terça-feira, 16/04/2024

Etanol de cereais: primeira usina do Nordeste projeta dobrar produção

A Cooperativa Pindorama, situada no município de Coruripe, no Sul do estado, quer passar de 9 milhões para milhões de litros de etanol
Cooperativa Pindorama etanol de cereais
A produção da última safra do biocombustível ocorreu até o final da moagem da cana e totalizou 9,5 milhões de litros / Foto: Cooperativa Pindorama/Reprodução

Por Vanessa Siqueira, de Alagoas

Alagoas está na vanguarda entre os estados nordestinos na produção de biocombustíveis. A Cooperativa Pindorama, situada no município de Coruripe, no Sul do estado, se prepara para entrar na sua segunda safra de produção de etanol a partir do milho e do sorgo. É estimada uma produção de cerca de 20 milhões de litros.

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A Cooperativa Pindorama já produz etanol de cana-de-açúcar e com isso entrou para a relação de usinas flex, que produzem etanol tanto com cana quanto com cereais.

Segundo o gerente industrial da cooperativa, Erikson Viana, a produção da última safra do biocombustível ocorreu até o final da moagem da cana e totalizou 9,5 milhões de litros. Já a produção de cana foi bem maior, com 46 milhões de toneladas. Mas a estimativa para a próxima safra é de dobrar a produção de etanol de cereal, atingindo 20 milhões de litros.

“Nossa produção de etanol de milho e do sorgo está abastecendo o mercado local e as distribuidoras. Como nossa fábrica é anexa à de álcool de cana, aproveitamos o vapor, energia, água e estamos com isso viabilizando cada vez mais a produção”, afirmou.

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Para o presidente da cooperativa, Klécio Santos, a economia foi fundamental para alcançar a viabilidade do projeto em Alagoas. “Esse projeto não nasceu de uma hora para outra. Foi pensado e investido há três anos, quando resolvemos ampliar a capacidade de produção de energia e adquirimos uma nova caldeira. Passamos um ano em sua montagem e, a partir daí, veio o projeto do milho e virão outros projetos, como o milho para consumo humano, com a produção de fubá e flocão de milho”, disse.

Produção de etanol de milho cresce no país

No ano de 2023, o Brasil apresentou um aumento de 36,7% na produção de etanol de milho, ultrapassando os 6 bilhões de litros, segundo dados da União Nacional do Etanol de Milho (Unem). A demanda internacional por biocombustíveis e a ampliação em diversos estados do parque industrial para a produção deste tipo de combustível tem impulsionado a capacidade de produção no país.

Atualmente, estão em operação no país 22 unidades industriais de etanol de cereais, sendo dez delas com dedicação exclusiva (full).

Usina Pindorama Coruripe Alagoas
Outro projeto em andamento resultante do milho é a construção de uma fábrica de flocão, produto que é a base da produção do cuscuz / Foto: Cooperativa Pindorama/Reprodução

Do milho ao álcool e seus derivados

Erikson Viana explicou que o processo de produção do etanol de milho e do sorgo produzido pela Cooperativa Pindorama é do tipo WDG (Wet Distillers Grains – ou na tradução, grãos úmidos de destilaria). Ele difere do tipo DDG (Dried Distillers Grains – grãos secos de destilaria) pelo teor de umidade no processo de fabricação do etanol.

O sorgo é um grão da família Poaceae, que é usado na produção de alimentos, combustíveis e forragem. Ele é considerado o quinto cereal mais produzido no mundo, com grande produção no Brasil. Ele tem sido uma alternativa utilizada na produção de etanol devido às variações de preço do milho, que tem tornado a comoditie mais cara para este tipo de produção.

O processo WDG consiste na moagem dos cereais com água numa proporção de 28% de sólidos no meio líquido. “Nesse primeiro processo de cozimento, que é a liquefação, a gente coloca a enzima, que faz toda a parte da conversão do amido para a glicose. Após o período de cozimento definido, ele é bombeado para fermentação e lá inserimos outra enzima para converter o restante da massa que ficou sem a conversão no início do processo. Esse processo dura cerca de 50 horas, onde fazemos uma destilação diferente da cana”, explicou.

Passado esse processo, esse material resultante, chamado de vinhaça grossa vai para um decanter onde é feita a separação dos grãos úmidos, o WDG, que dá origem a um subproduto: uma ração animal de alto teor proteico.

“Nós vendemos essa ração animal para produtores locais e estamos com grande aceitação no mercado. Já existe um projeto aqui na cooperativa para colocarmos um concentrador que vai extrair dessa vinhaça óleo para comercialização”, completou.

Outro projeto em andamento resultante do milho é a construção de uma fábrica de flocão, produto que é a base da produção do cuscuz. Além disso, para armazenar a produção e lidar com o maior volume matéria-prima estão sendo construídos quatro novos silos com capacidade de 50 mil sacos cada um, além de um elevador para transporte do grão.

Leia mais: Alagoas terá 1ª unidade para transformar vinhaça em biogás e biometano do Norte e Nordeste

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