Combustíveis fósseis: Noxis acelera licenciamento, mirando 30% do refino no NE

Combustíveis fósseis: a corrida pela descarbonização da economia não intimida a Noxis Energy, que aproveita a oportunidade gerada pelo déficit crescente de diesel nos estados nordestinos e a demanda em alta de combustível para embarcações. Companhia também mira os biocombustíveis
Combustíveis fósseis: Noxis não aposta apenas em derivados de petróleo, mas também no mercado de metanol, biocombustível usado nos “navios verdes”
Combustíveis fósseis: Noxis aposta tanto nos derivados de petróleo, como no metanol, de olho no mercado de “navios verdes”/Foto: Noxis Energy (Divulgação)

A Noxis Energy entra no mercado de combustíveis fósseis do Nordeste com apetite impressionante em plena aceleração da descarbonização da economia. A meta é ambiciosa: ter 30% do mercado de refino da região nos próximos cinco a 10 anos.

Para atingir o objetivo, a empresa vem atendendo com celeridade máxima a todas as exigências necessárias para o licenciamento das três refinarias que vai construir no Ceará, Bahia e Sergipe, com investimentos de US$ 5 bilhões.

Os empreendimentos foram anunciados oficialmente no primeiro semestre deste ano e a estratégia da Noxis é clara: aproveitar as oportunidades geradas pelo déficit crescente de diesel nos estados nordestinos.

“No Brasil, as importações de gasolina e diesel devem atingir 800 mil barris/dia até 2030. Portanto, há espaço para as refinarias da Petrobras, para os players privados que já estão no setor e também para a entrada de outras empresas, como a nossa. Mercado é o que não falta”, afirma o diretor executivo Márcio Rodrigues.

Além do diesel, a empresa mira também o incremento na demanda de combustível para embarcações. O consumo do chamado bunker vem sendo impulsionada pela expansão das operações de portos nordestinos como Pecém (CE), Suape (PE), Salvador (BA) e Cabedelo (PB), entre outros.

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Combustíveis fósseis: Noxis quer muito mais que derivados de petróleo

Mas quem pensa que a Noxis está desconsiderando a transição energética em seus planos se engana. A empresa utiliza tecnologia de última geração em suas plantas para a redução do impacto ambiental.

Além disso, o projeto no Ceará inclui uma unidade de produção de metanol, a partir de um acordo tecnológico com o grupo suíço-brasileiro BlueNano. A capacidade prevista para a planta industrial do insumo, que será integrada à refinaria, é de 500 mil toneladas/ano.

O metanol é um biocombustível bastante utilizado na indústria química, como solvente industrial. Mas tem diversas outras aplicações, a exemplo de uso na produção de plásticos, medicamentos e biodiesel e como combustível dos chamados “navios verdes”, cuja fabricação vem se expandindo.

De acordo com estudo divulgado este mês pela Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), a situação atual do Brasil no suprimento de metanol é crítica, com uma dependência de importações que chega a 100% na produção de biodiesel.

Combustíveis fósseis: refinaria da Noxis no Pecém já tem licenciamento prévio

Para a produção do metanol, a Noxis vai reaproveitar o CO2 gerado na sua unidade onde as tratativas estão mais avançadas. A Refinaria de Petróleo do Pecém (RPP), orçada em US$ 1,7 milhão e com área total de 106 hectares, já tem licenciamento prévio emitido desde agosto passado.

Em março passado, a Noxis protocolou o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e o Relatório de Impacto Ambiental (Rima) do projeto na Superintendência do Meio Ambiente do Ceará (Semace).

A empresa corre contra o tempo na apresentação das exigências da legislação ambiental para avançar no licenciamento, a fim de que todas as autorizações saiam entre o final de 2023 e o começo de 2024, permitindo o início da construção no primeiro semestre do ano que vem. A entrada em operação está programada para entre 2026 e 2027.

Essa planta será a primeira refinaria 100% privada no Ceará, que conta com a Lubnor, da Petrobras. Terá capacidade para processar 100 mil barris de petróleo/dia e vai produzir 5 milhões de toneladas de derivados por ano. Serão criados 3,5 mil empregos na construção e 600 empregos diretos e indiretos na operação.

As expectativas para o empreendimento são ousadas. “Vamos transformar o porto do Pecém num hub de abastecimento de navios”, afirma o diretor executivo Márcio Gonçalves. A ambição é justificada não apenas pela demanda em alta no setor, mas também pelo fim da exclusividade da Petrobras no atendimento a embarcações, a partir da Instrução Normativa Nº 2.109, de 4 de outubro de 2022. O ato abriu esse mercado para a iniciativa privada.

Combustíveis fósseis: planta da Noxis na Bahia, além de diesel e bunker, vai produzir gasolina A e GLP
Refinaria da Noxis em Ilhéus (BA) terá mix diferente da unidade no Ceará e vai produzir também gasolina A e GLP/Foto: Schutterstock

Combustíveis fósseis: Noxis terá mix de produtos diferente na Bahia

Na Bahia, o projeto da Noxis está em fase inicial de licenciamento. Trata-se de uma refinaria, com investimento do mesmo porte que o programado no Ceará, que será implantada no porto em construção pela Bahia Mineração (Bamin), na Costa do Cacau (Ilhéus). A unidade terá capacidade de refino de 5 milhões de toneladas de combustíveis/ano – a mesma da unidade no Pecém.

Mas o mix será diferente do previsto para planta cearense, pois além de diesel (para os setores rodoviário e ferroviário) e bunker, a refinaria baiana também vai produzir gás liquefeito de petróleo (GLP) e gasolina A. As obras têm previsão de início em 2024.

“No momento, além de avançar na estruturação do projeto e estudos ambientais para o licenciamento, estamos dedicados à articulação de nossa cadeia produtiva e mercado”, detalha Márcio Gonçalves. Esse trabalho inclui o contrato com um fornecedor de petróleo e também a captação de um cliente âncora na rede de distribuidoras.

Esta será a terceira unidade de refino na Bahia, onde existem duas plantas em operação: a Mataripe (São Francisco do Conde) e a Dax Oill Refino (Camaçari).

Combustíveis fósseis: Noxis tem expectativa de licenciamento em Sergipe no 2º semestre de 2024

No caso de Sergipe, a expectativa da Noxis é que o licenciamento saia no segundo semestre de 2024. A capacidade e o volume de investimentos são semelhantes aos dos outros projetos no Nordeste.

A unidade será construída em Barra dos Coqueiros (Região Metropolitana de Aracaju), num terreno de 50 mil metros quadrados. O mix será parecido com o da refinaria baiana, com a diferença de que a planta também vai produzir gás natural veicular (GNV).

Quem é a Noxis Energy no mercado de combustíveis?

A Noxis Energy é uma empresa brasileira sediada no Rio de Janeiro, fundada em 2018, e que tem como objetivo desenvolver projetos de energia limpa e sustentável, além de produzir combustíveis com eficiência energética e menor impacto ambiental.

A companhia é formada por um grupo de investidores, integrado pelo Grupo Eitan Aizenberg (Israel) e a Ariel Participações – sociedade constituída por empresários brasileiros e estrangeiros com larga experiência na concepção de projetos para o mercado nacional e internacional, na área de energia, especialmente no refino.

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