuperação por conta do bom volume de chuvas esperado. Foto: Divulgação

As chuvas registradas no litoral de Alagoas desde o fim do inverno mudaram a projeção inicial do setor sucroenergético para a safra 2025/2026. O que antes era estimado como uma repetição de produção agora é tratado com otimismo. A expectativa do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Etanol de Alagoas (Sindaçúcar-AL) é de crescimento de 1,8% na moagem de cana-de-açúcar, com potencial de superação caso o bom regime de chuvas se mantenha até o fim de outubro. Apesar de a moagem ainda estar abaixo do volume registrado no mesmo período da safra passada, o setor avalia que há tendência de recuperação ao longo dos próximos meses.

De acordo com o boletim técnico nº 02 do Sindaçúcar-AL, com dados apurados até 30 de setembro, a safra 2025/2026 registrou até o momento a moagem de 1.213.207 toneladas de cana, volume 49,3% menor que o processado no mesmo período da safra passada, que somava 2.394.160 toneladas.

A produção de açúcar também apresenta queda até agora e foram 70.659 toneladas produzidas, frente a 183.262 toneladas no mesmo período do ciclo anterior. Já o etanol soma 20.958 m³, contra 48.923 m³ na safra 2024/2025.

Os dados refletem um início de safra mais lento, já que 15 usinas estarão em operação neste ciclo.

Setor aposta em crescimento da safra com apoio do clima

A estimativa mais recente do Sindicato é de que a moagem total da safra atual alcance 17,7 milhões de toneladas de cana, superando em 1,8% o volume da safra anterior, que fechou com 17,4 milhões de toneladas.

Segundo o presidente do Sindaçúcar-AL, Pedro Robério Nogueira, o resultado inicialmente projetado como uma repetição da safra passada foi revisto após a constatação do bom regime de chuvas no inverno e na primavera.

“A repetição da moagem é um número prudente. Mas, se o clima continuar da forma que se encontra, poderemos ter uma boa surpresa com uma safra maior”, afirmou o dirigente.

Pedro Robério, presidente do Sindicato do Açúcar e Etanol Sindaçúcar Alagoas
Presidente do Sindaçúcar Alagoas, Pedro Robério Nogueira, vê com otimismo aumento nas chuvas para a safra 2025/2026. Foto: Assessoria

Para o setor, as chuvas regulares registradas nos últimos meses foram importantes para o desenvolvimento dos canaviais, sobretudo após um ciclo anterior marcado pela forte estiagem entre setembro e janeiro. Caso as boas condições climáticas se mantenham até o fim de outubro, a moagem pode ultrapassar o crescimento projetado.

Mesmo com uma área colhida semelhante à do ciclo anterior, a cana colhida nesta safra tende a apresentar maior concentração de sacarose, o que melhora o rendimento industrial e pode compensar parte da redução inicial do volume.

“Mesmo que tenhamos uma produção de cana igual à da safra passada, teremos uma concentração maior de açúcar, o que favorece os produtos finais, que é o importante”, destacou Nogueira.

Além disso, a expectativa do setor é de melhora na eficiência industrial, impulsionada tanto pela qualidade da matéria-prima quanto pela modernização dos processos nas unidades em operação.

Projeção do Inmet reforça trimestre com chuvas no Nordeste

O boletim agroclimatológico de outubro do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) reforça a projeção positiva. O estudo indica chuvas acima da média para os meses de outubro, novembro e dezembro no litoral de Alagoas e em outras áreas do leste nordestino, beneficiando diretamente as lavouras de cana.

Segundo o relatório, os volumes observados em setembro superaram os 70 mm em vários pontos da região, favorecendo o armazenamento hídrico do solo. A previsão indica continuidade do regime favorável, especialmente no centro-leste de Alagoas e litoral de Pernambuco e Sergipe.

Embora as temperaturas estejam acima da média em boa parte do Nordeste, as elevações mais moderadas na faixa litorânea permitem o avanço do desenvolvimento vegetativo das lavouras. As estimativas de armazenamento hídrico seguem positivas para a zona canavieira alagoana, mantendo as condições adequadas para a maturação da cana.

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