
Juros elevados freiam a intenção de investimento de 23% das indústrias brasileiras em 2026, ano em que apenas 56% das empresas do setor planejam realizar aportes — queda de 16 pontos percentuais em relação aos 72% que investiram em 2025. Os dados são da pesquisa Investimentos na Indústria 2025-2026, divulgada nesta terça-feira (17) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), realizada com 1.330 empresas — 548 de pequeno porte, 456 de médio e 326 de grande porte — entre 5 e 14 de janeiro de 2026. Entre as empresas que não pretendem investir, 38% adiaram ou cancelaram projetos que estavam em andamento.
“O percentual de empresas que não pretende investir é elevado e reflete o cenário adverso que a indústria herdou do ano passado, principalmente por conta dos juros altos. É um resultado que preocupa, uma vez que os investimentos são a base de um crescimento sustentável e a fonte do tão necessário aumento da produtividade da economia brasileira”, afirma Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI.
Objetivos e fontes de financiamento
Entre as empresas que planejam investir em 2026, 62% darão continuidade a projetos já em andamento e 31% iniciarão novas frentes. Os principais objetivos são melhoria de processos produtivos (48%) e ampliação da capacidade de produção (34%). Lançamento de novos produtos concentra 8% das intenções e adoção de novos processos produtivos responde por 5%.
O custo elevado do crédito condiciona a origem dos recursos: 33% das empresas planejam utilizar somente capital próprio e 29% majoritariamente recursos próprios — totalizando 62% com dependência predominante do autofinanciamento. Apenas 25% pretendem recorrer majoritariamente a recursos de terceiros e 3% exclusivamente a fontes externas.
“O capital próprio é a principal fonte de financiamento dos investimentos da indústria há alguns anos e ganhou importância em meio às dificuldades das empresas para obterem crédito junto ao sistema financeiro, seja pelo alto custo desses recursos, seja por outros entraves, como a exigência de garantias”, explica Azevedo.
O foco é majoritariamente doméstico: 30% das empresas planejam investir exclusivamente no mercado interno e 37% predominantemente no mercado interno, enquanto 24% pretendem atender simultaneamente mercado interno e externo. Apenas 4% têm o mercado externo como prioridade.
Balanço dos investimentos das indústrias em 2025
Em 2025, 72% das indústrias de transformação realizaram investimentos, segundo a CNI. Do total, 36% investiram conforme o planejamento inicial e 29% investiram parcialmente. Outros 4% adiaram para 2026, 3% adiaram sem previsão de retomada, 2% postergaram e 2% cancelaram os projetos.
As incertezas econômicas foram o principal obstáculo: 63% das empresas com planos de investimento citaram esse fator. Em seguida aparecem queda de receitas (51%), incertezas setoriais (47%), expectativa de baixa demanda (46%) e entraves tributários (45%).
Entre as empresas que adiaram ou cancelaram investimentos, o quadro é mais severo: queda de receitas lidera com 80% de menções, seguida por incertezas econômicas (79%) e expectativa de demanda insuficiente (73%). “A taxa de juros e a nova política comercial americana foram responsáveis por boa parte dessas dificuldades”, pontua Azevedo.
Tipos de investimento e capital humano
Os principais tipos de investimento realizados em 2025 foram aquisição de máquinas ou equipamentos novos (73%), modernização de plantas industriais (50%), retrofit de máquinas ou equipamentos (38%) e ampliação ou aquisição de instalações (35%). Equipamentos de informação e comunicação e ativos intangíveis, incluindo software e banco de dados, foram citados por 26% cada.
A principal motivação estratégica dos investimentos em 2025 foi o desenvolvimento de capital humano — qualificação, ganhos de produtividade e redução de riscos associados ao trabalho —, apontada como importante ou muito importante por 79% das empresas que investiram total ou parcialmente como planejado. “O alto percentual de empresas que investiram em capital humano se deve, entre outras coisas, à escassez de mão de obra qualificada e às transformações tecnológicas do mercado de trabalho”, avalia Azevedo.
Inovação tecnológica (76%), impacto ambiental (65%) e eficiência energética (64%) também figuraram entre as motivações. No financiamento efetivamente realizado, 62% das companhias utilizaram recursos próprios, bancos comerciais privados responderam por 9% e bancos de desenvolvimento por 5%.
*Com informações da CNI
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