
A aprovação do governo Lula subiu de 40% para 43%, uma recuperação puxada especialmente pela classe média e por eleitores com maior escolaridade, após o embate com o presidente norte-americano Donald Trump. É o que aponta a nova pesquisa Quaest, em parceria com a Genial Investimentos.
Além de avaliar a popularidade do presidente, a pesquisa apurou a percepção da população sobre a carta de Trump, sobre sua medida de tarifar o Brasil em 50%, sobre a economia, o custo de vida e o papel do Congresso na atual conjuntura política. Para 44% Lula e o PT estão agindo certo diante das ameaças de Trump.

A pesquisa mostrou que aprovação de Lula variou mais no Sudeste, onde subiu de 32% para 40%, (3 pontos na margem de erro), entre maio e julho. O dado chama atenção por se tratar da região mais industrializada do país e onde está localizado o estado de São Paulo, o principal exportador para os Estados Unidos — ou seja, o mais diretamente atingido pela ameaça tarifária.
Em outras regiões, a aprovação se manteve estável, variando dentro da margem de erro:
- Nordeste: 53% (variação de 1% na margem de erro)
- Sul: 35% (queda de 2%)
- Centro-Oeste/Norte: 40% (variação positiva de 2%)

A avaliação positiva do governo também cresceu entre pessoas de 35 a 59 anos (de 38% para 44%), ficando estável as demais e entre pessoas com ensino superior completo (de 33% para 45%) e renda acima de 5 salários mínimos (de 40% para 46%).
Esses públicos têm maior exposição ao noticiário econômico e maior sensibilidade a riscos externos, o que pode indicar apoio à postura institucional e de reação do governo Lula frente à escalada de Trump.


Lula é avaliado por religiosos
Entre os religiosos, os católicos s destacam com aprovação subindo de 45% para 51%, enquanto que, entre evangélicos, foi a desaprovação que se elevou de 66% para 69% . O grupo evangélico ainda concentra uma base significativa de apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro, o que pode explicar a resistência na avaliação presidencial nesse segmento.
Crise com Trump: percepção pública crítica à medida dos EUA
- 66% dos entrevistados disseram ter conhecimento sobre a carta de Trump a Lula, sendo esse conhecimento mais elevado entre os bolsonaristas (88%) contra os petistas (53%).
- Após tomarem conhecimento, 79% acreditam que as tarifas vão prejudicar suas vidas ou a de suas famílias.
- Para 72% dos entrevistados, Trump está errado ao impor tarifas ao Brasil para beneficiar Bolsonaro.
- E 57% rejeitam a ideia de que Trump tenha direito de criticar o processo judicial contra Bolsonaro;
- Para 17% apontam Eduardo Bolsonaro como um dos principais responsáveis pela crise diplomática com os EUA.
A crítica de Lula à medida americana, com anúncio de retaliação tarifária, encontra apoio na opinião pública:
- 53% consideram correta a resposta de Lula com tarifas em reciprocidade.
- Entre os próprios eleitores de Bolsonaro, 30% também aprovam a retaliação, sinalizando desconforto mesmo na base oposicionista.
Além disso, 84% dos brasileiros defendem que governo e oposição se unam para defender os interesses econômicos do Brasil nesse momento.


Avaliação da economia: cenário ainda negativo, mas com expectativas moderadas
A percepção econômica segue desafiadora:
- 46% dizem que a economia piorou nos últimos 12 meses contra 48% da pesquisa anteiror.
- 80% afirmam que o poder de compra caiu comprado a há um ano atrás.
- 76% viram aumento no preço dos alimentos nos últimos mês contra 79%.
- 56% notaram alta nos combustíveis contra 54% em maio, e 62% nas contas de luz e água contra 60% no mês anterior.
- 43% acham que a economia vai piorar, nos próximos 12 meses, maior percentual, contra 30% em maio.
Quando perguntados se as desvaneças com Donadl Trump interferem no cenário eleitoral a pesquisa mostra o seguinte:

Apesar da crise diplomática com os EUA e do cenário econômico ainda desfavorável para boa parte da população, a avaliação do governo Lula mostra resiliência, especialmente entre os segmentos mais informados e impactados. O apoio à reciprocidade tarifária, o rejeito à ingerência de Trump no processo judicial de Bolsonaro e o apelo por união nacional indicam que parte do eleitorado valoriza a defesa da soberania e da estabilidade institucional — pontos centrais na resposta do Planalto à crise.
Fonte: Pesquisa Genial/Quaest (julho/2025), margem de erro nacional: 2,2 pontos percentuais.
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