
O Grupo Heineken oficializou a transferência de toda a produção da unidade de Pacatuba, Região Metropolitana de Fortaleza, responsável por cerca de 250 empregos diretos e 1.000 indiretos, para a fábrica de Igarassu (PE), que recebeu R$ 1,2 bilhão em investimentos e abriu 130 novas vagas permanentes após sua ampliação. O movimento integra o ciclo nacional de modernização da companhia, que já soma mais de R$ 6 bilhões aplicados no país nos últimos seis anos.
A saída de Pacatuba encerra uma operação iniciada em 2010, quando a Heineken adquiriu a divisão de cervejas da Femsa e passou a controlar a planta cearense. A decisão, classificada pela Prefeitura do município como estratégica e de âmbito nacional, mobilizou autoridades locais, que tentaram reverter o encerramento.
“Reafirmamos que não há, em nenhum momento, interesse da gestão municipal na saída da empresa, que sempre foi reconhecida como grande geradora de emprego, renda e desenvolvimento para Pacatuba. Ressaltamos que o encerramento das atividades é uma decisão estratégica da multinacional, em nível nacional, que foge à competência direta do município. Ainda assim, a Prefeitura segue atuando de forma incansável, em diálogo permanente com a empresa e com o Governo do Estado, na tentativa de reverter o quadro e minimizar os impactos sociais e econômicos para a população”, diz nota da Prefeitura de Pacatuba.
Relocação e suporte aos trabalhadores
Em resposta ao Movimento Econômico, o Grupo Heineken detalhou os programas implantados para minimizar os impactos sobre os funcionários afetados. Segundo a empresa, 25 colaboradores receberam propostas de realocação para outras operações da companhia no Brasil, enquanto os demais foram incluídos em um pacote de suporte ampliado, acordado com o sindicato e estruturado “com o máximo de responsabilidade e cuidado humano”.
A empresa afirma que a transferência para Pernambuco está inserida em um plano mais amplo de ganho de eficiência, expansão de capacidade e foco nas categorias premium e puro malte, segmentos em que já lidera o mercado e que registram crescimento acelerado no país.
Apesar do fechamento da fábrica, a companhia reforça que permanece no estado com suas operações de logística, distribuição e presença comercial. “O Ceará segue sendo um mercado consumidor importante no Nordeste”, afirmou a empresa, que garante continuidade no atendimento a clientes e parceiros locais.

Pernambuco consolidado como polo
Com a ampliação concluída em agosto, a unidade de Igarassu passou a operar com tecnologias mais modernas, energia 100% renovável e processos que reduzem o uso de água, pilares da estratégia de sustentabilidade da Heineken. A planta também está preparada para atender ao avanço da demanda por marcas como Amstel em todas as embalagens.
A reestruturação industrial no Nordeste ocorre em paralelo à expansão da companhia no Sudeste, onde inaugurou recentemente uma cervejaria em Passos (MG). O conjunto de investimentos mostra a movimentação da multinacional para concentrar produção em unidades de maior escala, ao mesmo tempo em que busca mitigar efeitos sociais da saída do Ceará por meio de medidas de realocação e suporte aos profissionais afetados.
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