
O comércio varejista de Pernambuco registrou expansão de 5,5% em janeiro de 2026 na comparação com dezembro de 2025, o maior crescimento entre todas as 27 unidades da federação no período, empatado com Rondônia (5,5%). Na comparação com janeiro de 2025, o estado também liderou o ranking nacional, com alta de 11,4%. O desempenho estadual coincide com o melhor resultado histórico do varejo nacional: o volume de vendas do comércio varejista brasileiro avançou 0,4% frente a dezembro de 2025, elevando o indicador ao ponto mais alto da série livre de sazonalidade, igualando o patamar de novembro do ano passado. Os dados são da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgada nesta quarta-feira (11 de março) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A variação positiva nacional encerra um dezembro negativo (-0,4%) e eleva a média móvel trimestral do varejo a 0,3% no período encerrado em janeiro. Segundo Cristiano Santos, gerente da PMC, renovações do patamar máximo da série não são frequentes: antes de novembro de 2025 e janeiro de 2026, o último registro havia ocorrido em março de 2025.
Farmácias e vestuário puxam resultado de janeiro no país
Das oito atividades monitoradas pela PMC no varejo restrito, quatro registraram taxas positivas na comparação com dezembro. Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria lideraram com expansão de 2,6%, o maior resultado entre todos os segmentos pesquisados. O setor acumula crescimento constante na série dessazonalizada desde julho de 2025, com exceção de dezembro. Tecidos, vestuário e calçados avançaram 1,8%, outros artigos de uso pessoal e doméstico cresceram 1,3% e hiper e supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo registraram alta de 0,4%. Móveis e eletrodomésticos ficaram em variação nula (0,0%).
Três atividades recuaram. Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação tiveram a maior queda: -9,3%, após crescimento expressivo nos três meses anteriores. Segundo Santos, o setor é sensível à variação cambial e costuma acumular estoques em períodos de valorização do real para postergar promoções, além de ter saído de uma Black Friday e um Natal com vendas mais fortes. Livros, jornais, revistas e papelaria recuaram -1,8% e combustíveis e lubrificantes, -1,3%.
Varejo ampliado registra décima alta consecutiva
O comércio varejista ampliado, que inclui veículos e material de construção, cresceu 0,9% em janeiro frente a dezembro, encerrando a décima variação positiva consecutiva nessa série. Material de construção avançou 3,4% e veículos, motos, partes e peças, 2,8%. Na comparação com janeiro de 2025, o varejo restrito cresceu 2,8% nacionalmente, com seis das oito atividades em alta.
Móveis e eletrodomésticos lideraram (6,1%), seguidos por equipamentos de informática e comunicação (5,6%) e artigos farmacêuticos (5,1%). No varejo ampliado, material de construção recuou 2,3% e veículos caíram 3,3% frente ao mesmo período do ano anterior.
Nordeste concentra extremos do ranking estadual
Na comparação mensal, 20 das 27 unidades da federação registraram variação positiva no varejo restrito. Além de Pernambuco e Rondônia (5,5% cada), Amazonas (4,8%) completou os três maiores crescimentos. A Bahia registrou a maior queda entre os estados (-1,4%) e o Mato Grosso do Sul ficou estável (0,0%). No varejo ampliado mensal, Pernambuco também figurou entre os destaques positivos (4,0%), atrás de Tocantins (9,6%) e à frente de Mato Grosso (3,6%); a Bahia liderou as quedas (-1,9%) e o Rio Grande do Norte mostrou estabilidade (0,0%).
Na comparação anual, Pernambuco manteve a liderança com 11,4%, seguido por Rondônia (11,2%) e Distrito Federal (6,9%). O único estado com resultado negativo foi o Piauí (-0,6%), também o pior desempenho no varejo ampliado anual (-2,5%), à frente de São Paulo (-1,9%) e Rio Grande do Sul (-1,9%). A próxima edição da PMC, referente a fevereiro de 2026, será divulgada em 15 de abril de 2026.
Ao Movimento Econômico, o presidente do Sistema Fecomércio/Sesc/Senac PE, Bernardo Peixoto comentou o desempenho pernambucano. “O avanço que observamos em janeiro é fruto do avanço da confiança do empresariado e recuperação do poder de compra das famílias pernambucanas, principalmente pela melhora no emprego formal do estado que ajuda no aumento do volume de vendas e acesso ao crédito da população”, avaliou.
Rafael Lima, economista da Fecomércio-PE acrescentou que a forte performance de Pernambuco neste início de 2026 se justifica por uma melhora nas condições de crédito e acesso ao mercado de trabalho. “Para os próximos meses, projetamos uma manutenção desse viés de alta, embora em ritmo mais moderado. O grande desafio será equilibrar a retração no setor de combustíveis e a expectativa de avanço inflacionário”, disse.
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