Grupo Nassau vai se desfazer de ativos

Consultores entendem que para retomar sua saúde financeira, Grupo Nassau precisa encolher.

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Grupo Nassau
Grupo Nassau: unidade de Cachoeiro do Itapemerim/Foto Reprodução do site

O Grupo Nassau, também conhecido por Grupo João Santos, caminha para um rigoroso enxugamento patrimonial. Nos últimos 12 meses, executivos contratados por cinco de seis troncos da família Santos para realizar a Recuperação Judicial (RJ), conseguiram levantar quase 100% do patrimônio. Grade parte deve ser colocada à venda. 

Assim, o Nassau deve se desfazer de atividades como produção de celulose, de açúcar e álcool e de milhares de hectares de terras no Maranhão. Essas são as orientações que a nova gestão vem dando aos cinco ramos da família que decidiram se unir para organizar a empresa, após destituição do inventariante, Fernando Santos, que integra a sexta linhagem familiar. Em 2022, o grupo entrou com pedido de RJ.

O novo comando é divido entre dois presidentes, Guilherme Rocha e Nivaldo Brayer – este eleito para a copresidência em assembleia realizada no último dia 15 de janeiro, sob a validação da Justiça do Estado de Pernambuco. Para o trabalho de Recuperação Judicial foram contratados a PPK Consultoria o escritório Matos Advogados.

João Rogério Filho, da PPK - Argentina
Sócio diretor da consultoria PPK, João Rogério Filho: patrimônio do Grupo deve ir à venda

A TGI Consultoria também foi contratada para criar um Conselho Consultivo visando o nivelamento das expectativas entre herdeiros e a gestão. “O ambiente foi pacificado, embora sempre será 5 a 1. O comitê acompanha tudo que a gestão faz. Esse repasse de informações não existia”, esclarece João Rogério, líder da PPK Consultoria.

Nos últimos meses, as consultorias identificaram bens que boa parte da família desconhecia, como os oito portos fluviais na região Norte do Brasil. Diante de patrimônio disperso e desconhecido, os cinco ramos de herdeiros concordaram com o seu enxugamento. Apenas o ramo de Fernando Santos, segue em desacordo. O seu desligamento se deu justamente porque desde 2016 ele não prestava contas dos negócios. 

“Há necessidade de se desfazer de outros negócios. O grupo tem viabilidade, mas precisa diminuir de tamanho e aumentar seu foco”, disse o líder da PPK. O certo, segundo João Rogério, é focar no que o grupo sabe fazer bem e o coloca entre os maiores do mercado em seu segmento.

Esse direcionamento já colhe resultados. Há 12 meses, só duas das 10 fábricas de cimento estavam em operação. Atualmente são quatro: Cibrasa (PA), Itabira (ES), Itapircuru (PI), Itapetinga (RN). E já há provisionamento de recursos para retomada de mais duas Itapissuma (PI) e Itacimpasa (PA).

Alienação absurda

 “Alienações absurdas, como a da Itaguassu Agroindustrial S/A, no município de Nossa Senhora do Socorro (SE), que valia R$ 1 bilhão e foi a leilão valendo R$ 70 milhões não ocorrerão mais”, disse o líder da PPK.

Além de identificarem um patrimônio de 47 empresas, os consultores descobriram mais de 100 mil hectares de terra no Maranhão. “Mas não estamos falando de uma única matrícula, de uma fazenda ou duas, mas de 200 a 250 matrículas, sem necessariamente estarem contíguas”, revela o consultor. E tem de tudo lá, de terras invadidas a terras com Imposto Territorial Rural atrasado há décadas. Estamos começando a identificar esse patrimônio para regularizar tudo isso”, explica João Rogério.

Segundo ele, a prática no grupo era dividir para governar. Isso justifica a existência de mais de 20 tesourarias que não se comunicavam entre si. 

Dívidas do Grupo Nassau

O próximo passo é pagar dívidas trabalhistas. A nova gestão conseguiu identificar cerca de oito mil ações e mais de 20 mil credores trabalhistas.  Eles devem começar a ser saldados nos próximos 60 dias, a partir do pagamento do sinal da transação tributária, que baixou o passivo de R$ 13 bilhões para R$ 4 bilhões – deste volume, R$ 2,5 bilhões já foram pagos com prejuízo fiscal, e R$ 1,5 bilhão será pago em dinheiro. Dos R$ 250 milhões do sinal, a maior parte será para pagamentos do FTGS de 20 mil ex-funcionários credores.

O passivo do Grupo Nassau está dividido entre o que está sujeito e não sujeito a recuperação. O que pode ser recuperado se divide em quatro classes, sendo a primeira a que envolve o passivo trabalhista, totalizando R$ 400 milhões. Na classe dois não há credor inscrito. Na três estão os credores quirografados, cuja dívida chega a R$ 800 milhões (comerciantes ou bancos com garantia de aval) e na classe quatro, os micro e pequenos empresários, com passivo de R$ 150 milhões.

Os passivos não sujeitos a recuperação envolve tributos (R$ 1,5 bilhão em transação já consolidada) e bancos com garantia por alienação fiduciária. A estimativa para o passivo desse grupo é R$ 800 milhões, mas ainda não foi consolidado. O plano é reduzir ao máximo o número de credores – há muitas dívidas com valores que vão de R$ 1 mil e até R$ 20 mil.

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