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Durigan atribui alta da dívida aos juros e descarta excesso de gastos

​Ministro da Fazenda defende o arcabouço fiscal e afirma que o país herdou problemas de arrecadação, mas admite que controle de despesas deve seguir
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Secretário-Executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, detalha a proposta de orçamento da União de 2025, enviada ao Congresso Nacional na última sexta-feira (30)
Na visão do ministro da Fazenda, o fator determinante para a trajetória da dívida não é o orçamento, mas sim o custo do dinheiro e o cenário externo. Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, rebateu as críticas sobre a gestão do endividamento público brasileiro após o Banco Central informar que a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) atingiu 79,2% do PIB em fevereiro. Em entrevista, o titular da pasta negou que o crescimento da dívida, que era de 78,7% em janeiro, seja reflexo de um aumento descontrolado nas despesas do governo.
​Para Durigan, a narrativa de que o gasto público inflou o endividamento está incorreta.

“Não é verdade dizer: ‘Ah, aumentou muito o gasto, por isso o Brasil tem um endividamento maior’. Isso está errado. Porque a gente foi diminuindo estruturalmente o déficit primário. Hoje nós temos um resultado neutro, muito próximo do zero”, argumentou o ministro à GloboNews.

​Juros e geopolítica como vilões da dívida

Na visão do Ministério da Fazenda, o fator determinante para a trajetória da dívida não é o orçamento, mas sim o custo do dinheiro e o cenário externo. Durigan aponta que as taxas de juros elevadas respondem pelo cenário atual, sendo influenciadas por variáveis que fogem ao controle direto da política fiscal imediata.

​”O que responde pelo aumento do endividamento público nos últimos anos é a taxa de juros, que não é causada pelo excesso de gastos do governo, mas por outras questões. São questões da geopolítica, da volatilidade do câmbio”, explicou.

Ele reforçou que o governo tem enfrentado desafios imprevistos, como as calamidades no Rio Grande do Sul e os reflexos econômicos da guerra do Irã.

Revisão de privilégios e arrecadação de “bets”

Ao comentar o equilíbrio das contas, o ministro defendeu que a recomposição fiscal não foi feita apenas com o aumento da carga tributária sobre o cidadão comum, mas sim através da correção de distorções e cobrança de setores antes desonerados. Ele citou como exemplos as subvenções de ICMS e a tributação de fundos fechados e apostas esportivas (bets).

​”Tem uma série de coisas que é da democracia e de um país que quer ser justo, minimamente justo, cobrar tributo. As pessoas pagam tributo no seu fundo de investimento, no seu salário que recebe no mês e algumas pessoas que não pagavam, estão pagando”, ressaltou Durigan.

Desafio para o próximo governo e gastos obrigatórios

Embora defenda o atual arcabouço fiscal como uma regra que “sobreviveu bem”, o ministro admitiu que o avanço no controle de gastos obrigatórios ainda não atingiu o patamar ideal. Durigan reconheceu que a continuidade desse esforço será uma tarefa obrigatória para a próxima gestão presidencial.

​”A gente teve um avanço, mas não um avanço necessário para conter gastos obrigatórios. Nisso eu te dou razão. Mas o que o próximo governo precisaria fazer, qualquer que seja ele, é manter o esforço fiscal que nós fizemos”, afirmou.

Segundo ele, o aprimoramento da regra fiscal e a busca por uma trajetória decrescente dos juros são os caminhos para endereçar o tema da dívida pública de forma definitiva.

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