
Com potencial elevado em energias renováveis e infraestrutura científica consolidada, o Nordeste desponta como candidato estratégico para sediar o novo Centro de Competência em hidrogênio de baixa emissão de carbono, anunciado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e pela Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii).
O investimento previsto é de R$ 60 milhões, oriundos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), com o objetivo de impulsionar a produção de hidrogênio limpo e fomentar o desenvolvimento tecnológico voltado à transição energética. A chamada pública para selecionar a instituição que irá sediar o centro está aberta até 24 de novembro, com divulgação do resultado prevista para maio de 2026.
O novo centro terá como foco o desenvolvimento de tecnologias de produção de hidrogênio com baixa emissão de carbono, utilizando fontes renováveis como eólica e solar. As áreas de aplicação incluem setores industriais como siderurgia, cimento, transportes, fertilizantes, combustíveis, processos químicos e geração de energia elétrica. Também estão previstas linhas de pesquisa em armazenamento, transporte e segurança do hidrogênio, com o objetivo de ampliar sua viabilidade e competitividade no mercado nacional. A iniciativa busca aproximar o ecossistema científico do setor produtivo, transformando conhecimento técnico em soluções aplicadas para a indústria.
O Nordeste abriga atualmente diversas unidades Embrapii com atuação reconhecida em inovação e forte integração com a indústria. Entre elas estão o Instituto Atlântico, em Fortaleza (CE), especializado em manufatura inteligente e transformação digital; o Polo de Inovação do Instituto Federal do Ceará (IFCE), premiado como Unidade Destaque da Embrapii, com projetos em sistemas embarcados e mobilidade digital; o Instituto Metrópole Digital da UFRN, em Natal (RN), referência em Internet das Coisas (IoT) e computação em nuvem; e o Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (Cetene), em Recife (PE), que atua com foco em biotecnologia e inovação industrial.
Estrutura científica apoia candidatura da região
Além dessas, outras instituições com projetos de impacto na região incluem o CEIA-UFG (CE), o Senai Cimatec (BA), o CRTM-IFRN (RN), o CESAR (PE) e o EDGE (AL). A Unidade Bioforest da UFOPA, embora sediada na Região Norte, mantém iniciativas de bioeconomia sustentável com atuação sobre o Nordeste. Esse conjunto de centros especializados forma uma base sólida de infraestrutura científica e tecnológica, fortalecendo a candidatura do Nordeste para sediar o novo centro de hidrogênio de baixo carbono.
De acordo com dados da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), o Nordeste concentra aproximadamente 85% da capacidade instalada de energia eólica no Brasil, além de ser destaque em projetos de hidrogênio verde, com estados como Ceará, Bahia, Rio Grande do Norte e Pernambuco avançando em iniciativas com investidores nacionais e internacionais. Esse contexto energético e tecnológico posiciona a região como protagonista natural na estruturação de uma indústria nacional de hidrogênio limpo, atraindo investimentos estratégicos e consolidando cadeias produtivas locais voltadas à sustentabilidade.
Centro integra política de ciência e inovação
Durante viagem oficial à Indonésia e à Malásia, a ministra do MCTI, Luciana Santos, destacou que a criação do novo centro está alinhada às metas climáticas que o Brasil pretende apresentar na COP30, a Conferência das Nações Unidas sobre o Clima, que ocorrerá em Belém (PA), em 2025. Segundo a ministra, “não há como enfrentar a crise climática sem ciência e sem investimento público”, reforçando que o governo está comprometido com o fortalecimento da pesquisa como eixo das políticas públicas de descarbonização e inovação tecnológica.
O secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do MCTI, Daniel Almeida Filho, afirmou que o centro representa mais um passo da estratégia da Embrapii de aproximar o desenvolvimento acadêmico da aplicação industrial. A entidade já mantém centros de competência em áreas como inteligência artificial, vacinas, tecnologias imersivas e tecnologias quânticas. Com o hidrogênio agora em foco, a proposta é avançar na construção de um novo vetor energético com impacto direto sobre a indústria brasileira.
O presidente da Embrapii, Álvaro Toubes Prata, destacou que a instituição atua em mais de cem unidades distribuídas pelo país, com cerca de 17,8 mil colaboradores. Segundo ele, o novo centro terá papel fundamental em transformar conhecimento científico em inovação de impacto econômico e social, inserindo o Brasil na vanguarda do setor. Já o secretário-executivo-adjunto do Ministério da Fazenda, Rafael Dubeux, afirmou que a proposta está inserida na política de transformação ecológica, que visa não apenas reduzir emissões, mas também estimular a inovação, aumentar a produtividade e posicionar o país como desenvolvedor de tecnologias limpas.
Congresso destaca papel do hidrogênio na matriz energética
O lançamento do centro ocorreu durante o 4º Congresso Brasileiro do Hidrogênio (4CBH2), realizado até 25 de outubro no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB), em Brasília. O evento, apoiado pelo MCTI, reuniu representantes de governo, empresas, universidades e centros de pesquisa para discutir o papel do hidrogênio na transição energética brasileira. A programação incluiu painéis técnicos, rodadas de negócios e debates sobre produção, demanda, segurança e regulação do hidrogênio, alinhados às metas internacionais e ao fortalecimento de um setor energético de baixo carbono no Brasil.
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