
Os portos organizados da região Nordeste movimentaram 7,5 milhões de toneladas em abril de 2025, alta de 7% em relação ao mesmo mês do ano anterior, conforme o Estatístico Aquaviário da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). O desempenho foi impulsionado por granéis sólidos e líquidos, com destaque para soja, sal, fertilizantes e madeira.
A soja liderou o volume de cargas, com cerca de 2 milhões de toneladas movimentadas, especialmente no Porto de Itaqui (MA), que totalizou 3,3 milhões de toneladas no mês, seguido pelo Porto de Suape (PE), com 1,8 milhão. Aratu (BA) e Salvador (BA) movimentaram, respectivamente, 579 mil e 589 mil toneladas.
Outro destaque foi a movimentação de fertilizantes, que somou 3,3 milhões de toneladas na região, aumento de 20,1% sobre abril de 2024. A madeira teve crescimento de 82,5%, alcançando 598 mil toneladas. O sal bruto totalizou 706 mil toneladas, avanço de 16,6%.
Areia Branca tem maior crescimento percentual entre portos públicos
O Porto de Areia Branca (RN) registrou o maior crescimento percentual entre os terminais públicos do país, com alta de 82,3%, alcançando 436 mil toneladas em abril. Desse total, 376 mil toneladas foram de sal, carga predominante na operação do terminal. O Rio Grande do Norte responde por mais de 95% da produção nacional de sal marinho, e Areia Branca é a principal porta de saída desse insumo.
Segundo o secretário nacional de Portos e Transportes Aquaviários, Fabrízio Pierdomenico, os dados demonstram a recuperação consistente da movimentação portuária na região. “A movimentação portuária do Nordeste reflete o crescimento da demanda e o esforço de gestão dos portos públicos da região”, afirmou.
O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, destacou que o governo federal está ampliando os investimentos para impulsionar a logística portuária. “O aumento da movimentação nos portos do Nordeste é resultado da eficiência da gestão portuária e dos investimentos que o governo federal tem realizado. Vamos continuar trabalhando para modernizar e tornar nossos portos mais competitivos”, disse.

Granéis sólidos e líquidos
No total do país, a movimentação portuária somou 107,6 milhões de toneladas em abril, segundo maior volume mensal da série histórica, com destaque para as cargas de granéis sólidos e líquidos. A navegação de longo curso respondeu por 76,6 milhões de toneladas, a cabotagem por 23,3 milhões e a navegação interior por 7,6 milhões.
Entre janeiro e abril, os terminais de uso privado (TUPs) no Nordeste movimentaram 69,8 milhões de toneladas, avanço de 4%. Já os portos públicos da região registraram 37,8 milhões de toneladas, queda de 3,8% em relação ao mesmo período de 2024.
Ampliação da infraestrutura portuária regional
Além do desempenho operacional, a infraestrutura portuária da região passa por ampliação. No Porto do Pecém (CE), entrou em operação uma nova rota direta com a China, reduzindo o tempo de viagem de 60 para 30 dias. A nova linha prevê a chegada de até 1.200 contêineres por semana. Também foi iniciado o projeto de construção de um parque de tancagem, com investimento de R$ 430 milhões, voltado ao armazenamento de combustíveis e biocombustíveis.
O Porto de Suape (PE), principal terminal público do Nordeste, segue concentrado nos granéis líquidos, devido à conexão com a Refinaria Abreu e Lima. Em 2024, Suape movimentou 24 milhões de toneladas e ampliou as operações com contêineres, veículos e minério de ferro.
Outro projeto de impacto logístico para a região é a Ferrovia Transnordestina, que, ao conectar áreas produtoras no Piauí, Ceará e Bahia aos portos de Suape e Pecém, deverá aumentar a competitividade da produção agroindustrial e mineral do interior nordestino.
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