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Cooperativismo fortalece negócios liderados por mulheres em PE e no MA

Empreendedoras que passaram por um programa de cooperativismo falam da mudança que o conhecimento trouxe nos seus pequenos negócios
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  1. Mulheres representam 52% dos empregos gerados pelo cooperativismo, mas ocupam apenas 22% dos cargos de liderança.
  2. Cooperativa Amostradas, formada por oito mulheres artesãs no Grande Recife, busca fortalecer negócios através da organização coletiva.
  3. Programa Mulher Empreendedora do Sicredi Expansão envolve 42 mulheres em Maranhão, Alagoas e Pernambuco com mentorias e crédito.
  4. Vanusa Holanda transformou gestão de suas duas marcas após participar do programa, acessando crédito com taxas mais acessíveis.
  5. Comitê de Mulheres trabalha para capacitar mulheres a ocuparem cargos de liderança nas cooperativas que atuam.
A empreendedora artesã Vanusa Holanda diz que mudou a forma de gerir o seu negócio depois de passar por um programa de cooperativismo. Foto: Vanusa Holanda/Divulgação

Vanusa, Ana  e Irís começaram a escrever  um novo capítulo das suas estórias depois que conheceram o cooperativismo.  As mulheres representam 52% dos empregos gerados pelo cooperativismo, correspondem a 42% dos cooperados e ocupam somente 22% dos cargos de liderança.  No Brasil, este tipo de atividade movimenta números expressivos: mais de 578 mil empregos em 4.384 cooperativas com 25,8 milhões de cooperados e ativos de R$ 1,39 trilhão. 

No Grande Recife, Vanusa Holanda faz parte de um grupo de oito mulheres empreendedoras e artesãs que estão se organizando para abrir a Cooperativa Amostradas. “Estamos entendendo a parte jurídica, mas percebemos que a união fortalece o trabalho umas das outras. Vai dar mais visibilidade – principalmente pra quem tem limitação em redes sociais-, ficar mais fácil participar de eventos, ter acesso à credito e também pretendemos comprar de outras mulheres”, resume Vanusa.

Todas as participantes do grupo fazem parte do Programa Mulher Empreendedora, o qual está em curso – e conta  com a participação de 42 mulheres, sendo 17 na cidade de Balsas, no Maranhão; 18 em Alagoas e sete no Grande Recife. Desenvolvido pelo Sicredi Expansão, a iniciativa inclui mentorias e facilita o acesso ao crédito. “Depois desta experiência, o que mais mudou pra mim foi me sentir validada como empreendedora, percebendo o que tinha que mudar na gestão do negócio”, conta Vanusa, acrescentando que como o negócio é pequeno, ela faz de tudo, incluindo as peças, compras, divulgação etc.

Outro diferencial do coperativismo, segundo a empreendedora, foi o acesso ao crédito com taxas mais acessíveis. Ela é dona de duas marcas D’lui, Usina de Ideias e Essa Sujeita, que incluem desde pequenos presentes a moda autoral, tem um espaço de atendimento na sua residência,  faz vendas on line e participa de eventos e feiras, como a Fenearte, que vai ocorrer em julho no Centro de Convenções, em Olinda.  Vanusa começou o negócio como uma segunda renda e hoje a atividade é o seu principal trabalho.

Ela  também faz parte de outra iniciativa da cooperativa a qual ela é ligada: participa do Comitê de Mulheres, que entre várias iniciativas, pretende formar pessoas do sexo feminino para ocuparem cargos de liderança nas cooperativas que atuam. “Quando se junta, a gente se sente acolhida, facilita o processo de autoconhecimento. E o autoconhecimento ajuda as pessoas a saírem de situações difíceis. O primeiro passo para a liberdade feminina é ter uma renda”, comenta.

Presidente da Associação das Mulheres Empreendedoras de Balsas, Irís Araújo, fala que o programa de cooperativismos trouxe novas oportunidades aos negócios. Foto: Ameb/Divulgação

Balsas e a associação que começou com um grupo de Whats App

Maior cidade do Sul do Maranhão, Balsas cresceu nos últimos anos por causa do agronegócio pujante na região. Há três anos, mais de 100 donas de micro e pequeno negócios iniciaram um movimento que resultou na Associação das Mulheres Empreendedoras de Balsas (Ameb), que virou CNPJ há dois anos e conta com 112 participantes que atuam na área de artesanato, culinária, costura, consultoria e eventos.  

