
O setor de infraestrutura concentrou R$ 11 bilhões dos R$ 19,6 bilhões em investimentos incentivados pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) em 2025. Empreendimentos de geração de energia eólica e solar responderam por 39% do total geral — R$ 7,6 bilhões — sendo o Rio Grande do Norte o estado que mais recebeu recursos (R$ 5,1 bilhões), com parques eólicos concentrados no município de Serra do Mel. Os dados constam do Relatório de Avaliação de Incentivos e Benefícios Fiscais e Financeiros divulgado pela Coordenação-Geral de Incentivos e Benefícios Fiscais e Financeiros (CGIF) da Sudene.
No conjunto regional, a energia elétrica respondeu por R$ 7,6 bilhões dentro dos R$ 11 bilhões do setor de infraestrutura — o maior volume setorial do ano. O Nordeste respondeu por mais de 90% da geração eólica nacional em 2024. Entre 2023 e 2025, os investimentos em energia eólica registrados na Sudene somaram R$ 4,7 bilhões dentro de um total de R$ 10,9 bilhões em novos empreendimentos do setor energético. O relatório da Sudene aponta que o setor entrou na fase de repowering, com substituição de equipamentos antigos por tecnologias de maior capacidade, dobrando a geração no mesmo espaço físico.
O desempenho energético potiguar correspondeu a 26,3% dos R$ 19,6 bilhões registrados em investimentos no conjunto dos 671 pleitos aprovados pela autarquia ao longo do ano, superando estados de maior base industrial como Bahia (R$ 3,2 bilhões) e Ceará (R$ 2,8 bilhões). O setor eólico respondeu por R$ 4,1 bilhões dos investimentos potiguares — 80% do total do estado —, com cinco complexos enquadrados no benefício fiscal de redução de 75% do IRPJ.

Serra do Mel com protagonismo energético
Os empreendimentos aprovados no estado incluem os parques Vila Espírito Santo I a IV (R$ 1.474,7 milhões), Vila Rio Grande do Norte 1 e 2 (R$ 824,1 milhões), Vila Piauí I e II (R$ 681,9 milhões), Eólica do Agreste Potiguar I e II (R$ 504,2 milhões) e Vila Sergipe 1 (R$ 412,7 milhões). Com exceção do Agreste Potiguar, instalado em Jandaíra, todos os demais estão localizados em Serra do Mel.
O conjunto Vila Espírito Santo é operado pela Vila Espírito Santo Empreendimentos e Participações S.A., sociedade anônima de capital fechado constituída em 26 de junho de 2019, com sede na zona rural de Serra do Mel, cujo objeto social abrange a geração de energia elétrica por geradores eólicos, a implantação e montagem das unidades e a comercialização de energia.
A expansão eólica em Serra do Mel é também objeto de disputa judicial. A Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do Rio Grande do Norte (FETARN), a Central Única dos Trabalhadores (CUT-RN) e o Serviço de Assistência Rural e Urbano (SAR-RN) ingressaram com ação civil pública em 21 de maio de 2025 contra a multinacional francesa Voltalia — que opera parques eólicos e solares no município com autorização da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) —, alegando danos ambientais, impactos à saúde e prejuízos econômicos associados à chamada “Síndrome da Turbina Eólica”.
O processo pede paralisação das obras, realocação das turbinas para distância mínima de dois mil metros das residências e indenizações de R$ 106 milhões. Os agricultores relatam queda na produção de caju, castanha e mel e aumento de mais de 14.000% nos atendimentos ligados à síndrome a partir de 2022, segundo dados do Sistema de Informação em Saúde para a Atenção Básica (Sisab) citados na ação. A Voltalia informou, na época, que não havia sido notificada judicialmente.
Bahia, Ceará e Pernambuco lideram em número de pleitos
A Bahia registrou 140 pleitos — o maior número entre todos os estados — e R$ 3,2 bilhões em investimentos. O principal aporte foi da Sertão Solar Barreiras, com R$ 798,2 milhões para instalação de parque fotovoltaico composto pelos parques XVI, XVII e XVIII. A companhia integra o portfólio do Grupo Echoenergia, por sua vez parte do Grupo Equatorial Energia, com atuação em geração, transmissão, distribuição e comercialização de energia.
Na sequência, a CGS Agropecuária S.A. em Jaborandi registrou R$ 400,0 milhões — empresa com portfólio de soja, algodão, milho e sorgo inserida no Matopiba, fronteira agrícola que abrange áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia — e a TIM S.A. modernizou sua unidade em Salvador por R$ 376,1 milhões. O Ceará teve 108 pleitos e R$ 2,8 bilhões, com a modernização da BRISANET em Pereiro como maior operação individual (R$ 704,3 milhões) e a AMBEV S.A. em Aquiraz (R$ 392,6 milhões) como segundo destaque.
Pernambuco registrou 101 pleitos e R$ 1,5 bilhão em investimentos, ocupando o quinto lugar em volume financeiro. O estado liderou em dois segmentos considerados prioritários pelo Decreto nº 4.213/2002: informática, com 18 pleitos e 8.839 empregos, e Turismo-Hotelaria, com 11 pleitos e 1.974 empregos, resultados superiores aos registrados na Bahia (1 pleito e 9 empregos) e no Ceará (9 pleitos e 10 empregos) nos mesmos segmentos.
O total de empregos vinculados aos incentivos aprovados no Rio Grande do Norte em 2025 alcançou 12.486 postos, sendo 7.379 diretos e 5.107 terceirizados. O setor de mineração também registrou aporte no estado: a Cascar Brasil Mineração Ltda., em Currais Novos, informou R$ 561,0 milhões para modernização de sua unidade de extração de ouro e 1.103 empregos.
Nordeste encerra 2025 com 347.940 empregos formais líquidos
O Nordeste fechou 2025 com saldo de 347.940 empregos formais segundo análise da Sudene a partir dos dados do Caged, resultado líquido da diferença entre admissões e desligamentos ao longo do ano. A região ficou em segundo lugar nacional, atrás apenas do Sudeste, e superou os saldos de 293.465 vagas em 2023 e 327.232 em 2024. Bahia (94.380), Pernambuco (72.565) e Ceará (49.184) lideraram, respondendo conjuntamente por 62% do total regional.
Das 179.800 vagas informadas pelas empresas beneficiadas com os incentivos da Sudene em 2025, 39.750 decorrem da implantação de novos empreendimentos, dos quais 35.532 diretos. A participação dos incentivos fiscais no total de empregos formais apurados pelo Caged foi de 70,6% no Ceará, 63,4% na Paraíba, 39,1% em Pernambuco, 37,6% na Bahia e 21,6% no Maranhão.
No acumulado de três anos, a autarquia aprovou 1.940 pleitos, com investimentos superiores a R$ 47 bilhões e 135 mil novos empregos registrados na área de atuação da Sudene, que abrange os nove estados do Nordeste, além de 249 municípios de Minas Gerais e 31 do Espírito Santo.
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