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Setor de PET equilibra crescimento mesmo com atividade mais fraca

O Nordeste concentra uma fatia relevante do consumo de embalagens PET no Brasil, impulsionado principalmente pelos setores de bebidas e alimentos
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Imagem de Hans por Pixabay
Garrafas PET/Foto: Imagem de Hans por Pixabay

O setor de embalagens PET manteve estabilidade em 2025, mesmo diante de um ambiente de menor dinamismo econômico. A produção atingiu 807 mil toneladas de resina virgem, repetindo o patamar do ano anterior, após já ter registrado crescimento de 11,25% em 2024, segundo a Associação Brasileira da Indústria do PET (Abipet).

Com esse volume, o faturamento do setor alcançou R$ 10,3 bilhões, ainda que pressionado pela queda média de 10% nos preços internacionais da commodity.

Para o presidente executivo da Abipet, Auri Marçon, o resultado deve ser analisado dentro do contexto econômico. “Mesmo com a atividade mais fraca, conseguimos manter o nível de produção, o que demonstra a resiliência do setor”, afirma.

A trajetória de longo prazo reforça a consolidação do material no mercado. “Desde 2000, o consumo de resina PET cresceu 216%, saindo de 255 mil toneladas para os níveis atuais, impulsionado por características como leveza, resistência e competitividade”, destaca Marçon.

Hoje, o PET domina segmentos estratégicos. Segundo a Abipet, sua participação supera 95% nos mercados de água mineral e óleo comestível e ultrapassa 70% no caso dos refrigerantes. No setor de alimentos, a expansão segue consistente: embalagens de maionese já têm mais de 45% de participação em PET, enquanto o ketchup supera 70%, com crescimento anual acima de 1,5%.

Mercado de PET
Fonte: Abipet/Arte: Movimento Econômico

No campo da reciclagem, os avanços também são expressivos. Em 2024, a produção de resina reciclada chegou a 410 mil toneladas, o equivalente a cerca de 54% das embalagens descartadas, conforme levantamento da entidade. O volume representa um aumento de 512% desde 2000.

“A evolução da reciclagem reflete tanto o avanço tecnológico quanto a pressão crescente por práticas sustentáveis”, afirma o executivo.

Atualmente, 34% do material reciclado retorna à cadeia como nova embalagem, enquanto os outros 66% são destinados a setores como têxtil, químico e construção civil. O PET se consolidou ainda como o único plástico reciclado autorizado pela Anvisa para contato com alimentos.

Mercado de PET no NE

O Nordeste concentra uma fatia relevante do consumo de embalagens PET no Brasil, impulsionado principalmente pelos setores de bebidas e alimentos. Estimativas da Associação Brasileira da Indústria do PET (Abipet) indicam que a região responde por algo entre 18% e 22% do consumo nacional de embalagens PET, com forte concentração nos estados da Bahia, Pernambuco e Ceará.

No segmento de bebidas, que é o principal motor do PET, o Nordeste apresenta participação ainda mais expressiva. Em estados da região, o uso de PET em água mineral e refrigerantes segue o padrão nacional, com penetração superior a 90% em água e acima de 70% em refrigerantes, refletindo o crescimento do consumo em função do clima e da expansão populacional urbana.

A cadeia de reciclagem também tem presença relevante, embora ainda com gargalos estruturais. O Nordeste responde por cerca de 15% a 20% da reciclagem de PET no país, mas enfrenta limitações logísticas e de coleta seletiva. Em algumas capitais, a taxa de coleta seletiva ainda é inferior a 5% dos resíduos sólidos urbanos, o que restringe a oferta de matéria-prima reciclada.

Desafios do setor

Apesar do avanço, o setor enfrenta desafios estruturais. “A resina reciclada, que já foi mais barata, hoje pode custar mais do que a virgem. Isso cria distorções e pode desestimular o uso”, explica Marçon. Segundo ele, diferenças acima de 10% a 15% já impactam negativamente a demanda.

Outro entrave é a deficiência da coleta seletiva no país. “Em alguns momentos, as empresas operam com até 40% de ociosidade por falta de matéria-prima, o que mostra o descompasso entre oferta e demanda”, ressalta.

Como desafio adicional para este ano, o presidente executivo da ABIPET acrescenta a instabilidade de preços influenciados pelos conflitos no Irã, que atinge diretamente os derivados de petróleo. “Associada às oscilações de preços de fretes, forma um cenário incerto, onde administrar o custo do “pipeline” de matérias-primas e os estoques ao longo da cadeia produtiva pode ser vital para o negócio. O equilíbrio nesse momento de instabilidade será essencial para a tomada de decisão”, conclui

Logística reversa

Com índice de reciclagem elevado, a circularidade na fabricação de novas embalagens e com demanda crescente pelo material reciclado, o PET tem posição estratégica diante das metas estabelecidas pelo novo Decreto da Logística Reversa das Embalagens Plásticas (n.º 12.688/2025). Diante das novas exigências, as empresas fabricantes de produtos (usuárias de embalagens) deverão cumprir as metas para recuperação e de incorporação do conteúdo reciclado em suas embalagens. Para Marçon, o decreto deve ampliar a pressão por conteúdo reciclado. “Se houver equilíbrio de preços, a tendência é de aumento da demanda e fortalecimento de toda a cadeia, inclusive catadores e cooperativas”, avalia.

Nesse sentido, Marçon avalia dois cenários que podem impactar o setor do PET e outros materiais de embalagem:

  • Preço atrativo do material reciclado: tanto as grandes marcas como pequenos atores do mercado de bebidas, alimentos e outros irão superar as metas de conteúdo reciclado definas do Decreto, fazendo a demanda do reciclado crescer, incrementando o volume de faturamento dos catadores e cooperativas.
  • Reciclado supervalorizado: o histórico mostrou que sobrepreços acima de 10% ou 15% em relação à resina virgem levam ao desestímulo, reduzindo a demanda pelo reciclado e, consequentemente, a coleta e a renda dos catadores.

No caso do PET reciclado, as variações indesejadas no preço podem ser minimizadas por ações em duas frentes:

  • Aumento da coleta, e, portanto, da oferta de material pós-consumo para reciclagem (hoje no Brasil a coleta seletiva é deficiente).
  • Estímulo à demanda, através de benefícios às empresas que ultrapassam as metas mínimas estipuladas pelo novo Decreto.

“Em geral, os projetos ESG, como é a reciclagem de PET e as atividades de catadores e cooperativas, podem ter mais sucesso quando inseridos na realidade das atividades privadas, com economia de mercado. Coleta seletiva ampla em todo território nacional, associada à atividade de triagem realizada pelas cooperativas de catadores, pode ser uma ótima solução para o Brasil”, aponta Auri Marçon.

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