“Com o cooperativismo, mudou tudo. Muitas tiveram oportunidade de adquirir conhecimento, educação financeira e tudo isso trouxe visibilidade aos negócios”, explica a presidente da Ameb, Irís Araujo, que faz parte do grupo que participou do Programa Mulher Empreendedora. Inicialmente, eram 5 mulheres num grupo de Whats App, núcleo que deu origem à associação. “Faltava um conhecimento para precificar, vender, fazer a divulgação. Com a associação, a gente começou a ser vista e várias empresas começaram a procurar a associação”, lembra a dirigente, lembrando que o conhecimento foi fundamental para estruturar essas partes dos negócios. 

O associativismo também trouxe outra vantagem: as mulheres se aproximaram do Sebrae, que passou a apoiar a participação em eventos, viagens para conhecer negócios afins, treinamento sobre vendas etc. “Também facilitou a questão financeira”, comenta Irís, se referindo ao acesso ao crédito orientado.

Dentre as que participam da associação, 17 participam do programa Mulher Empreendedora, iniciado há um ano. Uma delas é a costureira/empreendedora Ana Lúcia Miranda que argumenta que “a orientação e o acesso ao crédito  mudaram a forma de gerir o negócio”. Segundo ela, antes da experiência era muito difícil conseguir um crédito que suprisse a necessidade do seu salão de costura, na sua residência, com sete máquinas de costura que produz uniformes para empresas.

“Vivia muito isolada, porque geralmente trabalho sozinha. Só contrato alguém pra ajudar, quando não dou conta”, comenta Ana, que diz ter encontrado um acolhimento no grupo de mulheres e que a troca de experiências também contribui pra melhorar o negócio. No sábado passado, o grupo participou de uma feira num parque da cidade de Balsas, expondo os trabalhos das empreendedoras. “Consegui vender, mas mesmo que ninguém compre, é uma forma de dar visibilidade ao trabalho”, comenta. Ela concluiu o ensino médio em 2001, mas a participação no grupo fez ela ver que “não é tarde pra sonhar”, voltar a estudar e vai se formar em pedagogia no final deste ano.

No Maranhão, existem 58 cooperativas que empregam 1.005 profissionais e têm 45.440 cooperados e R$ 1,2 bilhão em ativos, segundo o Anuário do Sistema OCB de 2025 com os dados referentes a 2024.

Programa Mulher Empreendedora

Realizado em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop), o Projeto Mulher Empreendedora foi desenvolvido para diminuir barreiras em pequenos empreendimentos liderados por mulheres. As participantes passam por quatro módulos numa formação que inclui empreendedorismo, plano de negócios e uma ação final de comercialização que deve ocorrer este mês no Poço da Panela, Bairro da Zona Norte do Recife. Toda a parte de mentoria/aprendizagem foi financiada pelo Sescoob, o sistema de aprendizagem de cooperativas do sistema S e a metodologia do programa foi do Sicredi Expansão.

“É uma iniciativa que leva a educação e a solução financeira. É sobre autonomia financeira, liberdade financeira, porque a gente sabe que as pesquisas mostram que uma mulher que tem liberdade financeira é menos propensa à violência, porque ela tem mais autonomia para sair daquela situação de violência, ela não depende mais economicamente”, diz a gerente de Desenvolvimento do Cooperativismo da Sicredi Expansão, Karina Lira.

Ela argumenta também que as iniciativas que melhoram a renda e o conhecimento das mulheres influem em várias outras questões como até a escolaridade dos filhos. “O resultado é amplo, porque impacta na família e na sociedade como um todo”, comenta. A instituição tem três comitês estaduais de mulheres, instalados no Sul do Maranhão, em Pernambuco e em Alagoas. “A nossa intenção é que as mulheres se associem e depois sejam votadas para formar lideranças femininas com interesse em assumir estes lugares nas cooperativas”, argumenta Karina.

Cooperativismo em Pernambuco

Segundo a superintendente do Sistema Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB)/Sescoop Pernambuco, Cleonice Pedrosa, o cooperativismo reúne atualmente 123 cooperativas em Pernambuco, distribuídas em ramos como crédito, saúde, transporte, educação, infraestrutura, serviços técnicos e agropecuária. Ainda noi Estado, as cooperativas empregam 9.818 profissionais, tem mais de 191 mil cooperados e ativos da ordem de R$ 7,18 bilhões.

Cleonice afirma que o modelo permite que pequenos produtores e empreendedores tenham acesso conjunto a novos mercados, tecnologias, capacitação, ganho de escala e melhores condições de negociação.

Para ampliar a presença feminina na gestão, o Sistema OCB/Sescoop Pernambuco mantém, em nível estadual, uma comissão de mulheres, com atuação voltada para capacitação e preparação de cooperadas para ocupar cargos de governança, segundo Cleonice. Já são seis instituições atuando com esse tipo de comissão que tem “o papel de traçar políticas em cooperativas que tratam da ocupação de espaços de gestão por essas mulheres e planos de capacitação, desenvolvimento profissional para mulheres cooperativistas”.

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