- Publicidade -

PIB do Nordeste cresce 2,9%, mas renda per capita segue a menor do país

Região tem crescimento puxado por refino de petróleo e agropecuária, mas segue com os menores índices de renda do país e sem avanço na participação relativa no PIB nacional, segundo dados do IBGE
- Publicidade -
Petrobras Refinaria Abreu e Lima Pernambuco
Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, estado que avançou para 2,5% de participação no PIB nacional em 2023, impulsionado justamente pelo crescimento das atividades de refino de petróleo. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A economia da região Nordeste cresceu 2,9% em volume em 2023, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O desempenho, ligeiramente inferior à média nacional (3,2%), igualou-se ao registrado na região Norte (2,9%) e superou os resultados do Sul (2,6%) e Sudeste (2,7%). Apesar da expansão, a participação da região no Produto Interno Bruto (PIB) do país permaneceu em 13,8%, mesmo patamar de 2022.

O Nordeste foi a única grande região que manteve sua participação estável na composição do PIB nacional entre 2022 e 2023. O Centro-Oeste (de 10,3% para 10,6%) e o Norte (de 5,7% para 5,8%) ampliaram sua presença na economia do país, enquanto Sudeste (de 53,3% para 53,0%) e Sul (de 16,6% para 16,8%) recuaram em peso relativo.

Esses contrastes regionais apontam para a necessidade de investimentos estratégicos em infraestrutura, inovação e qualificação da mão de obra no Nordeste. A diversificação da base produtiva e a integração com cadeias industriais de maior valor agregado são caminhos apontados por especialistas para ampliar a competitividade da região.

Os dados divulgados nesta sexta-feira (14) integram o Sistema de Contas Regionais do Brasil 2023, elaborado pelo IBGE em parceria com os órgãos estaduais de estatística, secretarias de Fazenda e Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa). A variação em volume considera o crescimento real do PIB, descontada a inflação, permitindo comparações mais precisas entre estados e períodos.

Refino e extração de petróleo explicam oscilações entre estados

Pernambuco teve crescimento real do PIB de 2,4% em 2023, mas sua participação no PIB nacional subiu de 2,4% para 2,5%, refletindo mudanças na composição da economia brasileira. Já a Bahia, que cresceu 2,3%, teve sua participação reduzida de 4,0% para 3,9%, influenciada pela retração nas atividades de extração de petróleo. Essas foram as únicas variações de peso econômico entre os estados nordestinos em 2023.

Os demais estados da região mantiveram a mesma participação no PIB nacional registrada em 2022: Maranhão (1,4%), Piauí (0,7%), Ceará (2,1%), Rio Grande do Norte (0,9%), Paraíba (0,9%), Alagoas (0,8%) e Sergipe (0,6%). Isso indica que, apesar do crescimento em volume registrado em quase todos os estados, o ritmo não foi suficiente para alterar sua representatividade econômica no cenário nacional.

A alta de Pernambuco foi impulsionada pelo desempenho do setor de refino de petróleo, enquanto a retração baiana reflete a queda na produção de petróleo bruto, afetando diretamente a indústria extrativa local.

Rio Grande do Norte, Maranhão e Alagoas lideram crescimento na região

O estado nordestino com maior crescimento em 2023 foi o Rio Grande do Norte (4,2%), seguido por Maranhão (3,6%) e Alagoas (3,5%). Esses três estados puxaram o desempenho regional, todos acima da média nacional. Sergipe (3,1%), Piauí (3,1%), Ceará (3,0%) e Paraíba (3,0%) apresentaram crescimento compatível com a média do país.

Na outra ponta, Pernambuco (2,4%) e Bahia (2,3%) cresceram abaixo da média regional e nacional. A Bahia, principal economia do Nordeste, teve o pior desempenho entre os nove estados da região.

No acumulado entre 2002 e 2023, o PIB em volume da região Nordeste cresceu 63,4%, com taxa média anual de 2,4%. O valor supera a média do país no mesmo período (58,2%, ou 2,2% ao ano), mas não foi suficiente para alterar o peso da região na economia nacional.

Piauí e Maranhão lideram crescimento de longo prazo

Piauí (111,8%) e Maranhão (102,8%) foram os estados com maior crescimento acumulado entre 2002 e 2023, ambos com taxas médias superiores a 3,4% ao ano. Na sequência aparecem Paraíba (82,9%), Alagoas (66,4%), Ceará (66,1%) e Rio Grande do Norte (51,4%).

Em contrapartida, a Bahia (49,8%) teve o menor desempenho no período, com média anual de 1,9%, abaixo da média nacional. Pernambuco (54,8%) e Sergipe (53,4%) também apresentaram resultados inferiores à média da região.

A oscilação negativa da Bahia impactou sua participação no PIB nacional, que passou de 4,0% em 2022 para 3,9% em 2023. Isso ocorreu em um contexto de crescimento mais acelerado em estados como Mato Grosso (187,5%), Mato Grosso do Sul (112,8%) e Goiás (85,5%), que compõem a região Centro-Oeste, cuja participação avançou para 10,6% do PIB nacional em 2023, frente aos 8,6% registrados em 2002.

Nordeste rendimento salarial dinheiro salário mínimo real notas
O Maranhão é o estado com a menor renda per capita, com o equivalente a R$ 22.020,63 por pessoa. Foto: Roberto Parizotti/Divulgação

PIB per capita nordestino equivale à metade da média nacional

Em 2023, o PIB per capita da região Nordeste foi de R$ 27.681,97, o menor entre as cinco grandes regiões brasileiras. O valor corresponde a 51,4% da média nacional (R$ 53.886,67).

Todos os nove estados nordestinos ocupam as últimas posições no ranking nacional de PIB per capita. O Maranhão (R$ 22.020,63) ficou na última colocação (27ª). Em seguida aparecem Paraíba (R$ 24.395,17), Piauí (R$ 24.736,15), Ceará (R$ 26.405,96), Sergipe (R$ 27.518,80), Alagoas (R$ 28.675,84), Pernambuco (R$ 29.857,27), Bahia (R$ 30.476,54) e Rio Grande do Norte (R$ 30.804,91) — este último na 19ª colocação nacional.

No topo do ranking, o Distrito Federal (R$ 129.790,44) lidera com folga, seguido por São Paulo (R$ 77.566,27), Mato Grosso (R$ 74.620,05) e Rio de Janeiro (R$ 73.052,55). O PIB per capita do DF é quase cinco vezes superior ao do Maranhão, evidenciando o abismo entre as regiões.

Desigualdades estruturais e desafios para a produtividade

Apesar do crescimento em volume, os dados confirmam a estagnação da renda relativa da região Nordeste. A defasagem do PIB per capita frente à média nacional mostra que o avanço econômico tem sido insuficiente para elevar a produtividade ou transformar a estrutura econômica local.

O Centro-Oeste acumulou crescimento de 103,1% entre 2002 e 2023, com média de 3,4% ao ano, puxado pela agropecuária, indústria extrativa e exportações. Em 2023, a região teve o maior crescimento entre as cinco grandes regiões, com alta de 7,6%, frente aos 2,9% do Nordeste. Os destaques foram Mato Grosso (12,9%) e Mato Grosso do Sul (13,4%).

Leia mais: Nordeste amplia colheita de grãos e desafia tendência de queda no Brasil

- Publicidade -
- Publicidade -

Mais Notícias

- Publicidade -