
A rizicultura alagoana se prepara para um novo salto de produtividade com a adoção da técnica de plantio de arroz pré-germinado, já utilizada com sucesso em Santa Catarina. A novidade está sendo implantada na região do Baixo São Francisco por meio de uma ação conjunta entre a Embrapa, a Secretaria de Estado da Agricultura e prefeituras locais. A expectativa é que a nova técnica amplie a produção no estado e fortaleça a agricultura familiar com inovação tecnológica adaptada ao clima e ao solo da região.
A técnica de plantio pré-germinado, comum em Santa Catarina, vem sendo apresentada a produtores dos municípios de Igreja Nova, Piaçabuçu, Penedo e Porto Real do Colégio. Na prática, ela permite maior controle de plantas daninhas, melhor aproveitamento da irrigação e redução no uso de defensivos agrícolas.
Com a implantação das novas técnicas, os primeiros resultados já são animadores. Pesquisadores da Embrapa identificaram um salto de produtividade nas áreas experimentais, que passaram de 9 toneladas por hectare para 16 toneladas por hectare.
“Alagoas tem condições muito vantajosas para a produção de arroz irrigado, que faz frente a qualquer outra região do país. Alinhar esse sistema de produção coloca o estado no caminho certo. Com as condições climáticas e manejo correto, podemos ter um aumento de produtividade na ordem de 20% este ano”, destacou o pesquisador Raimundo Rocha, especialista em Manejo Irrigado da Embrapa.

Este ano, novas unidades demonstrativas foram implantadas com cinco cultivares adaptados às condições do Baixo São Francisco. A seleção foi feita com base em critérios como resistência a doenças, acamamento, precocidade e demandas de mercado.
Para Joseani Castro, gerente de Fortalecimento da Agricultura Familiar, a adoção de novas tecnologias e a validação de cultivares adaptados ao estado são o caminho para um arroz alagoano mais competitivo. “Na última safra, os resultados foram promissores, e nossa intenção é aprimorar as técnicas utilizadas. Isso reflete no aumento da produção e, consequentemente, na geração de renda e na oferta de um produto de qualidade aos consumidores alagoanos”, explicou.
AL incentiva produção de arroz para estado depender menos de importações
De acordo com o IBGE, a produção de arroz em Alagoas alcançou 19 mil toneladas em 2024, um crescimento de 11% em relação à safra de 2023. Apesar do avanço, o estado ainda depende da importação do grão, já que consome, em média, 87 mil toneladas por ano. Isso significa que quase 80% do arroz consumido em Alagoas vem de outros estados.
Além da adoção de novas técnicas como o plantio pré-germinado, Alagoas também investe na expansão do arroz de sequeiro na região do Baixo São Francisco. A Cooperativa Pindorama, que já responde por 60% da produção estadual, ampliou o cultivo em áreas de entressafra da cana-de-açúcar, entre Coruripe e Penedo para mil hectares.
Para o secretário executivo de Agricultura Familiar da Secretaria de Agricultura de Alagoas, Ronaldo Targino, esse cenário representa uma oportunidade de expansão com forte impacto econômico. “Os dados demonstram a importância do aumento da produção em Alagoas, uma vez que há demanda pelo produto. Ampliar o plantio proporcionará significativa movimentação econômica para o setor orizícola, causando impactos positivos aos produtores, às indústrias locais e, principalmente, aos consumidores”, avalia.

O Governo de Alagoas tem adotado medidas para incentivar o setor. Entre as ações estão a entrega de maquinários agrícolas, distribuição de sementes certificadas, concessão de incentivos fiscais, assistência técnica e suporte direto de equipes da Embrapa Territórios e Alimentos (AL) e da Embrapa Arroz e Feijão (GO). A nova fase do programa Alagoas Mais Arroz intensifica esses esforços com foco no uso da técnica de plantio pré-germinado.
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