
O turismo de luxo está em expansão em Alagoas. Com empreendimentos em construção que apostam em serviços de alto padrão, experiências personalizadas e design integrado à natureza, o estado se posiciona como um dos principais destinos do Brasil para viajantes com maior poder aquisitivo. Até 2026, ao menos quatro novos hotéis estarão em operação, ampliando a rede de hospedagem voltada a esse nicho, com obras em Maceió, São Miguel dos Milagres e Porto de Pedras.
O movimento reflete uma mudança de escala, onde o segmento de luxo começa a ultrapassar a Costa dos Corais e a atingir outras regiões turísticas, impulsionado por melhorias de infraestrutura, aumento na malha aérea e incentivos do governo estadual.
Entre os novos empreendimentos, o Marghot Hotel SPA, previsto para ser inaugurado em maio de 2026 na Praia de Lages, em Porto de Pedras, se destaca pelo modelo de operação. O projeto aposta na conexão com a natureza, no atendimento individualizado e em um ambiente pensado para experiências sensoriais. Com investimento de R$ 50 milhões, o hotel terá 20 bangalôs, todos com piscina privativa, arquitetura orgânica e estrutura voltada ao conceito wellness.
“O hóspede vai entender que tem todo um carinho, um afeto na hospitalidade. E tudo isso junto reproduz a essência do slow living e do wellness”, afirma Vitor Dias, diretor do empreendimento. Segundo ele, a escolha da Praia de Lages foi estratégica, por se tratar de uma faixa de areia pouco explorada, com mar calmo e vegetação nativa.
O hotel terá SPA completo, academia equipada e uma sala de reuniões para hóspedes que desejarem conciliar trabalho e descanso. A proposta gastronômica será baseada em ingredientes locais, com pensão completa e carta de drinks exclusiva assinada por Alex Mesquita, premiado mixologista brasileiro.
Está previsto a geração de cerca de 120 empregos diretos e a valorização de fornecedores locais. A estrutura, segundo a direção do empreendimento, adotará madeira de reflorestamento, minimizará o uso de plásticos e fará o reaproveitamento da água da chuva.

Sais, Nannai e Origem ampliam a rede de luxo em diferentes regiões
Também com entrega prevista para 2026, o Sais Beach Living Hotel, do Grupo Augis, será instalado na Praia de Pajuçara, em Maceió. O empreendimento contará com 324 apartamentos, sendo 63 de frente para o mar, com serviços hiperpersonalizados. A proposta segue o conceito wellness e foi desenvolvida a partir de estudos da Mapie Consultoria, especializada no segmento hoteleiro. A pré-abertura para convidados está marcada para outubro deste ano, e as reservas para o público em geral terão início em janeiro de 2026.
No município de São Miguel dos Milagres, a Rede Nannai, tradicional em Pernambuco, escolheu Alagoas para abrir sua primeira unidade fora do estado. Com área de 2,1 hectares, o Nannai Milagres terá estrutura voltada para o turismo de alto padrão, com piscinas, spa, jacuzzi, beach club, academia e o restaurante autoral TiaTê. A inauguração está prevista para março de 2026.
Já em Porto de Pedras, o Origem Patacho será um hotel exclusivo para adultos, com conceito voltado ao silêncio, conforto e atendimento sob medida. A inauguração está marcada para outubro deste ano. Com investimento de R$ 15 milhões, o empreendimento contará com 10 cabanas, todas com piscina aquecida, hidromassagem, banheira vitoriana e design com peças autorais de artistas brasileiros. “Pensamos em um público que quer descansar, ler um livro, ficar à beira da piscina sem serem incomodados”, afirma a empresária Andreia Belaus, idealizadora do projeto ao lado de Hugo Altevir.

Infraestrutura e conectividade impulsionam o turismo de luxo
Além da abertura de novos hotéis, o crescimento do turismo de luxo em Alagoas está diretamente ligado à melhoria da infraestrutura e da malha aérea, segundo Gabriel Cedrim, presidente da ABIH Alagoas. Segundo ele, o estado já conta com empreendimentos reconhecidos no segmento, como o Kenoa Resort (Barra de São Miguel), a Pousada do Toque (São Miguel dos Milagres) e o Salinas Maragogi, e agora vive uma fase de expansão.
“A melhoria da malha aérea e o crescimento no fluxo internacional são indutores naturais do segmento de alto padrão, mas exigem planejamento integrado”, afirma. Ele reforça que o turismo de luxo não prospera isoladamente e depende de infraestrutura sólida, como rodovias, saneamento e energia estável, além de capacitação profissional e investimentos em serviços.

Nesse cenário, a construção do aeroporto de Maragogi, com entrega prevista para 2026, é vista como um avanço estratégico. A obra vai facilitar o acesso a toda a Costa dos Corais, que concentra boa parte dos empreendimentos de luxo do estado. Segundo dados da Aena Brasil, concessionária que administra o Aeroporto Zumbi dos Palmares, Alagoas pode superar os 3 milhões de passageiros em 2025, número que reforça a demanda crescente por novos acessos e opções de hospedagem.
Governo aposta em programas de fomento e promoção internacional
A expansão do turismo de luxo também é apoiada pelo governo estadual, que desde 2023 criou mecanismos específicos para atrair esse perfil de empreendimento. A secretária de Turismo de Alagoas, Bárbara Braga, explica que o estado atua na promoção internacional do destino e incentivos fiscais e locacionais para investidores.
“Nós criamos, juntamente com o trade turístico, uma associação específica para o segmento, a Alagoas Luxury, e passamos a participar das principais feiras internacionais, como a Emotion e a LTM, levando a pujança da nossa hotelaria de luxo”, diz Bárbara.

Hoje, Alagoas já conta com mais de 1.100 leitos de alto padrão, distribuídos em quatro regiões turísticas. A meta do governo é expandir para ao menos cinco regiões, incluindo o sertão, com novos projetos já em fase de implantação. “Queremos mostrar que luxo não é apenas infraestrutura hoteleira, mas também experiências sustentáveis e autênticas, como o turismo de base comunitária”, acrescenta a secretária.
Entre os incentivos oferecidos, estão créditos presumidos de ICMS, desoneração fiscal, programas como o Prodesim e Cresce Alagoas, além da possibilidade de aquisição de terrenos públicos a R$ 1 o metro quadrado, em áreas estratégicas. O objetivo, segundo ela, é garantir que o turismo gere impacto econômico positivo e empregos qualificados, com foco no desenvolvimento regional e sustentável.
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