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Gestão documental vira foco e motor de receita da Cepe

Companhia Editora de Pernambuco se reposiciona no mercado e transforma centro documental em principal de receita, com contratos de R$ 53 milhões

De Recife
CEO do Movimento Econômico
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João Baltar Freire
João Baltar Freire, presidente da Cepe/Foto: Movimento Econômico

Em meio às mudanças profundas que afetaram as imprensas oficiais no Brasil, a Companhia Editora de Pernambuco (Cepe), vinculada ao Governo de Pernambuco, optou por um caminho raro: reagir à perda de sua principal fonte de receita com investimento, inovação e expansão de mercado. O movimento estratégico reposicionou a empresa — historicamente associada à publicação do Diário Oficial do Estado — como um player competitivo no setor de gestão documental e impressão gráfica de alta complexidade.

No centro dessa transformação está o Cepe Doc, o Centro de Gestão e Guarda de Documentos da Cepe, que completou 10 anos em setembro e se consolida como um dos mais modernos do país no segmento. Com R$ 53 milhões em contratos ativos e uma operação que já digitalizou mais de 200 milhões de imagens e inventariou 51 milhões de conjuntos documentais, o Cepe Doc se tornou não apenas símbolo de modernização da empresa, mas também sua principal fonte de receita.

Cepe
Cepe/Foto: reprodução do site

A guinada teve início em 2023, quando o jornalista João Baltar Freire assumiu a presidência da Cepe diante de um passivo de R$ 11 milhões. O impacto da Lei 13.818/2019, que desobrigou sociedades anônimas e empresas de grande porte de publicarem seus atos exclusivamente em diários oficiais, exigiu decisões rápidas e estruturantes. Enquanto muitas imprensas oficiais pelo país reduziram drasticamente suas atividades, a Cepe apostou em dois eixos estratégicos: a reestruturação do parque gráfico e o investimento no Cepe Doc.

A digitalização e a gestão documental, serviços oferecidos pelo Cepe Doc, passaram a ser tratados como ativos de alta demanda e valor público. Instalado em uma área de 12 mil m² no Cone Multimodal, em Cabo de Santo Agostinho — polo logístico que também abriga empresas como Mercado Livre, FedEx e Unilever —, o centro atende hoje 45 clientes, entre eles, Secretaria de Saúde, Detran e Secretaria de Educação do Estado.

Mais do que organização e segurança de dados, a digitalização tem um impacto concreto na gestão pública. Nos principais hospitais da rede estadual, por exemplo, o Cepe Doc já digitalizou 62,4 milhões de imagens. O resultado: arquivos físicos foram desmobilizados, liberando espaço físico para o atendimento à população — um ganho direto em eficiência e qualidade de serviço.alto de produtividade do Cepe Doc se deve a um investimento de R$ 2 milhões nos últimos dois anos em equipamentos de última geração e na ampliação em 50% da capacidade física do centro. A modernização impulsionou não apenas a digitalização, mas também o controle, rastreabilidade e acesso remoto aos arquivos por parte dos clientes.

Além do papel operacional, o Cepe Doc virou modelo de gestão documental para outros estados, como Espírito Santo, Rio de Janeiro, Alagoas e Paraíba, que já enviaram representantes para conhecer de perto a operação.

Parque gráfico

A reestruturação não se limitou ao Cepe Doc. O parque gráfico da Cepe recebeu investimentos na ordem de R$ 3 milhões e passou a atuar em novos nichos, como a produção de bulas, cartuchos e embalagens para o Lafepe, laboratório do governo do estado. A estratégia de diversificação também incluiu a ampliação de contratos com órgãos públicos, como a Secretaria de Educação de Pernambuco e a Prefeitura do Recife.

O impacto já aparece nos números: se em 2022 o setor gráfico da Cepe faturou apenas R$ 1 milhão, o acumulado até setembro de 2025 chega a R$ 14 milhões.

Uma editora premiada

Mesmo diante da guinada empresarial, a Cepe não abriu mão de seu papel fomento cultural. A Cepe Editora mantém um catálogo com mais de 500 títulos e, apenas nos últimos dois anos, lançou mais de 100 obras — com destaque para dois finalistas do Prêmio Jabuti 2025. Também seguem ativos os projetos sociais da companhia, como o Caixa de Leitura, a Expressoteca e a Galeria Reciclada, que aliam incentivo à leitura e sustentabilidade ambiental.

A experiência da Cepe se destaca no cenário nacional como exemplo de reinvenção de uma empresa pública diante de mudanças regulatórias profundas. A aposta em tecnologia, novos mercados e parcerias estratégicas transformou uma crise iminente em uma oportunidade de reconstrução no auge dos 58 anos de história.

Assista ao podcast:

Como a Cepe virou o jogo após a crise das imprensas oficiais

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