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ONS avalia retomada do horário de verão por aumento da demanda elétrica

ONS pode recomendar volta do horário de verão e alerta para déficit de potência até 2029; documento projeta aumento de 14,1% na carga elétrica
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horário de verão
Foto: Agência Brasil/Arquivo

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) informou que estuda recomendar ao governo federal a retomada do horário de verão como medida para conter a crescente demanda por energia elétrica no país. A possibilidade foi mencionada após análise das projeções de carga para o segundo semestre, em meio ao avanço do consumo nos horários de maior uso, principalmente no início da noite.

Segundo o diretor-geral do ONS, Luiz Carlos Ciocchi, a instituição deve entregar ainda em julho um parecer ao Ministério de Minas e Energia (MME) com dados atualizados sobre o comportamento do consumo. De acordo com ele, “o horário de verão poderá ser imprescindível para atender à demanda” durante os períodos de pico, entre 18h e 21h. Essa faixa concentra os maiores níveis de consumo, impulsionados por altas temperaturas e pelo uso intensivo de aparelhos de ar-condicionado.

A avaliação do ONS é de que, caso se confirme o cenário de sobrecarga no sistema elétrico, a mudança no fuso pode voltar a ser considerada uma ferramenta de gestão para redistribuir o uso de energia ao longo do dia. O operador ressalta, porém, que a decisão final caberá ao governo federal, após análise técnica e consulta aos diferentes agentes do setor.

Como funcionava o horário de verão no Brasil

O horário de verão foi adotado no Brasil de forma intermitente desde 1931, com aplicação mais regular a partir da década de 1980. A medida consistia em adiantar os relógios em uma hora, geralmente entre os meses de outubro e fevereiro, com o objetivo de aproveitar melhor a luz natural no fim do dia e reduzir o consumo de energia elétrica durante os horários de pico. O principal impacto positivo era observado no setor de iluminação pública e no uso de eletrodomésticos no início da noite.

A vigência do horário de verão variava conforme o decreto presidencial em vigor, com aplicação restrita às regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste — áreas onde a diferença de luminosidade ao longo do ano era mais significativa. A medida foi suspensa em 2019 pelo governo do então presidente Jair Bolsonaro, após estudos do Ministério de Minas e Energia indicarem perda de efetividade da política, diante da mudança no perfil de consumo energético e da crescente utilização de aparelhos de refrigeração ao longo do dia.

ONS projeta aumento de 14,1% na carga até 2029 e alerta para déficit de potência

A recomendação para retomada do horário de verão ocorre paralelamente à divulgação do Plano da Operação Energética (PEN 2025), referente ao horizonte 2025–2029. O relatório, apresentado pelo ONS nesta terça-feira (8), indica um crescimento de 14,1% na carga de energia do Sistema Interligado Nacional (SIN) no período, o que representa uma média anual de 3,4%, alcançando cerca de 94,6 gigawatts (GW) médios em 2029.

Na oferta de energia elétrica, estima-se um acréscimo de 36 GW na capacidade instalada até o final da década, totalizando 268 GW — já incluída a expansão da micro e minigeração distribuída (MMGD). A combinação entre MMGD e fonte solar deverá representar 32,9% da matriz elétrica brasileira em 2029.

Com a ampliação das fontes renováveis intermitentes, como solar e eólica, o ONS alerta para a necessidade crescente de flexibilidade no sistema, especialmente com o uso de fontes controláveis, como usinas hidrelétricas e termelétricas. “Precisamos cada vez mais de flexibilidade no sistema, com fontes de energia controláveis que nos atendam de forma rápida para garantir o equilíbrio entre oferta e demanda, especialmente nos horários em que temos as chamadas rampas de carga”, afirmou o diretor-geral do ONS, Marcio Rea.

Sistema requer ações estruturantes para garantir segurança elétrica

Do ponto de vista conjuntural, o plano reforça a necessidade de preparar o sistema para um aumento no despacho de termelétricas a partir de outubro. Já em termos estruturais, o relatório identifica um desequilíbrio crescente na capacidade de atendimento à demanda por potência. De acordo com Alexandre Zucarato, diretor de Planejamento do ONS, os dados indicam um “aprofundamento do déficit estrutural para atendimento ao requisito de potência”.

“Recomendamos ao Poder Concedente que organize tempestivamente leilões anuais para contratar recursos voltados ao aumento da oferta do atributo potência”, destacou Zucarato. O documento também sugere avanços em ferramentas computacionais para avaliação da capacidade do sistema diante dos requisitos operacionais projetados.

Nordeste registra aumento na geração solar e consumo residencial

No Nordeste, o aumento no consumo residencial se soma à expansão da geração solar fotovoltaica. Segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a região concentra cerca de 45% da potência instalada em geração distribuída no país, com destaque para Bahia, Ceará e Pernambuco.

Apesar da contribuição renovável, a redução da geração solar no fim do dia amplia a pressão sobre o sistema nos horários de maior demanda. O horário de verão, ao postergar em uma hora o uso de energia elétrica, pode atenuar esse descompasso entre oferta e consumo.

Leia mais: Governo declara emergência hídrica em 102 cidades de Pernambuco

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