- Publicidade -

​Nova fase da Operação Sem Desconto mira ocultação de bens em fraudes no INSS

​Ação da Polícia Federal e CGU, que cumpre mandados em Pernambuco, Paraíba, São Paulo e Distrito Federal, tenta evitar que investigados se desfaçam de patrimônios após desvios bilionários contra aposentados
- Publicidade -
Ouvir o Artigo
~5:03
  1. PF e CGU deflagra nova etapa contra ocultação de bens em fraude bilionária do INSS.
  2. 31 mandados de busca e apreensão e oito medidas de monitoramento eletrônico executados em quatro estados.
  3. Três núcleos principais investigados: entidades em São Paulo, Brasília e crime institucionalizado em Garanhuns, Pernambuco.
  4. Investigados tentavam se desfazer de patrimônio para evitar bloqueio judicial e reparação às vítimas do esquema.
  5. Fraude acumulada chegou a R$ 6,3 bilhões, levando ao afastamento da cúpula do INSS em 2023.
INSS
O objetivo final do Judiciário é garantir que esses ativos sejam utilizados no ressarcimento das vítimas e na recuperação dos valores subtraídos dos cofres públicos por meio de estelionato previdenciário. Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

A Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram, na manhã desta quarta-feira (27), uma nova etapa da Operação Sem Desconto focada em estancar a tentativa de investigados de ocultarem seus bens. A ofensiva ocorre após a inteligência financeira detectar que os alvos estariam tentando se desfazer de patrimônio para evitar o bloqueio judicial e a futura reparação às vítimas de um esquema bilionário de descontos indevidos em aposentadorias.

​Nesta fase, os agentes federais cumprem 31 mandados de busca e apreensão, além de oito medidas cautelares de monitoramento eletrônico com o uso de tornozeleiras. As ordens judiciais, expedidas pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), estão sendo executadas em Pernambuco, Paraíba, São Paulo e no Distrito Federal.

Grupos investigados e atuação regional

As investigações apontam para a existência de três núcleos principais de associações que operavam o esquema. Em São Paulo, o foco recai sobre entidades como a Amar Brasil Clube de Benefícios, Master Prev, Andapp e Aasap. Já em Brasília, as atenções da PF estão voltadas para os responsáveis pela Unibap e Abenprev.

​No interior de Pernambuco, a operação ganha contornos de crime institucionalizado. O alvo é a cidade de Garanhuns, onde servidores e ex-servidores de agências locais do INSS são suspeitos de facilitar a atuação da Abapen.

O envolvimento de funcionários públicos é considerado determinante para a manutenção das fraudes, dada a facilidade de acesso aos dados dos beneficiários.

Tentativa de ocultação de bens

Um dos fatos determinantes para a deflagração desta nova etapa foi a descoberta de que os investigados estariam tentando se desfazer de seus bens. Conforme informações divulgadas pela Polícia Federal, os alvos buscavam dilapidar o patrimônio e ocultar ativos financeiros para evitar que os valores fossem alcançados pela Justiça para futura reparação dos danos.

​As medidas de busca e monitoramento têm caráter preventivo e visam assegurar que os recursos acumulados ilegalmente sejam preservados. O objetivo final do Judiciário é garantir que esses ativos sejam utilizados no ressarcimento das vítimas e na recuperação dos valores subtraídos dos cofres públicos por meio de estelionato previdenciário e crimes contra a administração.

​O histórico de um desvio bilionário

A Operação Sem Desconto não é recente. O caso ganhou repercussão nacional em abril de 2023, quando os primeiros relatórios da CGU indicaram que o desvio acumulado chegava à marca de R$ 6,3 bilhões.

Naquela ocasião, a gravidade das evidências levou ao afastamento da cúpula do INSS, sob a suspeita de que diretores da autarquia estivessem facilitando os acordos com as associações.

​O esquema funcionava por meio de Acordos de Cooperação Técnica (ACTs) firmados entre o INSS e sindicatos ou associações. Estas entidades declaravam oferecer serviços como assistência jurídica, planos de saúde e parcerias com academias.

No entanto, auditorias revelaram que muitas dessas instituições não possuíam estrutura física ou funcional para oferecer o que vendiam.

Mecanismo de filiação fantasma

O ponto central da fraude reside na falta de consentimento. Milhares de aposentados foram filiados a essas entidades sem jamais terem assinado qualquer documento ou manifestado interesse.

Os descontos, geralmente de valores baixos para não despertar suspeitas imediatas, eram percebidos apenas quando os segurados consultavam detalhadamente o extrato de pagamento.

​Para garantir a arrecadação, as associações utilizavam assinaturas falsificadas ou obtinham dados de forma irregular dentro do sistema previdenciário. De acordo com os órgãos de controle, a estrutura servia apenas como fachada para captar contribuições mensais de milhões de brasileiros, gerando um fluxo de caixa constante para os operadores do grupo criminoso.

Medidas de controle no INSS

​Desde o início das investigações em 2023, o INSS vem tentando implementar camadas de segurança para frear o avanço das associações irregulares. Entre as medidas adotadas estão o bloqueio automático de descontos associativos para novos benefícios e a exigência de biometria para autorizar qualquer nova filiação diretamente no portal “Meu INSS”.

​Apesar das travas tecnológicas, a operação desta quarta-feira demonstra que os grupos continuam tentando encontrar brechas para contornar a fiscalização. A integração entre a PF e a CGU tem sido fundamental para cruzar os dados financeiros das entidades com o volume de reclamações registradas na Ouvidoria e em portais como o Consumidor.gov.

​Próximos passos e penalidades

Os materiais apreendidos nesta quarta-feira, que incluem documentos e dispositivos eletrônicos, passarão por perícia técnica. A Polícia Federal busca agora identificar o caminho do dinheiro e verificar se houve lavagem de capitais por meio de empresas de fachada ou investimentos em nome de terceiros.

​Segundo os investigadores, os envolvidos podem responder por crimes como estelionato qualificado, organização criminosa e corrupção.

Com informações da Agência Brasil.

Leia também: Vazamento de dados no INSS expõe 2,8 milhões de CPFs; 98% de falecidos

- Publicidade -
- Publicidade -

Mais Notícias

- Publicidade -