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Instalação de usinas de geração cai 29% no Brasil e 57% no Nordeste

Os investidores de energia renovável estão migrando pra outras regiões que tenham mais linhas de transmissão e menos cortes de geração
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Houve um recuo na implantação de usinas geração no Brasil nos 10 primeiros meses deste ano, comparando com o mesmo período de 2024. Foto: Agência Brasil

Os cortes de geração e a falta de linhas de transmissão provocaram uma queda maior no ritmo de instalação de usinas para produzir energia no Nordeste do que no restante do País. Nos 10 primeiros meses deste ano, foram instaladas usinas que acrescentaram um total 6.564,81 megawatts (MW) de geração (capacidade instalada) no Brasil, contra os 9.353 MW acrescidos de janeiro a outubro do ano passado. A queda foi de 29%. No Nordeste, esta queda ficou em 57%, usando como base o mesmo período. Os investidores de energia renovável estão preferindo investir em outras regiões.

De janeiro a outubro de 2024, foram acrescentados 6.338 MW de capacidade de geração no Nordeste, enquanto este acréscimo ficou em 2.697 MW nos 10 primeiros meses deste ano, segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

“A queda na instalação de novas usinas ocorre, em todo o País, principalmente porque o consumo de energia não está crescendo o suficiente para justificar novas expansões. Sem demanda, fica difícil encontrar compradores”, explica a diretora de Regulação e Estudos de Mercado da Thymos Energia, Mayra Guimarães.

Ela argumenta que está queda é maior no Nordeste, por causa de entraves estruturais, como falta de capacidade na rede de transmissão para conectar novos projetos e risco de corte de geração, principalmente em usinas solares e eólicas. “Mesmo onde há a capacidade da rede de receber a energia, os empreendimentos estão tendo cortes de geração”, comenta a diretora. Os cortes de geração são determinados pela Operador Nacional do Sistema (ONS) geralmente, quando há um excesso de geração de energia ou não há capacidade nas linhas de transmissão para escoar a energia produzida.

No curto prazo, Mayra diz que a maior consequência desta diminuição da expansão da geração é local, com menos obras e menos geração de renda, além de impactar também os fabricantes destes tipos de equipamentos. Ela argumenta que “no curto prazo, não há risco de falta de energia, porque o país tem uma sobreoferta”.

Já no médio e longo prazo surge um cenário mais preocupante. Mayra cita vários fatores que podem contribuir para um agravamento da atual situação: “nenhum investidor tem folego eterno para aguentar ter uma receita menor do que a esperada por causa dos cortes de geração. Toda vez que eles são cortados, estão perdendo dinheiro. É muito tempo perdendo dinheiro. Então, já começa a trazer uma preocupação um pouco mais estrutural quanto à segurança do setor”. Ela cita que no Chile muitas empresas de geração solar foram a falência por causa de um problema parecido com o que ocorre no Nordeste.

Também, no médio e longo prazos, do ponto de vista energético, talvez comece a dar problema para atender o pico de consumo noturno, no começo da noite, de acordo com Mayra. O maior consumo de energia do Brasil é registrado neste horário.

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Os cortes de geração têm provocado perda de receitas nas usinas solares e eólicas. Foto: Fernando Cavalcante

Geração de energia em números

Há alguns anos, os estados do Nordeste – e mais recentemente Minas Gerais – ocupavam as primeiras posições nos levantamentos da Aneel sobre a instalação de novos empreendimentos de geração. No entanto, este cenário começou a mudar. Nos 10 primeiros meses deste ano, o Rio de Janeiro foi o estado que mais implantou capacidade de produzir energia, acrescentando 1.672 MW. No mesmo período, o estado que ficou na segunda posição foi Minas Gerais com 1.038 MW e o terceiro lugar ficou com a Bahia com um acréscimo de 1.011 MW. Os três estados receberam mais da metade de toda a capacidade de geração acrescida, de janeiro a outubro deste ano, que ficou em 6.564,81 MW.

Nos 10 primeiros meses de 2024, somente o Nordeste recebeu empreendimentos que acrescentaram mais 6.338 MW. Isso foi quase o que o Brasil inteiro recebeu no mesmo período de 2025. Ainda de janeiro a outubro do ano passado, os estados nordestinos que mais acrescentaram geração na sua matriz energética foram Bahia (2.171 MW), Rio Grande do Norte (1.775 MW) e o Piauí com mais 1.168 MW. Neste mesmo período, o Estado de Minas Gerais registrou um acréscimo de 2.239 MW.

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