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Confiança empresarial sobe em junho e atinge maior nível em mais de um ano

Com alta de 1,1 ponto, o indicador da FGV volta a subir após alívio no cenário externo, mas juros altos e endividamento ainda limitam ritmo do mercado
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  1. Índice de Confiança Empresarial sobe para 92,7 pontos em junho, maior nível em mais de um ano.
  2. Redução de conflitos no Oriente Médio e queda nos preços do petróleo impulsionam expectativas do setor produtivo.
  3. Juros elevados e endividamento das famílias limitam crescimento econômico, mantendo confiança abaixo dos níveis históricos.
  4. Índice da Situação Atual Empresarial avança para 94,4 pontos, refletindo satisfação moderada com negócios presentes.
  5. Expectativas futuras sobem para 91,1 pontos, mas recuperação ainda depende de estabilidade interna e externa.
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De acordo com a análise técnica, fatores geopolíticos globais influenciaram a melhora das expectativas no setor produtivo. Foto: divulgação

A confiança dos empresários brasileiros registrou melhora no fechamento do primeiro semestre. O Índice de Confiança Empresarial (ICE), medido pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE), subiu 1,1 ponto em junho de 2026, atingindo a marca de 92,7 pontos. Este resultado representa o patamar mais elevado para o indicador desde maio de 2025, período em que o índice havia chegado aos 94,5 pontos.

​Com o desempenho de junho, a média móvel trimestral interrompeu uma sequência de dois meses seguidos em queda e voltou a apontar tendência de alta, avançando 0,1 ponto. O resultado consolida o segundo mês consecutivo de recuperação do indicador geral, que agora se posiciona acima do patamar que havia sido registrado em fevereiro deste ano.

​De acordo com a análise técnica, fatores geopolíticos globais influenciaram a melhora das expectativas no setor produtivo. A distensão dos conflitos na região do Oriente Médio e a consequente acomodação nos preços internacionais do barril de petróleo ajudaram a reduzir o nível de incerteza no cenário externo, favorecendo o ambiente corporativo nacional.

​Juros altos e endividamento seguram atividade econômica

​Apesar do avanço recente, o cenário macroeconômico doméstico ainda impõe restrições ao crescimento. “À exceção do setor industrial, os níveis de confiança permanecem historicamente baixos, compatíveis com um ritmo apenas moderado de atividade econômica. Esse cenário continua sendo limitado pelos elevados juros e comprometimento de renda das famílias com o pagamento de dívidas”, avalia Aloisio Campelo Jr., pesquisador do FGV IBRE.

​O pesquisador acrescenta que a manutenção da trajetória de alta nos próximos meses dependerá de fatores internos e externos. “A consolidação da recuperação da confiança nos próximos meses dependerá tanto da continuidade desse alívio no cenário externo quanto da evolução das condições econômicas domésticas”, pondera Campelo Jr.

​Os dados internos da pesquisa mostram que o Índice da Situação Atual Empresarial (ISA-E) subiu 1,1 ponto, alcançando 94,4 pontos. O subindicador que mede o nível de satisfação imediata com os negócios avançou 1,6 ponto, atingindo 93,4 pontos. Já o termômetro que avalia a demanda no momento presente cresceu 0,7 ponto, fixando-se em 95,5 pontos.

​Empresários mostram otimismo moderado com o futuro

As expectativas para o médio prazo também interromperam a trajetória de queda que vinha sendo desenhada desde o mês de março. O Índice de Expectativas Empresariais (IE-E) registrou alta de 1,2 ponto e fechou junho em 91,1 pontos.

O número, contudo, ainda não sinaliza uma retomada completa da recuperação iniciada em setembro de 2025, que acabou interrompida pela Guerra no Oriente Médio.

​No detalhamento das projeções para o futuro, o indicador focado no otimismo com a demanda para os três meses seguintes subiu 1,2 ponto, alcançando a marca de 90,2 pontos. O componente que capta a percepção das empresas sobre a evolução dos negócios para os seis meses à frente avançou 1,1 ponto, situando-se em 92,1 pontos.

​Alimentos puxam desaceleração do IPC-S em junho

​Paralelamente aos dados de confiança, o FGV IBRE divulgou os resultados do IPC-S da quarta quadrissemana de junho de 2026. O índice de inflação registrou alta de 0,36% no período, acumulando uma variação positiva de 4,32% nos últimos 12 meses. Das oito classes de despesas analisadas, seis apresentaram decréscimo em suas taxas.

​A desaceleração mais expressiva veio do grupo Alimentação, cuja taxa de variação recuou de 1,03% na terceira quadrissemana para 0,47% na última semana do mês. Também caíram as taxas de Habitação (0,61% para 0,37%), Vestuário (-0,13% para -0,52%), Saúde e Cuidados Pessoais (0,62% para 0,50%), Comunicação (0,10% para 0,02%) e Educação, Leitura e Recreação (0,38% para 0,37%).

​Na contramão da tendência de queda, o grupo Transportes foi o único a registrar aceleração, passando de uma taxa negativa de -0,35% para uma alta de 0,10%. O segmento de Despesas Diversas não registrou alteração e repetiu a taxa de variação de 1,30% que havia sido apurada no levantamento anterior do órgão de pesquisa.

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