
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) evitou a contratação de R$ 806,3 milhões em financiamentos rurais desde fevereiro de 2023, com base na identificação de indícios de desmatamento ilegal nas propriedades financiadas. A triagem é realizada em parceria com o MapBiomas, que integra imagens de satélite à análise de risco do banco.
O movimento do BNDES ocorre em um momento de crescente alinhamento do sistema financeiro global com a agenda de descarbonização e transição energética. Pressionados por investidores institucionais, acordos multilaterais e normas internacionais de disclosure climático, bancos públicos e privados vêm intensificando os filtros socioambientais para concessão de crédito, especialmente em setores sensíveis como agropecuária e infraestrutura.
Apenas no mês de abril de 2025, o volume de crédito rural não contratado por questões ambientais chegou a quase R$ 25 milhões, evidenciando o avanço dos critérios de sustentabilidade na concessão de crédito agrícola.
No Nordeste, o volume total de financiamentos não contratados chegou a R$ 97 milhões. Só em Pernambuco, bloqueio somou R$ 3,97 milhões, o equivalente a 2,2% dos R$ 176,5 milhões solicitados. A região apresentou o maior percentual de alertas de desmatamento nas solicitações de crédito (2,8% do total analisado), além de responder pelo segundo maior percentual de financiamentos evitados no país (1,6% dos R$ 5,95 bilhões pleiteados).
O Norte liderou os percentuais de crédito bloqueado (2,2% dos R$ 4,3 bilhões solicitados), com destaque para o Amazonas, que registrou bloqueio em 12,64% das propostas, refletindo a pressão crescente sobre áreas de floresta nativa.

“O tempo do crédito para o agro que desmata já passou”, afirmou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante. Segundo ele, o banco é parceiro do agronegócio sustentável e da inovação no campo, mas mantém rigor absoluto com relação ao cumprimento da legislação ambiental.
BNDES com regras mais rígidas
O BNDES adota regras mais rígidas que o próprio Manual de Crédito Rural do Banco Central, não contratando operações com beneficiários que tenham embargos ambientais, ainda que em propriedades distintas da financiada, salvo em caso de regularização formalizada. O monitoramento permanece ativo inclusive após a contratação.
O aperto nos filtros socioambientais reflete uma mudança estrutural no financiamento ao setor agropecuário, que terá papel estratégico na transição energética global, especialmente na oferta de bioenergia, agricultura de baixo carbono e crédito de carbono.
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