
O setor alimentício do Nordeste concentrou 575 empresas beneficiadas por incentivos fiscais da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), mobilizou R$ 23,7 bilhões em investimentos e gerou mais de 380 mil empregos diretos entre 2010 e 2023. Os números integram estudo inédito elaborado em parceria com a Universidade Federal de Viçosa (UFV), de Minas Gerais, divulgado nesta segunda-feira (6), que mede pela primeira vez com base empírica o retorno da política de renúncia fiscal no segmento. O resultado apurado: cada real investido pelas empresas de alimentos e bebidas gerou mais de R$ 1 em efeitos na economia regional.
A pesquisa cobriu 241 municípios da área de atuação da autarquia e registrou 833 concessões de incentivos fiscais no período, nas modalidades de redução do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e de reinvestimento. As empresas beneficiadas registraram aumento médio de até 20,5% no estoque de empregos e crescimento médio de 24% na massa salarial. Segundo José Farias, coordenador-geral de Estudos e Pesquisas da Sudene, o estudo avaliou a eficiência, a eficácia e a efetividade do instrumento. “O resultado foi robusto, mostra que os incentivos têm seu valor e criam oportunidades para o Nordeste”, afirmou.
O setor de alimentos e bebidas mantém conexão direta com as cadeias agropecuárias regionais e responde por parcela relevante do Produto Interno Bruto (PIB) dos estados nordestinos, com concentração em Bahia, Pernambuco e Ceará. Para o superintendente da Sudene, Francisco Alexandre, a política de incentivos fiscais atua como mecanismo de compensação locacional, reduzindo custos operacionais e ampliando a competitividade das empresas instaladas na região em relação a concorrentes de estados com maior densidade econômica e infraestrutura mais consolidada.
Um dos achados centrais do estudo é a capacidade de interiorização dos investimentos. As empresas apoiadas alcançaram municípios fora dos grandes centros urbanos, contribuindo para descentralizar o desenvolvimento dentro da própria região. O levantamento aponta, no entanto, concentração de recursos em determinados estados, o que limita a distribuição dos resultados e indica margem para aperfeiçoamento na alocação dos incentivos.
Crescimento do setor alimentício
A pesquisa de campo conduzida pela UFV com amostra das empresas beneficiadas identificou mudanças estruturais após o acesso aos incentivos: crescimento da participação de empresas com faturamento acima de R$ 100 milhões, ampliação dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D) e aumento da presença de empresas de grande porte na região. Os dados indicam ainda que os incentivos estimulam decisões estratégicas de expansão e modernização produtiva.
O estudo é o primeiro a mensurar empiricamente os efeitos da política no setor de alimentos e bebidas e integra uma agenda mais ampla de avaliação contínua dos instrumentos de desenvolvimento regional mantidos pela Sudene. Os próximos passos incluem a extensão da metodologia para outros setores beneficiados pelos incentivos fiscais da autarquia, com o objetivo de ampliar a base de evidências para o aprimoramento da política.
*Com informações da Sudene
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