
A Hapvida registrou forte volatilidade nesta quinta-feira (13), após divulgar um balanço do terceiro trimestre muito abaixo das expectativas do mercado. As ações chegaram a despencar quase 50% durante o pregão, movimento que motivou a família Pinheiro — fundadora da companhia — a comprar papéis na bolsa, segundo fontes. No mesmo dia, a empresa anunciou a ampliação do programa de recompra de ações, que passou de 20 milhões para 70 milhões de unidades.
No encerramento do pregão, houve recuperação parcial dos papéis, que fecharam em queda de 42,21%. A família Pinheiro atualmente detém 37% da operação.
A Hapvida anunciou lucro líquido ajustado de R$ 338 milhões no terceiro trimestre, na última quarta-feira, alta de 12,7% sobre o desempenho de um ano antes, e resultado operacional medido pelo Ebitda ajustado de R$ 746,4 milhões, recuo de 17,6% sobre o terceiro trimestre do ano passado.
O mau humor do mercado foi provocado sobretudo pela queima de caixa de R$ 52 milhões no trimestre. Em teleconferência com analistas e investidores, a administração informou que a margem Ebitda inicialmente estimada levará mais tempo para ser atingida. A margem Ebitda ajustada ficou em 9,6% no período, recuo de 0,8 ponto percentual na comparação anual. Nas projeções do Citi, considerando um ajuste adicional — o chamado “Ebitda limpo” — o índice seria de 7,9%.
Indicadores do Hapvida deteriorados
A Hapvida também apresentou deterioração em diferentes indicadores operacionais. A taxa de sinistralidade aumentou 1,4 ponto, alcançando 75,2%, enquanto o crescimento de novos beneficiários foi considerado tímido. Analistas do Itaú BBA destacaram que o desempenho não está ligado apenas ao maior uso dos planos de saúde, mas também a fatores estruturais que podem não ser temporários.
O JP Morgan rebaixou a recomendação das ações da Hapvida de compra para neutra e curta o preço-alvo de R$ 52 para R$ 39. A justificativa foi que o Ebitda ajustado da empresa ficou 30% abaixo das expectativas, refletindo crescimento mais fraco, títulos menores e aumento dos custos com a expansão da rede própria.
O banco destacou que o cenário competitivo, principalmente com a pressão da Amil em São Paulo, deve manter as margens pressionadas durante a maior parte de 2026, o que sugere uma recuperação lenta da margem Ebitda. O lucro por ação ajustado caiu 38% em relação ao ano anterior, ficando 31% abaixo da estimativa do JP Morgan e 60% abaixo do consenso da Bloomberg.
Além disso, o JP Morgan destacou que o prognóstico para a operadora tornou-se “incerto” e enfatizou que as orientações operacionais provavelmente continuarão no próximo ano. A ocorrência do mercado foi forte com queda das ações da Hapvida acima de 40% no pregão, em linha com a visão negativa dos bancos.
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