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União Europeia aprova acordo de livre comércio com o Mercosul

Aval ao Mercosul em votação em Bruxelas aconteceu apesar da oposição da França, Irlanda, Polônia e outros países que temem impactos negativos sobre o setor agrícola europeu
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Acordo União Europeia Mercosul
A Comissão Europeia negocia desde 1999 o amplo acordo com o Mercosul, formado por Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai, que criaria a maior zona de livre comércio do planeta, com mais de 700 milhões de consumidores. Foto: Reprodução

Os embaixadores dos 27 Estados-membros da União Europeia registraram, nesta sexta-feira (9), apoio à assinatura do acordo comercial com o Mercosul, encerrando mais de 25 anos de negociação e semanas de disputa interna para consolidação do bloco mínimo necessário entre os principais governos europeus. O movimento atende à exigência formal de que ao menos 15 países, representando 65% da população total da UE, declarem voto favorável para que o processo avance à fase final de endosso institucional.

A Comissão Europeia, responsável pelo encerramento técnico das negociações há um ano, sustenta o acordo como parte do esforço para expansão dos mercados europeus mediante redução de tarifas e reposicionamento comercial diante de medidas restritivas dos Estados Unidos e da necessidade de reduzir dependência da China em cadeias industriais e minerais. Alemanha e Espanha reforçam a defesa do pacto, classificando-o como instrumento estratégico para abertura de destinos comerciais e sustentação de competitividade industrial.

O eixo opositor, liderado pela França, maior produtor agrícola da UE, vincula sua posição ao risco de aumento das importações de carnes, aves, açúcar e outros produtos alimentícios oriundos do Mercosul, com impacto direto sobre agricultores europeus. Os protestos organizados por sindicatos rurais bloquearam rodovias em França e Bélgica, com marcha adicional registrada na Polônia, ampliando a pressão sobre governos nacionais durante a consolidação das posições.

Os embaixadores receberam prazo até 17h no horário de Bruxelas (13h em Brasília) para confirmação escrita dos votos, etapa necessária à formalização do apoio. O atendimento do quórum habilita a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, a assinar o acordo com os quatro países do Mercosul — Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai — com possibilidade de que o ato ocorra já na próxima semana.

Líderes europeus comemoram acordo com o Mercosul

O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, e alguns setores empresariais comemoram, nesta sexta-feira (9), a conclusão provisória das negociações do acordo de livre comércio entre União Europeia e Mercosul, iniciadas há 25 anos.

“O acordo UE-Mercosul é um marco na política comercial europeia e um forte sinal da nossa soberania estratégica e capacidade de ação”, escreveu Merz em sua conta no X. “Isso é bom para a Alemanha e para a Europa, mas 25 anos de negociações foram muito longos – precisamos avançar mais rápido”.

Mudança na ordem global

A ministra das Relações Exteriores da Áustria, Beate Meinl-Reisinger, também usou as redes sociais para expressar seu contentamento com a notícia, apesar de seu país ter votado contrariamente à iniciativa.

“Estou emocionada! Finalmente, há uma maioria entre os Estados-membros da UE para [a assinatura] do acordo com o Mercosul”, afirmou Beate na rede social.

“Não é nenhum segredo que eu esperava que a Áustria apoiasse o acordo também. Porque uma coisa é clara: nossa economia, nossos negócios e nossa prosperidade se beneficiarão enormemente disso”, acrescentou a ministra, defendendo que a Áustria aprofunde as relações comerciais com outras nações, começando pela Índia, país com o qual a Áustria já negocia um acordo bilateral.

“Isso é especialmente crucial, pois a ordem global está passando por mudanças maciças – a Europa, e a Áustria também precisa de novos parceiros. Temos agora de aprofundar os nossos laços com outras regiões do mundo”, defendeu Beate.

Polônia lamenta e vai defender agricultores do país

De acordo com o ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural da Polônia, Stefan Krajewski, além de seu país e da Áustria, os embaixadores da França, Hungria e da Irlanda também se manifestaram contra o acordo.

“Se a Itália estivesse do nosso lado, o acordo seria bloqueado”, lamentou Krajewski.

“Infelizmente, as consequências desta decisão afetarão todos nós. Repito o que tenho dito: vamos proteger os agricultores poloneses”, acrescentou o ministro, destacando que o Parlamento polonês já vem propondo mecanismo legais para proteger os setores produtivos de seu país e para garantir eventuais compensações ao setor agrícola.

Indústria automotiva vê vantagens

Em nota, a Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis (Acea) afirmou que o apoio da maioria dos Estados-membros ao acordo UE-Mercosul é um “momento marcante e um sinal claro de que a Europa quer manter uma economia forte, aberta e focada no comércio”.

Segundo a entidade, a assinatura do acordo reduzirá, “de forma muito significativa”, as tarifas sobre os automóveis fabricados na UE (atualmente, de até 35%), resolverá os obstáculos técnicos ao livre-comércio entre os dois blocos e reforçará as cadeias de abastecimento de matérias-primas críticas.

“A Acea insta agora os tomadores de decisões políticas do Parlamento Europeu a ratificar rapidamente o acordo para que todos os setores envolvidos se beneficiem rapidamente das vantagens comerciais e estratégicas do acordo.”

*Com informações da Agência Brasil

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