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Setor sucroalcooleiro defende E32 e rejeita etanol como moeda de troca com EUA

Renato Cunha, do Sindaçúcar-PE e da NovaBio, diz que E32 amplia mercado em 1 bilhão de litros de etanol e ancora inflação. Tarifas norte-americanas sobre açúcar extra cota chegam a mais de 100%
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  1. Setor sucroalcooleiro defende aumento da mistura de etanol na gasolina de 30% para 32% nacionalmente.
  2. E32 ampliará consumo de biocombustível em quase 1 bilhão de litros anuais, conforme líderes industriais.
  3. Mistura de etanol ancora preços da gasolina frente às oscilações internacionais ligadas ao petróleo.
  4. Conselho Nacional de Política Energética deliberará sobre avanço para 32% nos próximos 15 dias.
  5. Setor rejeita usar etanol como moeda de troca nas negociações comerciais com Estados Unidos.
etanol metanol derivados da cana
Para representantes do setor sucroalcooleiro, a mistura de 32% de etanol também ancora os preços da gasolina no contexto internacional de oscilações ligadas ao petróleo. Foto: Biodiesel Brasil

A elevação da mistura de etanol na gasolina de 30% para 32% ampliará o consumo nacional do biocombustível em quase 1 bilhão de litros, segundo Renato Cunha, presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Pernambuco (Sindaçúcar-PE) e CEO da NovaBio — Associação de Produtores de Açúcar, Etanol e Bioenergia, em declaração ao Movimento Econômico após reunião na terça-feira (9) com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio do Planalto. “O mercado nacional passa a crescer o seu tamanho. Ele passa a ter um consumo não mais de 43 bilhões de litros, patamar atual de produção e consumo, mas aumenta em quase 1 bilhão de litros o consumo do etanol anidro, que passa a ter uma distribuição maior”, afirmou Cunha. O executivo destacou que a mistura de 32% também ancora os preços da gasolina no contexto internacional de oscilações ligadas ao petróleo.

A safra 2026/27, em curso, reforça o momento favorável para a ampliação. Com o açúcar aquém das expectativas de preço, o setor tem direcionado a produção para o etanol: a projeção é que 52% da cana seja destinada ao biocombustível na safra atual. A produção total estimada é de 42 bilhões de litros nesta safra, sendo 29 bilhões de etanol de cana e 12,7 bilhões de etanol de milho. A lei permite que a mistura chegue a 35%. No governo Lula, o percentual saiu de 27% para 30% e deve avançar para 32% após deliberação do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), convocado para os próximos 15 dias.

“Isso ancora preços da gasolina e tudo mais. O presidente da República falou muito que sempre se empenhou em defender a pauta dos biocombustíveis”, disse Cunha. Lula chamou a agenda dos biocombustíveis de “eixo de sustentabilidade e descarbonização” durante a reunião, que contou com ministros da Agricultura, do Planejamento, da Fazenda e com o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Rosa, responsável pelas negociações comerciais com os EUA junto ao Itamaraty.

A pauta foi de iniciativa do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, segundo Cunha, que fez questão de registrar o protagonismo do ministro. “Foi uma pauta do governo federal mostrando o conjunto do governo, mas de iniciativa do ministro Alexandre Silveira“, afirmou o CEO da NovaBio, que também participou do encontro.

Cunha destacou ainda o papel do etanol no Nordeste, onde a topografia favorece o que chamou de “cana social”, cultura que gera grande volume de empregos, especialmente em Pernambuco. “As políticas do etanol são de interesse coletivo, de interesse público. O governo encara dessa forma, e seguram os piques de inflação, além de interiorizarem o desenvolvimento e gerarem muitos empregos”, afirmou.

presidente da Associação de Produtores de Açúcar, Etanol e Bioenergia (NovaBio) e do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool no Estado de Pernambuco (Sindaçúcar-PE), Renato Cunha
Presidente da Associação de Produtores de Açúcar, Etanol e Bioenergia (NovaBio) e do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool no Estado de Pernambuco (Sindaçúcar-PE), Renato Cunha, participou de reunião em Brasília. Foto: Ademar Filho/Fórum Nordeste

Exportações de açúcar e tarifas de etanol com os EUA

A reunião também tratou das exportações do setor sucroenergético para os Estados Unidos, pauta que Cunha classificou como “emergencial”. O Brasil exportou cerca de 120 milhões de toneladas de açúcar ao mercado norte-americano na maior parte do ano passado, completando ao final a cota de 155 milhões de toneladas. A cota de 150 mil toneladas de açúcar brasileiro exportada aos EUA oscilou entre zero, 10% e 50% ao longo dos últimos meses e atualmente está em 10%.

“A nossa luta é para manter o ideal zero, mas 10% é um número aceitável”, afirmou Cunha, sinalizando que o setor não busca o retorno imediato à tarifa zero, mas resiste a qualquer nova alta. O setor alertou o governo para o desequilíbrio estrutural: os EUA importam 3 milhões de toneladas de açúcar por ano, com o volume acima da cota sujeito a tarifas acima de 100%, o que representa um adicional de mais de US$ 300 por tonelada sobre um produto cotado em torno de US$ 300 nas bolsas internacionais. “Eles nunca falam da questão do açúcar extra cota. Para haver equilíbrio, é importante fazer esse balanceamento”, afirmou Cunha.

No etanol, a assimetria também é significativa: os EUA cobram 12,5% de tarifa sobre o produto brasileiro, enquanto o Brasil cobra 18% sobre o etanol norte-americano. “Não faria sentido a gente abrir espaço para eles aqui com tarifa zero, porque eles não abrem no açúcar, que é correlato. A cana origina açúcar e etanol”, afirmou.

Cunha fez questão de esclarecer que o etanol não foi utilizado como moeda de troca nas negociações. “A gente colocou a relevância de criar com os Estados Unidos outro caminho”, afirmou, em referência à estratégia do setor de posicionar o biocombustível como eixo de sustentabilidade nas tratativas bilaterais. “Sentimos segurança do Governo Federal em negociar de forma madura e equilibrada, para que possa ter uma situação de equilíbrio entre as partes”, concluiu.

Leia mais: Mistura de etanol na gasolina pode subir para 32% e reduzir preço ao consumidor

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