
O pagamento de Créditos de Descarbonização (CBIOs) tem uma estimativa de gerar uma renda extra para os produtores alagoanos. Nesta semana, a usina Coruripe realizou os repasses dos créditos aos produtores do estado referentes a 2024 e a Associação dos Plantadores de Cana de Alagoas (Asplana) estima que o pagamento anual pode render até R$ 27 milhões em Alagoas.
Desde que a lei 15.982 foi sancionada em dezembro de 2024, usinas em todo o país tiveram que se adequar às novas regras de repasse dos créditos de descarbonização (CBIOs) aos fornecedores de cana-de-açúcar.
Em Alagoas, uma das pioneiras neste repasse foi a Cooperativa Pindorama, que já repassou mais de R$ 8 milhões aos cooperados. Já a Usina Caeté comercializou na safra encerrada 315,7 mil CBIOs.
A Usina Coruripe informou que, desde que foi habilitada na Política Nacional de Biocombustíveis (Renovabio), reparte os valores dos CBIOs com os produtores de cana-de-açúcar. Dessa forma, em Alagoas, a empresa foi uma das pioneiras e já compartilha voluntariamente com os fornecedores de cana os CBIOs gerados desde 2021.
Os valores repassados aos produtores variam de acordo com as características e período de colheita da cana. Em dezembro de 2026, a companhia vai distribuir aos fornecedores os valores de Cbios referentes a 2025.
O presidente da Usina Coruripe, Mario Lorencatto reforça que a iniciativa visa fortalecer a cadeia produtiva a partir da proteção ambiental. “O Renovabio é um avanço do setor de bioenergia e um tema prioritário para nossa companhia, pois representa um benefício para a sociedade e o meio ambiente”, afirma.
O gerente corporativo de Sustentabilidade da Usina Coruripe, Bertholdino Apolonio Teixeira Junior, disse ao Movimento Econômico que a empresa tem um programa de geração de energia a partir de biomassa, que visa gerar eletricidade renovável a partir do bagaço de cana-de-açúcar, o que contribui para a redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE).
A capacidade de geração é de 132MW nas cinco unidades de produção da empresa localizadas em Alagoas e Minas Gerais. A energia gerada é utilizada internamente e fornecida para o mercado.
“Com consultoria da FastCarbon, até o momento foram certificados pela geração 1.444.832 créditos de carbono provenientes da energia fornecida pelas unidades Coruripe (AL), Iturama (MG), Campo Florido (MG) e Carneirinho (MG) entre os anos de 2013 e 2024, utilizando cogeração pela biomassa do bagaço de cana-de-açúcar”, disse.
Segundo informações da Associação dos Produtores do Vale do Coruripe (Asprovac),cerca de 200 produtores foram beneficiados com o pagamento realizado pela Usina Coruripe. Cada fornecedor recebeu, em média, R$ 0,78 por tonelada de cana que foi entregue à Coruripe.
Pagamento de CBIOs atende a pedidos de produtores
A Asplana foi uma das instituições que atuou na mobilização nacional para regulamentar a obrigatoriedade do pagamento dos CBIOs aos produtores. A Associação destacou a importância do pagamento, que representa uma nova dinâmica de relação entre produtores e usinas.
A entidade estima que o pagamento de forma regular pode gerar até R$ 27 milhões anualmente em Alagoas, levando em consideração uma produção de aproximadamente 9 milhões de toneladas de cana e um preço médio de negociação entre R$ 2 e R$ 3.
O presidente do Sistema Faeal/Senar, Álvaro Almeida, disse que os sindicatos e demais associações tem papel fundamental na concretização de melhorias para os produtores de cana do estado com a regularidade no pagamento de CBIOs.
“Parabenizamos o segmento que, desta forma, demonstra responsabilidade e firmeza nas conquistas obtidas junto ao setor industrial, assim como esperamos que as demais empresas sigam o exemplo da Coruripe. Como Faeal, estimulamos a representatividade de sindicatos rurais e associações na defesa dos interesses da agropecuária alagoana”, disse.
O CBIO é um Crédito de Descarbonização ou Crédito de Carbono criado pelo programa governamental RenovaBio, lançado há mais de cinco anos pelo Ministério de Minas e Energia (MME). É um título emitido por empresas licenciadas e produtoras de biocombustíveis que, a partir de suas operações, contribuem com a agenda climática global.
A cada CBIO emitido, uma tonelada de carbono deixa de ser lançada na atmosfera. Hoje, a Pindorama tem capacidade de emitir mais de 40 mil CBIOs por safra, sendo uma das principais emissoras do setor sucroenergético.
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